Recado do Editor
O segundo turno é no domingo, dia 25, e a agenda econômica vai disputar atenção com as pesquisas eleitorais. O mercado deve acompanhar somente um lado. E empurrar os problemas de juros, inflação, El Niño e preço de energia para depois do voto.
Pesquisas diárias e o mercado de apostas
A expectativa é de pesquisas quase diariamente. Depois do desempenho forte de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, as sondagens se moveram a favor dele.
Mas alguns dias depois, Lula recuperou parte do fôlego, com mobilização de militantes nas ruas, ofensiva nas redes e sequência de medidas eleitoreiras que custarão caro para a população.
As pesquisas divulgadas na semana passada, inclusive algumas que não eram atualizadas desde o primeiro turno, apontam para uma disputa mais apertada. Os mercados de previsão acompanharam o movimento e reduziram as chances implícitas de vitória de Flávio, que segue favorito, mas por margem menor.
Nossa leitura, debruçando friamente nos números, é de vitória da oposição.
Segunda, dia 19: IGP 10
Às 7h, sai o IGP 10 de outubro. A projeção é de alta de 1,63% no mês, o que levaria a variação em doze meses para 4,88%, contra 3,29% em setembro. É um indicador de preços no atacado, e o salto na comparação anual mostra que a pressão não está restrita ao varejo.
Sexta, dia 23: IPCA 15
O destaque da agenda é o IPCA 15 de outubro, às 8h. A projeção é de 0,48% no mês, com a variação em doze meses subindo de 4,47% para 4,76%. Os alimentos lideram a pressão, com o El Niño pesando sobre os in natura, e os combustíveis também contribuem. Do lado do alívio, a volta da bandeira verde na energia elétrica deve segurar o número.
O dilema do Banco Central
O pano de fundo é desconfortável. A atividade perde fôlego, com consumo e investimento desacelerando e o PIB do terceiro trimestre perto da estabilidade, ou até negativo. Ao mesmo tempo, a inflação resiste. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,9% para 5,1%, e a de 2027, de 4% para 4,3%.
Esse quadro sustenta a expectativa de uma pausa no ciclo de cortes da Selic, com a retomada em passos de 25 pontos apenas na terceira reunião de 2027. Há, porém, um viés de baixa: se o real se mantiver forte e as expectativas de inflação ficarem mais ancoradas, a flexibilização pode voltar antes.
Boa semana e bons negócios.
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos
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Conteúdos que prestam
Muito bom, Rafael Nishimura, estatístico e diretor de amostragem da Universidade de Michigan, explica os vieses dos diversos tipos de coleta de intenção de voto.
No fim, sugere que a melhor forma de analisar eleições são os agregadores mais simples.Começa no minuto 37:34










