Brasil e EUA descobrirão a inflação da guerra
Sexta-feira, ambos os países divulgam a inflação de março.
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Agenda da Semana
A semana de 6 a 10 de abril será marcada pela divulgação de dados de inflação nas principais economias, em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio e à alta do petróleo. Segundo Leandro Manzoni, economista do Investing.com, o mercado deve concentrar atenção nos indicadores ao fim da semana, enquanto monitora os desdobramentos geopolíticos e seus efeitos sobre os preços globais.
O petróleo segue acima de US$ 100 o barril após a escalada das tensões envolvendo Irã e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou a continuidade do conflito por mais algumas semanas. O impasse no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global da commodity, mantém o risco de choque de oferta e pressiona as expectativas de inflação no curto prazo.
De acordo com Manzoni, esse cenário desafia os bancos centrais, que permanecem cautelosos diante dos impactos diretos e indiretos da alta do petróleo. A divulgação dos índices de preços de março em países como Estados Unidos, China e Brasil deve oferecer os primeiros sinais mais concretos sobre a intensidade dessa pressão inflacionária.
A agenda econômica da semana começa mais esvaziada e ganha força a partir de quarta-feira, com a divulgação da ata do Federal Reserve, que pode trazer novos sinais sobre a condução dos juros nos Estados Unidos. O documento será analisado após indicações de que membros do banco central discutiram a possibilidade de alta das taxas diante do cenário inflacionário.
Na quinta-feira, os investidores acompanham dados importantes nos Estados Unidos, incluindo o PCE de fevereiro e a leitura final do PIB do quarto trimestre de 2025. Já na sexta-feira, o destaque fica para o índice de preços ao consumidor (CPI) de março, que deve refletir de forma mais clara o impacto da alta dos combustíveis na economia americana.
No Brasil, a agenda inclui o Boletim Focus na segunda-feira, a balança comercial de março na terça-feira e indicadores como o IGP-DI e o Índice de Commodities do Banco Central na quarta-feira. O mercado também observa os dados de inflação e a trajetória dos preços de serviços, considerados decisivos para as próximas decisões do Copom.
Rentabilidade das principais classes
De olho nos gráficos
Panorama do Ibovespa [IBOV]
O Ibovespa encerrou o dia em alta e atingiu a máxima semanal de 189,4 mil pontos, sustentado principalmente pelo avanço das ações da Petrobras. O movimento ocorreu após um início de sessão pressionado pelo cenário externo, com alta do petróleo e queda dos principais índices americanos. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, “o índice só volta a apresentar um movimento mais consistente de alta após essa recuperação ao longo do dia”. Ele afirma que “o rompimento das máximas recentes abre espaço para buscar os 192,7 mil pontos, com potencial de chegar entre 194 mil e 197 mil nos próximos dias”.
Netflix [NFLX34]
As ações da Netflix negociadas na B3 mostram sinal de recuperação técnica após formação de fundo arredondado. O ativo fechou a semana com estrutura positiva e pode atrair fluxo comprador acima de R$ 10,20. Borges diz que “há uma boa oportunidade de compra nesse patamar, com alvo inicial em R$ 10,60”. Ele acrescenta que “o objetivo principal fica entre R$ 11,40 e R$ 11,90, enquanto o stop deve ser observado abaixo de R$ 9,48”.
Bitcoin
O Bitcoin mantém tendência de baixa nos gráficos de curto, médio e longo prazo. A criptomoeda encontrou resistência entre US$ 74 mil e US$ 75 mil e voltou a pressionar suportes mais baixos. De acordo com Borges, “o cenário ainda é de queda, com fundos sendo formados na região de US$ 64,8 mil”. Ele avalia que “abaixo desse nível, o ativo pode buscar os US$ 60 mil e, posteriormente, a faixa entre US$ 57 mil e US$ 58 mil”, o que pode abrir espaço para novas entradas no futuro.
Petrobras [PETR4]
As ações da Petrobras registraram volatilidade ao longo do pregão, apesar da alta do petróleo no mercado internacional após declarações de Donald Trump sobre o conflito com o Irã. O papel abriu em alta, mas devolveu ganhos durante o dia. Segundo Borges, “mesmo com o petróleo subindo mais de 8%, a ação mostrou fraqueza ao longo do pregão”. Ele destaca que “o papel acumula valorização relevante no ano e pode ser momento de realizar parte dos lucros, já que nenhuma ação sobe para sempre”.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Bens de Capital - Safra
Este relatório mensal analisa o desempenho do setor de bens de capital, destacando uma leitura positiva para a Embraer após dados preliminares de entregas superarem a média histórica no primeiro trimestre. O Safra também atualiza as projeções para empresas como WEG, Marcopolo e Randon, monitorando custos de insumos e o cenário do agronegócio.
A análise detalha preços-alvo e recomendações para o universo de cobertura, observando como a dinâmica de exportações e a demanda interna impactam as avaliações das companhias. O acompanhamento inclui indicadores de produção de veículos e logística, fundamentais para a tese de investimento no setor.
Raio-XP
A estratégia de ações para abril destaca a resiliência do mercado brasileiro frente à volatilidade global causada pelo conflito no Irã e a disparada dos preços do petróleo. A XP mantém o valor justo do Ibovespa em 196 mil pontos para o final de 2026, sustentada por valuations atrativos e pela continuidade do fluxo de capital estrangeiro, que já supera R$ 50 bilhões no ano.
O relatório também traz mudanças nas carteiras recomendadas, incluindo o Nubank (NU) no portfólio “Top Ações” e atualizações nas seleções de Small Caps e ESG. O cenário macroeconômico é monitorado quanto aos riscos inflacionários que podem alterar o ciclo de queda de juros do Banco Central.
Setor Bancário - BB Investimentos
O relatório setorial aponta para uma desaceleração gradual no crescimento do crédito no Brasil, acompanhada por um aumento nos spreads bancários e na inadimplência, que atingiu 4,3% em fevereiro. A análise ressalta que o setor enfrenta um ambiente de maior risco, especialmente no varejo, refletindo o esforço das instituições em preservar margens.
As ações de bancos sofreram pressão em março devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio. O BB Investimentos monitora como a assimetria entre o crédito para pessoas físicas e jurídicas dita o ritmo do ciclo atual, com destaque para a resiliência do consignado e financiamento de veículos.
BTG Pactual [BPAC11] - Safra
O Safra detalha o potencial de crescimento do BTG Pactual no varejo financeiro, impulsionado pela consolidação do Banco Pan e pela atuação em empréstimos consignados via FIDCs. A estimativa é que essa frente de negócios contribua com R$ 1,1 bilhão para o resultado de 2026, explorando a alta rentabilidade e a escala do crédito ao consumidor.
As projeções de lucro líquido ajustado para 2026 e 2027 foram revisadas para cima, alcançando R$ 20,3 bilhões e R$ 23,6 bilhões, respectivamente. O relatório enfatiza que o mercado pode estar subestimando o impacto dessa transição para uma plataforma de serviços financeiros mais diversificada.
Eneva [ENEV3] - BTG Pactual
Este relatório eleva o preço-alvo da Eneva para R$ 31 por ação, motivado pelo desempenho da companhia no Leilão de Capacidade, onde garantiu 3,5 GW em novos projetos. O sucesso no leilão superou as expectativas do mercado e fortaleceu a estabilidade do fluxo de caixa futuro da empresa.
A atualização do modelo incorpora também os resultados financeiros mais recentes e novas projeções macroeconômicas. O BTG destaca que a execução estratégica melhora a visibilidade de receitas e consolida a tese de crescimento sustentável no setor de energia.
Estratégia Brasil: resultados 4T25 - BTG Pactual
A análise consolidada do quarto trimestre de 2025 mostra que as empresas brasileiras apresentaram resultados resilientes, com receita e EBITDA ligeiramente acima das estimativas. Excluindo impactos pontuais da Braskem, o lucro líquido agregado das companhias domésticas ficou praticamente em linha com o esperado.
O relatório observa que os setores voltados ao mercado interno mostraram expansão anual, enquanto as commodities foram o principal fator de desvio nas projeções. A leitura sugere que os fundamentos operacionais das empresas listadas permanecem sólidos.
Bemobi [BMOB3] - XP
A XP reitera a recomendação de compra para a Bemobi, com novo preço-alvo de R$ 31 por ação, refletindo o otimismo após reuniões com a diretoria da companhia. O foco central é a transição bem-sucedida para um modelo de negócios baseado em Pagamentos e SaaS, que já representa cerca de 60% da receita.
Com potencial de valorização de 23%, a análise destaca que a empresa negocia a múltiplos atrativos e possui diversas avenidas para crescimento. A integração de novas operações deve suportar a alavancagem operacional e a geração de caixa sustentável ao longo do tempo.
MÍDIAS DA SEMANA
Fluxo estrangeiro na B3 positivo em março a despeito da guerra
Fenômeno recente brasileiro em que a renda sobe e o consumo não acompanha. Explicação —> pagamento de juros.
ETFs dos índices de bolsa global em março. Quem está em primeiro?
Os Small Caps Negligenciados do Brasil Estão Começando a Parecer Baratos - Bloomberg
Uma das melhores análises sobre o debate IA/Software. De alguém que realmente trabalha com software, a partir do case da ServiceNow
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MEMOLOGY
O Paradoxo de Minsky, muito aplicado ao mercado financeiro e a economia.

























