Contexto Eleitoral e de Mercado
Nos últimos dias, pesquisas eleitorais foram divulgadas e mostraram um empate técnico entre Lula e Flavio Bolsonaro em um eventual 2º turno. De certa forma, isso surpreendeu o mercado, que não esperava que o jogo estivesse empatado. Como resultado, a Bolsa subiu 12% em 11 pregões, o dólar foi na direção dos R$ 5,00 e os juros futuros viram suas taxas recuarem bem.
Sendo imparcial e analisando somente os movimentos nos juros, câmbio e Bolsa, o mercado tem apreciado o avanço da oposição no pleito eleitoral por entender que Bolsonaro pode montar uma equipe econômica mais comprometida com o equilíbrio das contas públicas, o que possibilitaria que as taxas de juros caiam e o real se fortaleça.
Porém, sabemos que Lula tem a máquina pública a seu favor e força política para ganhar as eleições. Assim, como investidores, temos que considerar o momento como um grande 50/50 e devemos continuar posicionados em Bolsa seja qual for o vencedor.
Nesse sentido, decidimos escolher as ações que podem performar melhor com uma vitória do Bolsonaro, assim como aquelas empresas que podem se valorizar caso Lula seja o vencedor no final de outubro. Nossa escolha se baseia no que achamos que pode acontecer com variáveis como juros, câmbio, governança corporativa e outros temas relacionados a algumas empresas.
A seguir, as 5 ações escolhidas para cada cenário de vencedor.
Cenário 1 — Lula Vencendo
Entendemos que, caso Lula avance para o seu quarto mandato, em um primeiro momento o dólar deve se valorizar frente ao real e as taxas de juros futuras devem abrir com a expectativa de mais gastos e desequilíbrio nas contas públicas. Assim, selecionamos empresas exportadoras que se beneficiam de um dólar mais valorizado, assim como companhias mais defensivas cujo modelo de negócio não dependa tanto do crescimento da atividade econômica.
Suzano (SUZB3)
A Suzano é a maior produtora mundial de celulose de mercado, com operações verticalizadas em florestas próprias, forte diversificação para tissue (via JV com Kimberly-Clark) e escala industrial recém-ampliada pelo Projeto Cerrado. Suas vantagens competitivas incluem baixo custo caixa de produção, floresta própria de alta produtividade e disciplina de capital pós-ciclo pesado de investimentos, com meta de alavancagem abaixo de 2,5x até 2027-2028. A ação negocia a um P/L projetado de 7,0x para 2026, podendo subir para a faixa de 8x-9x em 2027 caso os preços da celulose sigam pressionados no curto prazo, ainda descontado frente à média histórica do setor.
PREÇO-ALVO
R$ 68,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +45,0%
WEG (WEGE3)
A WEG é uma das maiores fabricantes globais de motores elétricos, equipamentos de automação, transmissão e distribuição de energia (T&D) e geração de energia renovável, com forte presença internacional. Suas vantagens competitivas incluem execução histórica impecável, margens elevadas, ROIC estruturalmente alto e exposição a temas estruturais como eletrificação e T&D. Para 2026, a ação negocia a um P/L elevado de aproximadamente 29x-32x (pressionado por lucro mais fraco no curto prazo), com melhora esperada para cerca de 28x em 2027, à medida que as expansões de capacidade em T&D comecem a gerar receita, mantendo prêmio frente a pares apesar do crescimento mais lento no biênio 2026-2027.
PREÇO-ALVO
R$ 60,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +20,0%
BB Seguridade (BBSE3)
A BB Seguridade é a holding de seguros, previdência e capitalização ligada ao Banco do Brasil, distribuindo produtos por meio da maior rede bancária do país. Suas vantagens competitivas incluem modelo asset-light, dívida líquida zero e geração de caixa previsível. Para 2026, o lucro projetado entre R$ 8,7 bi e R$ 8,8 bi implica um P/L de aproximadamente 9x, com possível leve compressão para ~8,5x em 2027 conforme o resultado financeiro se normalize com a Selic em queda; dividend yield estimado entre 9,9% e 10,5%.
PREÇO-ALVO
R$ 48,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +15,0%
Caixa Seguridade (CXSE3)
A Caixa Seguridade é a holding de seguros e previdência vinculada à Caixa Econômica Federal, com distribuição exclusiva pela maior rede bancária de varejo popular do país. Suas vantagens competitivas incluem liderança em seguro habitacional (>60% de market share), modelo asset-light e ROE elevado (~38%). Para 2026, o lucro projetado entre R$ 4,6 bi e R$ 4,7 bi implica P/L de aproximadamente 12x-13x, com possível queda para ~11x-12x em 2027 dado o crescimento de lucro esperado; risco relevante é a renovação do contrato de distribuição com a Caixa (vigente até 2033).
PREÇO-ALVO
R$ 23,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +16,0%
TIM (TIMS3)
A TIM é uma das três maiores operadoras de telecomunicações do Brasil, com forte posicionamento em telefonia móvel, expansão em fibra (via recompra da I-Systems e aquisição da V.8 Tech) e disciplina de custos consistente. Suas vantagens competitivas incluem margens EBITDA acima de 50%, geração de caixa robusta, migração de clientes para o pós-pago e política de distribuição agressiva ao acionista (dividend yield entre 8% e 12%). Para 2026, a XP projeta lucro líquido de R$ 4,75 bilhões (+9,4% a/a), implicando um P/L de aproximadamente 9,3x, evoluindo para R$ 5,2 bilhões em 2027 (P/L de aproximadamente 8,6x); revisões recentes do Itaú BBA são mais conservadoras (R$ 4,3 bi em 2026 e R$ 5,1 bi em 2027), refletindo maior cautela com o aumento da concorrência (entrada da NuCel) e pressão sobre a receita de serviços móveis.
PREÇO-ALVO
R$ 25,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +33,0%
Carteira exclusiva encomendada pela NMS Research, casa de análises homologada pela XP Investimentos.
Cenário 2 — Bolsonaro Vencendo
O mercado vem entendendo que a vitória de Flavio Bolsonaro pode sinalizar a montagem de uma equipe econômica técnica e comprometida com a situação fiscal do país. Como o mercado antecipa movimentos, em um primeiro momento o real deve se fortalecer, com o dólar indo para abaixo de R$ 5,00, assim como os juros futuros devem ter suas taxas fechando em linha com a expectativa de maior equilíbrio das contas públicas e uma menor taxa Selic adiante. Assim, selecionamos empresas estatais que podem ter uma mudança relevante em sua gestão, companhias que podem ter melhora de governança corporativa, e players mais cíclicos que possam se beneficiar de juros mais baixos.
Petrobras (PETR4)
A Petrobras é uma das maiores petroleiras do mundo, com operações integradas em exploração, produção, refino e distribuição, e ativos de classe mundial no pré-sal. Suas vantagens competitivas incluem custos de extração entre os mais baixos do setor global e forte geração de caixa mesmo com Brent moderado. A companhia negocia a um P/L de aproximadamente 5x tanto para 2026 quanto para 2027, patamar historicamente descontado, sustentado por FCFE robusto (US$ 15,1 bi estimados pela XP) e dividend yield projetado acima de 10%.
PREÇO-ALVO
R$ 60,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +24,0%
Banco do Brasil (BBAS3)
O Banco do Brasil é um dos maiores bancos do país, com forte atuação em crédito rural, varejo e agronegócio, controlado pela União. Sua vantagem competitiva histórica — a robusta carteira agro — tornou-se também seu principal risco em 2026, com inadimplência elevada forçando revisão do guidance de lucro (de R$ 22-26 bi para R$ 18-22 bi). A ação negocia a um P/L de aproximadamente 6,3x-6,7x para 2026, com possível queda para ~5,5x-6x em 2027 caso a normalização do crédito rural se confirme; ROE pressionado para a faixa de 9%-10% reduz o apetite do mercado no curto prazo.
PREÇO-ALVO
R$ 30,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +35,0%
Axia Energia (AXIA3, ex-Eletrobras)
A Axia Energia é a maior companhia de energia elétrica do Brasil, resultado da privatização da Eletrobras, com forte exposição a geração hidrelétrica descontratada, transmissão e comercialização de energia em escala nacional. Suas vantagens competitivas incluem parque gerador de baixo custo, simplificação societária recente e disciplina de capital. A companhia negocia a uma TIR real projetada de cerca de 10,1% para 2026 com recomendação predominante de compra (XP, Santander, BB Investimentos).
PREÇO-ALVO
R$ 75,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +35,0%
BTG Pactual (BPAC11)
O BTG Pactual é o maior banco de investimento da América Latina, com plataforma diversificada em wealth management, corporate & investment banking, asset management e, mais recentemente, varejo digital via banco Pan. Suas vantagens competitivas incluem ROE consistentemente acima de 30%, forte cultura meritocrática e diversificação de receitas recorrentes. A ação negocia a um P/L de aproximadamente 10,9x para 2026, caindo para cerca de 9,5x em 2027, com lucro projetado entre R$ 19,8 bi e R$ 20,3 bi (2026) e R$ 22,7 bi a R$ 23,6 bi (2027), refletindo tese de crescimento sustentado, ainda que o valuation já mais exigente após forte alta recente das ações.
PREÇO-ALVO
R$ 70,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +21,0%
Cyrela (CYRE3)
A Cyrela é uma das maiores incorporadoras do Brasil, com marcas segmentadas por renda (Cyrela alto padrão, Living classe média, Vivaz baixa renda/MCMV) e presença em 66 cidades. Suas vantagens competitivas incluem escala, marca consolidada, forte geração de caixa e crescente exposição ao segmento de baixa renda. A ação negocia a um P/L de aproximadamente 5x-6x para 2026, com possível queda para ~4x-4,5x em 2027 dado o crescimento de lucro esperado, embora o lucro projetado de R$ 1,8 bi para 2026 já tenha sido revisado para baixo por alguns bancos (~7% abaixo do consenso).
PREÇO-ALVO
R$ 35,00
POTENCIAL DE VALORIZAÇÃO
≈ +37,0%
Carteira exclusiva encomendada pela NMS Research, casa de análises homologada pela XP Investimentos.



