Brasil não aproveitou o pregão de ontem
Ativos de risco no mundo andaram com o acordo de Ormuz mais perto, e o Brasil abriu bem, virou à tarde e fechou com o real como pior moeda do dia.
ONTEM (4 de agosto)
S&P 500 subiu 1,8% e renovou a máxima histórica, a primeira em dois meses; o Dow fechou acima de 54.000 pontos pela primeira vez. O Brent desabou 5,9%, a US$ 78,8, depois de o secretário do Tesouro falar em acordo pra reabrir Ormuz “hoje ou amanhã”.
O Ibovespa fechou em queda de 0,06%, aos 177.895 pontos, e o dólar subiu 0,87%, a R$ 5,13, com o real como pior moeda do dia entre as 33 mais líquidas. À noite, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
SpaceX reportou receita de US$ 7,8 bilhões, acima do esperado, mas capex de US$ 18,4 bilhões no trimestre. Itaú lucrou R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8%, em linha com o consenso.
HOJE / MADRUGADA (5 de agosto)
SpaceX cai 11% no pré-mercado e AMD recua 9% depois de Musk dizer que só comprará chips da Nvidia. Ásia forte: Nikkei +3,7% e Kospi +3,8%; futuros de NY em leve alta.
Axios reporta que EUA, Irã e Omã preparam anúncio de trégua de 60 dias em Ormuz, possivelmente ainda hoje; Brent devolve parte da queda, a US$ 80,7.
Quaest mostra Lula 44 x 39 no segundo turno, vantagem caindo de 8 pra 5 pontos; Meio Ideia traz 48,5 x 43. Copom anuncia a Selic a partir das 18h30.
Mercado reagiu bem à fala do Bessent, conforme eu trouxe ontem. O Brent desabou quase 6% e o S&P renovou a máxima histórica depois de dois meses. Hoje a Axios reporta uma trégua de 60 dias que pode ser anunciada ainda hoje, sem pedágio iraniano. Trump diz que conversas com o Irã estão “indo muito bem” e que reabertura é iminente, mas reitera resposta militar se fracassarem. Irã considera permitir que europeus removam minas do estreito, mas insiste em controlar o tráfego e cobrar taxas: ponto de atrito com os EUA. Ou seja, ainda não resolveu 100%, mas espero que resolva logo, assim como o mercado.
O Brasil até tentou. Com o alívio em Ormuz, o Ibovespa chegou a 180,6 mil pontos na máxima do dia, mas devolveu tudo à tarde e fechou aos 177.895, em queda de 0,06%, enquanto o Dow cravava os 54 mil pela primeira vez. O dólar subiu 0,9%, a R$ 5,13, e o real foi a pior moeda do dia entre as mais líquidas, movimento que o fechamento da XP atribui à saída de estrangeiros e ao rumor, confirmado depois do fechamento, de sanção diplomática: os EUA revogaram o visto da embaixadora Viotti.
Sobre o Copom, um ajuste de expectativa: a decisão só sai depois do pregão, a partir das 18h30, e o corte pra 14% já está no preço. Como sempre, o que importa é o comunicado, em especial o que ele diz ou deixa de dizer sobre setembro, mas o mercado só reage a isso amanhã. O pregão de hoje fica com o vice do Flávio no último dia das convenções, o ADP americano esquentando pro payroll de sexta e o Bradesco reportando após o fechamento. E amanhã vence o lockup da SpaceX, liberando cerca de US$ 100 bilhões em ações um dia depois de o capex assustar o mercado. Lá fora se negocia o fim de uma guerra; aqui, a gente ainda negocia visto.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Brasil não aproveitou o pregão de ontem
📅 5 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ Acordo de Ormuz na reta final: Bessent falou em “hoje ou amanhã” e a Axios reporta trégua de 60 dias podendo sair hoje. Brent caiu 5,9% ontem, a US$ 78,8, e devolve parte agora, a US$ 80,7.
📈 S&P +1,8% na máxima histórica e Dow acima de 54 mil pela 1ª vez. No after, SpaceX e AMD reportaram: receita forte nas duas, mas capex de US$ 18,4 bi derruba SpaceX 11% no pré, e AMD cai 9% após Musk dizer que só compra chip da Nvidia.
🇧🇷 Dólar +0,9% a R$ 5,13, real pior moeda do dia, Ibovespa parado. À noite, EUA revogaram o visto da embaixadora Viotti; governo fala em interferência eleitoral.
🏦 Copom deve cortar pra 14% hoje, dúvida é o tom sobre setembro. Nos EUA, ADP esquenta pro payroll de sexta.
🗳️ Quaest: Lula 44 x 39, vantagem cai de 8 pra 5. Meio Ideia: 48,5 x 43. Flávio deve anunciar o vice hoje.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica / Irã e Ormuz
Acordo interino de 60 dias pra reabrir Ormuz pode ser anunciado hoje; EUA, Irã e Omã preparam anúncio (Bloomberg, Axios via Bloomberg, BTG, XP)
Bessent disse que acordo poderia sair “hoje ou amanhã”; Catar afirma que rascunho circula entre as partes (Bloomberg, WSJ, XP Fechamento, Valor via XP)
Trump diz que conversas com o Irã estão “indo muito bem” e que reabertura é iminente, mas reitera resposta militar se fracassarem (Bloomberg, BTG, AP via BTG)
Irã considera permitir que europeus removam minas do estreito, mas insiste em controlar o tráfego e cobrar taxas: ponto de atrito com os EUA (Bloomberg, WSJ, John Authers)
Navio atacado no estreito durante as negociações; Houthis fazem nova ameaça a embarcações (WSJ, Bloomberg)
Arábia Saudita tenta conter conflito com os Houthis via diplomacia com mediação de Omã (Bloomberg)
Tese de “Munique 1938 / oil in our time”: mercado compra a redução de incerteza mesmo com Irã monetizando o estreito (John Authers/Bloomberg)
Análise WSJ: Irã fez do controle de Ormuz sua linha vermelha inegociável (WSJ)
Guerra Rússia-Ucrânia
Ataque russo pesado com mísseis e drones mata ao menos 17 em Kiev; nenhum dos 28 mísseis foi interceptado, sinal de exaustão da defesa aérea ucraniana (Bloomberg, WSJ, BTG)
Ex-autoridades de Reino Unido, França, Alemanha e Rússia se reuniram em Viena pra explorar condições de negociação de paz (Bloomberg)
Rússia intensifica recrutamento forçado nas ruas; segunda mobilização pode vir após eleições de setembro (the news, WSJ)
Brasil × EUA / diplomacia
EUA revogam visto da embaixadora Maria Luiza Viotti; medida retaliatória pela demora do Brasil em aprovar o indicado Danny Perez (FT, Folha, Estadão, O Globo, Bloomberg, Reuters via BTG)
Governo Lula acusa gestão Trump de interferência eleitoral e fala em “escalada deliberada de hostilidades” e “chantagem” (Estadão, Folha)
Itamaraty rebaixa relação com a Argentina após Milei renovar ataques a Lula (Folha, Bloomberg)
Ministro da Defesa Múcio: solução pra hipotética invasão americana seria “abrir o portão” (Estadão)
Brasil: mercados
Ibovespa fechou estável (-0,06%) a 177.895 pontos, na contramão do rali global; chegou a 180,6 mil na máxima e devolveu tudo à tarde (BTG, XP Fechamento)
Dólar subiu 0,87% a R$ 5,13; real foi a pior entre as 33 moedas mais líquidas, pressionado por saída de estrangeiros e rumor (depois confirmado) de sanção diplomática dos EUA (BTG, XP Fechamento)
Juros operaram em leve alta mesmo com atividade fraca (XP Fechamento)
PIM de junho caiu mais que o esperado, segunda queda consecutiva (XP, Bruno Paolinelli, BTG)
Produção de petróleo no Brasil atinge recorde puxada pela Petrobras (Bruno Paolinelli)
IFI aponta risco de estouro de R$ 288 bi na Regra de Ouro em 2026 (Empiricus, Bruno Paolinelli)
Recuperações judiciais crescem entre pequenas empresas com juros altos; no agro, +66% em um ano (Bruno Paolinelli, Globo Rural via XP)
Gávea, de Armínio Fraga, encerra gestão de multimercados (Bruno Paolinelli)
Itaú, Gerdau, PRIO e outras reportaram ontem; resultados seguem na semana (BTG, XP)
Copom
Decisão hoje a partir das 18h30; corte de 0,25 pp pra 14,00% é consenso: 100% dos 68 institucionais da sondagem XP esperam o corte (XP, BTG, Estadão, Folha, O Globo)
Dúvida está na comunicação sobre setembro: 75% esperam mais um corte de 25 bps na próxima reunião (XP)
Fiscal é visto como obstáculo pra continuidade do ciclo; expectativas de inflação seguem acima da meta (Folha, Empiricus, Fábio Alves/Estadão)
Sondagem XP: impacto potencial do El Niño no IPCA 2027 estimado em 55 bps; fim da escala 6x1, 30 bps (XP)
Eleições 2026
Quaest: Lula 44 x 39 no 2º turno, vantagem cai de 8 pra 5 pp; aprovação estável (48% x 47%); 1º turno Lula 39 x 30 (Quaest via XP)
Meio Ideia: Lula 48,5 x 43 no 2º turno; 43 x 35 no 1º; rejeições tecnicamente empatadas (48% Flávio x 47,4% Lula) (Meio Ideia/Folha)
Flávio anuncia vice hoje, último dia das convenções; nomes cotados: Rogério Marinho, Michelle, Priscila Costa, Marcos Pontes (XP Política, Metrópoles via XP, O Globo)
Republicanos, Podemos e União Brasil oficializam neutralidade; Flávio caminha pra chapa pura, primeiro candidato acima de 30% sem partido aliado desde 1989, com mais de 1 minuto a menos de TV que Lula (the news, Estadão, Folha, O Globo, XP)
Daniella Marques inviabilizada como vice, segue como conselheira da campanha (O Globo via XP)
Lula quer Haddad e Alckmin nas propostas econômicas; cresce no PT a pressão por sinalização de ajuste fiscal na campanha após dados da dívida (CNN via XP, Folha)
Dino autoriza 3º inquérito da PF sobre Lulinha; Lula mantém Marcola na campanha após empréstimo de R$ 249 mil com Roberta Luchsinger (Estadão, Folha)
PF mira senador Weverton Rocha e advogado Willer Tomaz em nova fase do caso INSS (Estadão, Folha)
Zema anuncia Eduardo Girão (Novo) como vice; Cleitinho recua e volta a pedir candidatura em MG (Folha, G1 via XP)
Mercados globais / earnings
S&P 500 +1,8% na máxima histórica, primeira em dois meses; Dow +1,7%, acima de 54 mil pela 1ª vez; Nasdaq +2,6% (Bloomberg, WSJ, NYT, John Authers)
Rali de US$ 3,5 tri no Nasdaq 100 em quatro dias, maior desde abril de 2025 (Bloomberg)
SpaceX: receita de US$ 7,8 bi bateu consenso (US$ 6,81 bi), mas capex de US$ 18,4 bi no trimestre (vs US$ 2,8 bi um ano antes) assustou; ação -11% no pré; Musk prometeu US$ 1 tri de receita até 2029 (WSJ, Bloomberg, Barron’s)
Musk anuncia que SpaceX usará exclusivamente chips da Nvidia; AMD cai ~9% mesmo com receita recorde de US$ 11,5 bi (+50%) (Barron’s, WSJ, Bloomberg)
Palantir +29% ontem com demanda “otherworldly”; Caterpillar +6% com boom de data centers; Arista +13% (WSJ, Barron’s, Bloomberg)
Citadel: flagship subiu 5,9% em julho após comprar a carteira descontada do Situational Awareness (Bloomberg); WSJ detalha quem se queimou no fundo (WSJ)
Ásia forte nesta manhã: Nikkei +3,7%, Kospi +3,8% (BTG)
Hoje reportam Disney, Eli Lilly, Uber, CVS; ADP e ISM de serviços nos EUA; payroll sexta (WSJ, XP, BTG)
Câmbio / iene
Bessent adota “playbook de hedge fund” na defesa do iene: mostrou de propósito bloco de notas com compra de US$ 10 bi (Bloomberg, WSJ)
Análise FT/Eichengreen: intervenção revela que o status do dólar como reserva não é mais o que era (FT)
Japão aprova corte temporário do imposto sobre alimentos por dois anos (Bloomberg)
IA / tech
Modelos de OpenAI e Anthropic executaram ações “não sancionadas” em testes de segurança no Reino Unido: hackearam site e tentaram injetar código malicioso (Bloomberg, WSJ, NYT)
Casa Branca isenta modelos abertos chineses dos testes do novo framework de segurança (Bloomberg, WSJ)
FCC prepara banimento de componentes chineses de data centers; China retalia com controle de exportação de drones (Bloomberg, Reuters via Bloomberg)
Alibaba lança Qwen3.8-Max e amplia ofensiva contra os labs americanos (Bloomberg, Bruno Paolinelli)
Anthropic fecha acordo de US$ 10 bi em computação com a Volta Infra (Bloomberg)
Goldman: investimento em IA de ~US$ 1 tri global em 2026, chegando a 2,8% do PIB americano em 2028 (Bloomberg Economics)
Clima / commodities
El Niño a caminho de ser o mais forte em 76 anos; risco pra alimentos e energia em emergentes, e nas estimativas do próprio Copom (Bloomberg, XP, Estadão)
Reno no nível mais baixo em quase 150 anos; Danúbio em mínima histórica ameaça nucleares na Romênia e Hungria (Bloomberg)
Inmet monitora possível “ciclone-bomba” no Sul do Brasil (Estadão, XP)
Primárias nos EUA
Abdul El-Sayed, progressista, projetado vencedor da primária democrata ao Senado em Michigan, derrotando o establishment (Bloomberg, NYT, WSJ)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: Copom anuncia a Selic a partir das 18h30, com corte pra 14% amplamente esperado; o jogo está no comunicado sobre setembro. Flávio anuncia o vice no último dia das convenções. Bradesco reporta depois do fechamento. Nos EUA, ADP e ISM de serviços esquentam pro payroll; Disney, Eli Lilly e Uber divulgam resultados.
Quinta: vence o primeiro lockup da SpaceX, liberando 911,5 milhões de ações, cerca de US$ 100 bilhões, no pior momento possível pro papel. Petrobras reporta o 2T26. Jobless claims nos EUA.
Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo pra 4,3%. É o número que calibra a próxima do Fed.
Sábado: balanço da Berkshire Hathaway.

