BofA eleva alerta para inflação no Brasil e aponta riscos persistentes apesar de alívio no IPCA-15
Relatório destaca que política de combustíveis, bandeira tarifária e efeitos do El Niño mantêm pressão sobre os preços e sustentam projeção de 5,5% para o fechamento de 2026.
O Bank of America (BofA) elevou o sinal de alerta para a trajetória da inflação no Brasil, apontando que, embora o IPCA-15 de abril tenha apresentado um resultado abaixo do esperado, os riscos de alta permanecem acentuados para 2026 e 2027.
O relatório semanal divulgado nesta quarta-feira destaca que a surpresa positiva no índice oficial foi sustentada por quedas pontuais em passagens aéreas e aluguéis, o que mascara uma deterioração nos núcleos de inflação e um aumento desconfortável no índice de difusão.
Diante desse cenário de pressões subjacentes persistentes, a instituição manteve sua projeção para o IPCA em 5,5% ao final de 2026 e 4,68% em 12 meses, termiando em março de 2027.

O monitoramento ressalta que a política de combustíveis e o setor de energia voltaram ao centro das atenções como os principais vetores de volatilidade. O governo busca aprovar no Congresso um projeto de lei que permite cortes temporários em impostos sobre combustíveis para mitigar eventuais reajustes da Petrobras, mas os analistas do banco avaliam que tal medida deve apenas compensar, e não eliminar, o impacto dos preços mais altos ao consumidor.
Somado a isso, a confirmação da bandeira tarifária amarela para o mês de maio e o agravamento dos riscos climáticos causados pelo El Niño trazem preocupações adicionais sobre o custo da energia e dos alimentos, com reflexos que podem se estender até o início de 2027.
No mercado financeiro, a percepção de risco é evidenciada pela ampliação da distância entre as projeções do Boletim Focus e as taxas implícitas de inflação, que subiram para 5,54% na última semana.
Esse hiato crescente sugere que os investidores estão incorporando um prêmio de risco considerável, refletindo a incerteza sobre o cumprimento das metas. Para o Banco Central, o relatório indica um horizonte de política monetária mais rígido, com o BofA elevando sua estimativa de inflação no período relevante do Copom de 3,3% para 3,5%, mesmo em um contexto de maior apreciação do real.


