Adam Capital abre posição em Coreia do Sul
Gestora carioca aposta no boom de semicondutores coreanos impulsionado pela inteligência artificial e vê exportações recordes como oportunidade subestimada pelo mercado
Redação Tradenews — Março de 2026
A Adam Capital, gestora de recursos sediada no Rio de Janeiro, revelou em sua carta mensal de fevereiro de 2026 a abertura dennova posição comprada na bolsa da Coreia do Sul. A tese, apresentada pela equipe de gestão da casa, se sustenta no argumento de que o país asiático é o maior produtor mundial de chips de memória, peça-chave na cadeia global de inteligência artificial — e está colhendo os frutos dessa posição estratégica na forma de exportações recordes e lucros corporativos em aceleração.
A tese coreana: memória como ativo estratégico da era da IA
Segundo a Adam Capital, a Coreia do Sul tende a continuar sendo amplamente beneficiada pela onda global de investimentos em inteligência artificial, uma vez que o país domina a produção mundial de chips de memória. A avaliação da casa é de que os ganhos futuros das empresas ligadas a essa cadeia são “subestimados pelo mercado”.
Dados recentes reforçam a convicção da gestora. As exportações coreanas de semicondutores registraram expansão de 160,8% na comparação anual em fevereiro, atingindo o valor recorde de US$ 25,16 bilhões em um único mês. Foi o terceiro mês consecutivo em que as vendas externas de chips superaram a marca de US$ 20 bilhões. No total, as exportações do país alcançaram US$ 67,5 bilhões em fevereiro.
IA como motor da economia americana
A nova posição na Coreia do Sul se insere em uma visão mais ampla da Adam Capital sobre o impacto transformador da inteligência artificial na economia mundial. Na carta de fevereiro, a gestora reitera que a economia americana segue crescendo a um ritmo real de cerca de 3% na demanda doméstica, e que boa parte desse dinamismo está direta ou indiretamente ligado à expansão de atividades relacionadas à IA.
A gestora destaca que os resultados corporativos das grandes empresas de tecnologia globais continuam apresentando fundamentos sólidos do ponto de vista de investimentos e adoção de modelos e ferramentas de IA. Os principais gargalos, segundo a Adam Capital, estão do lado da oferta, enquanto a demanda por essas soluções cresce de forma exponencial.
Cautela com o Brasil: juro longo e câmbio no radar
No cenário doméstico, a Adam Capital mantém uma postura mais cautelosa. A gestora avalia que a economia brasileira deve passar por uma forte correção agravados pela sinalização do Banco Central de cortar juros em um ano eleitoral e com a economia aquecida. A inflação de serviços segue em trajetória elevada, com a taxa de desemprego nas mínimas históricas — em torno de 5%, contra os 13% vigentes nos ciclos anteriores de afrouxamento monetário de 2016 e 2019.
A casa destaca ainda o maior erro de projeção do IPCA-15 em mais de 20 anos na leitura de fevereiro: enquanto o consenso de mercado apontava para 0,56%, o indicador veio em 0,84%, uma subestimação de 28 pontos-base, puxada pela pressão em serviços. Na avaliação da gestora, o Brasil contou com uma sequência de choques favoráveis em 2025 — como a desvalorização global do dólar, a queda do petróleo e uma boa safra —, mas esses fatores são externos e não podem ser extrapolados indefinidamente.
Em função desse diagnóstico, a Adam Capital mantém posições tomadas em juros nominais longos, aplicadas em juros reais e compradas em câmbio no portfólio doméstico.
Visão de portfólio
A inclusão da Coreia do Sul complementa a tese central da Adam Capital, que segue priorizando ativos ligados à economia americana e ao ciclo de inteligência artificial.
As informações desta reportagem foram extraídas da carta mensal de fevereiro de 2026 da Adam Capital Gestão de Recursos. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.


