Apostas do BTG: as 10 ações para o novo ciclo de juros
BTG ajusta portfólio mensal priorizando empresas resilientes e com geração de caixa sólida, em meio à desaceleração do ciclo de cortes de juros
O mercado de ações brasileiro se prepara para um novo ciclo de alta impulsionado por uma dinâmica macroeconômica favorável. O principal vetor para a performance das ações nos próximos meses é a combinação da queda das taxas de juros nos Estados Unidos (já iniciada) com o ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, que o BTG Pactual projeta para começar em janeiro.
O impacto positivo da queda da taxa Selic no Brasil sobre os lucros das empresas e a atividade econômica deve sustentar as ações locais. Com este cenário em mente, o BTG Pactual realizou ajustes na sua carteira mensal de 10 ideias de ações para o mês (10SIM) de novembro, adicionando risco e realocando em utilities.
As principais mudanças e a carteira completa
A principal mudança na carteira foi a substituição da distribuidora de combustíveis Vibra [VBBR3] pela construtora de baixa renda Direcional [DIRR3], adicionando um pouco mais de risco ao portfólio.
A tese para a Direcional baseia-se no forte momento de lucros e na expectativa de que a empresa anuncie dividendos extraordinários relevantes nos próximos meses, com um potencial yield de 13%. Com a adição, a exposição a construtoras no 10SIM (Cyrela + Direcional) atinge 15%.
Outra alteração foi no setor de utilities, com o retorno da Equatorial [EQTL3], com peso de 15%, no lugar da Energisa, aumentando a exposição total do setor para 25% (Equatorial 15% + Copel 10%). A gestora manteve uma parte considerável do portfólio em ações que oferecem retornos atrativos mesmo comparadas às altas taxas de juros real de longo prazo.
As demais posições estratégicas foram mantidas, incluindo a exposição de 20% ao setor financeiro, dividida entre o Nubank (maior Beta e crescimento) e o Itaú Unibanco (mais defensivo)
A NMS Research também atualizou suas carteiras e você pode conferir todas as lâminas na Nomos+.
O catalisador dos dividendos extraordinários
A discussão de uma nova lei que elimina a isenção fiscal sobre dividendos (em vigor desde 1996) está incentivando muitas empresas a antecipar pagamentos para evitar o imposto de 10% que deve entrar em vigor.
O BTG Pactual identificou diversas companhias com potencial para anunciar grandes dividendos extraordinários nos próximos meses. Os setores de Utilities, Construção Civil (Homebuilders), TMT e Materiais Básicos se destacam como os mais fortes candidatos.
Entre os nomes com maior potencial, alguns podem oferecer rendimentos de 15% a 20%, incluindo Metalúrgica Gerdau, Unifique e Eztec. Direcional e Cyrela, já presentes na carteira, também estão nesta lista, com yields esperados de 13% e 9-10%, respectivamente.
Avaliação: o mercado brasileiro continua barato
Apesar do recente rali, as ações brasileiras permanecem baratas. O mercado está sendo negociado a 9,6x o P/E (Preço/Lucro) projetado para os próximos 12 meses (excluindo Petrobras e Vale), um desvio-padrão abaixo da média histórica de 11,9x.
No entanto, para que ocorra um rali sustentado, é necessário que as taxas de juros real de longo prazo caiam ainda mais (atualmente em torno de 7,5% no Brasil) ou que as expectativas de lucro subam. O BTG Pactual aponta que uma melhora nas contas fiscais do país é crucial para uma queda mais significativa nas taxas longas.
Em resumo, a estratégia do BTG Pactual para novembro de 2025 se concentra em capturar o ganho esperado do ciclo de juros (com utilities e financials) ao mesmo tempo em que adiciona oportunidades com alto potencial de dividendos extraordinários (como Direcional e Cyrela), sinalizando um otimismo cauteloso com o cenário à frente.




