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Brasil confirma a desaceleração e Kevin Warsh faz discurso definidor nos EUA
A semana que começa amanhã entregará duas respostas que o mercado vinha pedindo.
No Brasil, o PIB do segundo trimestre vai confirmar o que os dados de alta frequência já sugeriam. A economia perdeu força bem antes do esperado.
Nos Estados Unidos, o payroll de agosto e o discurso mais claro do presidente do Fed em Jackson Hole vão dizer se setembro terá uma nova alta de juros.
No Brasil, a desaceleração ganhará mais indicadores
Terça feira, dia 1º de setembro, o IBGE divulga o PIB do segundo trimestre. Projetamos crescimento de 2% na comparação trimestral anualizada, uma queda considerável ante os 4,5% do primeiro trimestre. O número confirma que 2026 está caminhando para fechar o segundo semestre perto de 1% de crescimento anualizado, bem abaixo do potencial.
O enredo é conhecido: dívida elevada entre famílias e empresas, uma onda de pedidos de recuperação judicial, mercado de trabalho mostrando sinais de exaustão e uma temporada ruim de balanços corporativos. O impulso fiscal que sustentou parte da atividade recente vai perder força à medida que o ciclo político avança e o espaço orçamentário fica mais apertado.
Ainda no Brasil, o IPCA 15 de agosto trouxe surpresa para baixo, com o núcleo voltando para dentro da meta na leitura trimestral anualizada. Isso reforça a leitura de que o Copom deve entregar mais um corte de 25 pontos base em setembro, levando a Selic a 13,75%. O risco ainda é a inflação de serviços, que segue rodando em nível alto, e o efeito do El Niño, que deve pressionar preços no quarto trimestre. A dúvida crescente do mercado é se, depois do corte de setembro, o Copom faz uma pausa ou mantém aberta a possibilidade de uma trajetória baixista da Selic.
EUA no discurso de Jackson Hole que derrubou cripto e ouro
Do outro lado, a semana é dominada pelos desdobramentos do discurso do presidente do Fed em Jackson Hole, na sexta feira passada. Minha leitura é que o tom foi hawkish. Ele reafirmou a meta de 2% para o PCE depois de tanto hesitar nesse ponto nas coletivas anteriores. Kevin Warsh chamou atenção para o núcleo da inflação (a fatia de componentes do PCE subindo acima de 3% ao ano, ainda bem acima do período pré crise de 2008) e classificou as condições financeiras atuais como pouco restritivas. A conclusão de que ainda há “trabalho a fazer” caso a inflação não convirja rapidamente reforça a leitura de que uma alta de juros em setembro passou a ser uma possibilidade real.
O mercado já precificou essa mudança. A probabilidade de uma alta em setembro subiu de cerca de 36% para 60% depois do discurso.
A semana traz as peças que faltavam no quebra cabeça: o relatório de emprego de sexta feira, dia 4 de setembro, deve mostrar criação de 50 mil vagas e taxa de desemprego estável em 4,1%.
Entre os relatórios de PMI e ISM de manufatura e serviços, ao longo da semana, o mercado vai testar se a força recente dos lucros corporativos (que subiram 41% na comparação trimestral anualizada no segundo trimestre, o melhor resultado em cinco anos fora recuperações pós recessivas) finalmente começa a se traduzir em contratações mais robustas.
Até agora, o vínculo entre lucro recorde e geração de emprego segue frouxo, e boa parte do crescimento de lucro veio do setor de tecnologia, que continua reduzindo o quadro de funcionários.
Síntese da semana
A síntese da semana é a divergência de trajetórias entre Brasil e EUA. O primeiro desacelerando e abrindo espaço para mais cortes de juros; os Estados Unidos, ao contrário, vendo o Fed sinalizar disposição para apertar de novo. São dois bancos centrais respondendo a pressões opostas.
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