Bank of America tem um alerta para investidores em prata
Banco vê potencial de forte valorização, chegando a US$ 309, com ajuste na relação ouro/prata e déficit global de oferta do metal
O Bank of America (BofA) apresentou uma das projeções mais audaciosas para o mercado de commodities, estimando que o preço da prata pode oscilar entre US$ 135 e US$ 309 por onça até o fim de 2026. O cenário baseia-se em um descolamento das previsões conservadoras de Wall Street, fundamentado na correção da relação histórica entre ouro e prata e no déficit estrutural do metal.
A relação ouro-prata como gatilho de valorização
Atualmente, a relação entre os dois metais está próxima de 59 para 1. Segundo Michael Widmer, chefe de metais do BofA, uma volta a patamares históricos exigiria uma forte reprecificação:
Cenário de US$ 135: Ocorre se a relação recuar para 32:1 (nível de 2011), com o ouro próximo de US$ 5.000.
Cenário de US$ 309: Um horizonte extremo onde a relação atinge 14:1, repetindo o padrão registrado em 1980 durante o episódio dos irmãos Hunt.
Apesar do teto otimista, o banco ressalta que a prata tende a superar o desempenho do ouro em 2026, mesmo que não atinja os valores máximos projetados.
Déficit de oferta e demanda industrial em transformação
O mercado físico atua como uma mola propulsora para os preços. O Silver Institute prevê o sexto ano consecutivo de déficit global em 2026.
Fatores de pressão no mercado:
Escassez na produção: Queda no teor de minério e ausência de novos projetos estruturais.
Novos motores de demanda: Embora o setor solar tenda a reduzir o uso do metal, a demanda será sustentada por Data Centers, Infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) e a indústria automotiva.
Estoques em queda: Registros em Londres mostram retração, com taxas de aluguel da prata atingindo 39% em 2025, sinalizando um possível aperto de liquidez.
Volatilidade e consenso de Wall Street
O histórico recente da prata confirma sua natureza volátil. Em janeiro de 2026, o metal atingiu US$ 121,67 antes de sofrer uma correção de 36%, recuando para a faixa dos US$ 81.
Enquanto o Bank of America trabalha com hipóteses de estresse, o consenso geral de Wall Street permanece moderado, com estimativas variando entre US$ 79 e US$ 90. Para que o cenário do BofA se concretize, será necessária a convergência de quatro fatores: ouro em alta, oferta limitada, demanda industrial resiliente e forte entrada de fluxos via ETFs e contratos futuros.


