As apostas da XP e outras para setembro
A espera terminou. Quarta-feira, o Federal Reserve cortará juros pela primeira vez em 2025, citando a desaceleração do mercado de trabalho como justificativa. O movimento acontece em circunstâncias incomuns: desde 1996, apenas em duas ocasiões (2019 e 2024) o banco central reduziu juros enquanto o S&P 500 marcava recordes.
Segundo a Carson Research, em 20 de 20 ocasiões desde 1980 em que o Fed reduziu juros com o mercado perto das máximas, o S&P 500 avançou no ano seguinte, em média 13,9%.
Ouro e Bitcoin antecipam
O rali quase linear de ouro e Bitcoin sugere que investidores já precificam a combinação de inflação alta e juros menores como combustível para valorização de ativos reais e digitais.
Veja a rentabilidade dos principais indicadores em setembro e 2025
Enquanto o mercado debate, XP e BTG Pactual divulgaram suas carteiras recomendadas para o mês, e os ajustes trazem pistas valiosas.
CARTEIRAS
Carteira XP Top Dividendos
A XP trouxe Copasa (CSMG3) para o portfólio, com uma posição de 2,5%. O racional é claro: o avanço da PEC que facilita a privatização da companhia em Minas Gerais tende a ser um catalisador positivo, capaz de aproximar os múltiplos da empresa daqueles já vistos em pares privados, com maior eficiência operacional. Por outro lado, a corretora reduziu a exposição à Cemig (CMIG4), de 10% para 7,5%, avaliando que a valorização recente diminuiu a atratividade do papel e que a probabilidade de avanço em seu processo de privatização segue limitada.
Carteira XP Top Ações,
Três novas apostas ganharam espaço: JBS (JBSS32), Cyrela (CYRE3) e Rede D’Or (RDOR3). A XP vê na JBS uma forma estratégica de dolarizar a carteira, enquanto Cyrela deve continuar sendo beneficiada pelo fechamento da curva de juros. No caso da Rede D’Or, o movimento reflete o momento positivo do setor de saúde, impulsionado pela retomada dos hospitais e pelos bons resultados das operações da SulAmérica. Além disso, o Itaú (ITUB4) ganhou mais peso, passando de 10% para 12,5%, depois de entregar um segundo trimestre consistente. Em contrapartida, Suzano (SUZB3) e Lojas Renner (LREN3) deixaram a carteira, enquanto Copel (CPLE6) e Eletrobras (ELET3) tiveram participações reduzidas após forte valorização nos últimos meses.
Carteira XP Top Small Caps
A XP abriu espaço para Vulcabras (VULC3) e Yduqs (YDUQ3). A primeira, pelo posicionamento no setor de wellness, e a segunda, pelo ciclo positivo de matrículas e pela força dos cursos premium dentro do novo marco regulatório. Marfrig (BEEF3) e Marcopolo (POMO4) também ganharam mais peso, reforçando a aposta em setores ligados a agro e transporte. Para abrir espaço, saíram Ânima (ANIM3) e PetroRecôncavo (RECV3), além da redução em C&A (CEAB3). O resultado foi positivo: em agosto, a carteira de small caps da XP rendeu 9,7%, bem acima dos 6,3% do Ibovespa.
Além disso, o índice de Small Caps apareceu no topo da lista de rentabilidade no ano, vencendo até mesmo o ouro, que mostrou um salto e quebra de recordes recentemente, e entre os três primeiros no mês de setembro.
BTG Pactual 10SIM
O BTG Pactual manteve a estratégia geral do mês anterior, mas promoveu ajustes pontuais diante de um cenário considerado mais benigno para a Bolsa. A visão do banco é de que o ciclo de afrouxamento monetário pode começar antes do esperado, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
A principal mudança foi a substituição de Sabesp, que já havia subido 13% em agosto, por Energisa (ENGI11), com potencial de retorno real acima de 11%. No setor de real estate, Multiplan deu lugar a Cyrela (CYRE3), vista como um nome de maior beta e com boas perspectivas de resultados no segundo semestre. Outro ajuste importante foi a troca de PRIO por Embraer (EMBR3). Embora o BTG siga confiante no longo prazo da petroleira, o banco entende que a Embraer vive um momento mais favorável de lucros e ainda negocia com desconto em relação a pares globais da aviação.
As demais posições foram mantidas, incluindo os bancos Itaú e Nubank, Rede D’Or no setor de saúde, Smartfit no segmento de academias, a distribuidora de combustíveis Vibra, além de Equatorial e Motiva, que reforçam a exposição às utilities.
Para o BTG, esses nomes oferecem uma combinação de fluxo de caixa robusto e crescimento, equilibrando a carteira em meio a um cenário internacional mais incerto.
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