Bolha Inversa nos EUA
Nos EUA quem sobe rápido não é o preço da ação, é o lucro da empresa.
Bolha Inversa nos EUA
Nos EUA quem sobe rápido não é o preço da ação, é o lucro da empresa.
Numa bolha clássica o preço sobe e o lucro fica para trás. O investidor paga cada vez mais caro pela mesma fatia de lucro, apostando que o resto da história se resolve depois. Em 2026 o roteiro foi o inverso. O lucro do S&P 500 deve crescer 24% no ano, e o preço das ações não acompanhou na mesma proporção. O mercado não está pagando mais caro que o normal, está pagando menos do que no passado por um lucro que cresceu de verdade.
O S&P 500 subiu 22% em 2026 e bateu recorde em agosto. Mas o motor por trás do rali mudou de perfil. O índice de preço sobre lucro projetado caiu de 22,1 para 20 vezes no mesmo período, segundo a Bloomberg. Os lucros cresceram mais rápido que as cotações, não o contrário. Na temporada do segundo trimestre de 2026, 86% das empresas do S&P 500 superaram as estimativas dos analistas, contra média histórica de 78%, e o crescimento agregado de lucros chegou a 50,4% frente ao ano anterior.
Essa força deixou de estar concentrada nas Sete Magníficas. Setores tradicionais também puxaram o resultado. A Caterpillar reportou receita recorde de US$ 20,54 bilhões no segundo trimestre, avanço de 65% sobre o ano anterior. O CEO Joe Creed atribuiu o salto à demanda por geradores que vende e que são usados em data centers. É uma fabricante de máquinas pesadas surfando a inteligência artificial, sem vender um único chip.
O setor de energia deve registrar o dobro do crescimento na comparação anual neste trimestre, segundo o BofA, puxado pela alta dos preços da commodity em meio às tensões no Oriente Médio. Aeroespacial e defesa também aparecem entre os destaques do banco. A Honeywell, que fabrica componentes para aeronaves, superou estimativas logo no primeiro balanço depois da cisão da companhia.
No setor farmacêutico, a Eli Lilly reportou receita de US$ 23 bilhões no segundo trimestre, alta de 48%, puxada pelo Mounjaro. A empresa elevou o guidance anual e voltou a citar o retatrutide, próximo remédio da linha GLP-1, como aposta para os próximos anos. A demanda por tratamentos de obesidade segue sendo um dos poucos temas que sustentam crescimento de dois dígitos fora do universo da IA.
Os números mostram um mercado apoiado em fundamentos e espalhado entre setores. Máquinas pesadas, energia, farmacêuticas, varejo ligado a evento esportivo. O rali de 2026 não depende só de um punhado de gigantes de tecnologia.
Inclusive, as mag7 têm performance morna no ano, algo difícil de imaginar com o índice registrando novas máximas.


