BofA reduz projeções para JBS mas mantém como principal escolha
Banco corta estimativas de EBITDA e preço-alvo após revisão nas margens da Pilgrim’s Pride, mas reforça que JBS segue como Top Pick em alimentos na América Latina
O Bank of America (BofA) revisou para baixo suas estimativas para a JBS, reduzindo o EBITDA projetado para 2026 em 3%, para US$ 6,1 bilhões (IFRS), e o preço-alvo das ações de US$ 21 para US$ 20 (JBSS32 de R$ 115 para R$ 110). O corte reflete margens mais baixas na Pilgrim’s Pride (PPC) e ajustes cambiais. Ainda assim, o banco reiterou recomendação de compra e classificou a companhia como Top Pick no setor de alimentos da América Latina.
Pressão nas margens de frango nos Estados Unidos
Segundo o relatório, a revisão foi impulsionada pela queda dos preços do frango nos Estados Unidos, especialmente da carne de peito jumbo desossada, que representa cerca de 30% do negócio da PPC no país. O EBITDA estimado da Pilgrim’s Pride para 2026 foi cortado em 13,4%, diante de uma oferta maior e normalização dos preços após o impacto dos furacões de 2024.
A equipe de staples dos EUA do BofA observou que a rentabilidade dos canais de commodities caiu mais rapidamente neste segundo semestre, mas que a demanda por frango segue robusta, sustentada pelo aumento da presença da proteína nos cardápios de redes de fast food.
Seara e câmbio também pesam nas revisões
O BofA também reduziu suas previsões de lucro por ação (EPS) para a JBS em 9% para 2025 e 8% para 2026, citando margens mais fracas de curto prazo na Seara, já que o mercado chinês segue fechado ao frango brasileiro.
As premissas cambiais foram atualizadas para R$ 5,40 por dólar no fim de 2025 (ante R$ 5,50) e R$ 5,50 no fim de 2026 (ante R$ 5,75). Mesmo após os ajustes, o banco manteve um múltiplo-alvo de 6,5x EV/EBITDA para 2026 - um re-rating em relação aos níveis atuais e desconto de 17% em relação à Tyson Foods.
Valuation atrativo e dividend yield elevado
Apesar do corte nas projeções, o BofA considera que a reação negativa do mercado foi exagerada. As ações da JBS acumularam queda de 19% no último mês, principalmente após as revisões da PPC e a ausência de catalisadores de curto prazo.
O banco projeta que o EBITDA da JBS fique estável em 2026, com desempenho mais fraco no boi dos EUA e normalização gradual das margens na PPC e na Seara, compensados pela resiliência das operações no Brasil, Austrália e suínos nos EUA.
A avaliação continua atrativa, segundo o BofA: a JBS negocia a 5,8x EV/EBITDA (US GAAP), frente a 7,7x da Tyson, e oferece um dividend yield de 7,6% - um dos mais altos do setor.

