BOFA: Brasil é o novo ouro dos mercados globais
Relatório do Bank of America aponta que investidores estrangeiros seguem confortáveis com exposição a ativos brasileiros.
David Beker e Natacha Perez, estrategistas do BofA para a região, passaram os últimos dias visitando clientes em Nova York antes das reuniões do FMI em Washington. O tom das conversas foi claro: há apetite por Brasil.
Segundo o relatório, publicado em 14 de abril, investidores mantêm posições em ações e no real com convicção. Nos juros locais, os rendimentos são vistos como atrativos, mas o aumento nas projeções de inflação, agravado pelos impactos da guerra, dificulta uma aceleração no ritmo de cortes pelo Banco Central.
O pano de fundo global reforça a tese. Quatro fatores sustentam o interesse pela região: alocação historicamente baixa em ativos latino americanos, o papel de fornecedor global de commodities, o enfraquecimento do dólar e uma percepção de transição política para a direita no continente, com Argentina e Chile já nesse caminho e expectativa semelhante para Colômbia, Peru e Brasil.
O desempenho dos ativos brasileiros surpreende. Ações e câmbio seguem em alta puxados pelo fluxo estrangeiro, e a percepção é de que há espaço para mais. Fundos locais, por outro lado, tiveram um dos piores meses da história em março, penalizados pela liquidação nos juros.
Essa mesma liquidação, porém, criou uma assimetria relevante nas taxas nominais e reais. Tanto num cenário de desfecho eleitoral positivo quanto de desescalada do conflito global, o prêmio nos juros pode se comprimir. O BofA revisou sua projeção de IPCA para o ano de 4% para 5%, com riscos de alta.
Entre os fatores de atenção, o relatório destaca dois.Uma reversão na trajetória do dólar, que pressionaria inflação e limitaria cortes de juros, e a política fiscal, especialmente com as eleições de outubro no radar e a popularidade do governo em queda.


