Brasil pode atrair até US$ 30 bilhões em fluxo estrangeiro: o que falta para o dinheiro voltar
Estudo do JP Morgan mostra que o mercado brasileiro tem espaço para ao menos US$ 20 bilhões em novos aportes internacionais, caso investidores voltem a níveis médios de exposição a emergentes
O mercado acionário brasileiro pode receber entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões em novos investimentos estrangeiros se os grandes fundos globais retomarem a exposição histórica a mercados emergentes. Embora o saldo acumulado no ano esteja positivo em R$ 20,5 bilhões, a presença internacional na bolsa segue considerada tímida diante do potencial de recuperação.
Fluxos ainda contidos apesar do saldo positivo
Os dados de entrada de capital estrangeiro mostram que a atividade na bolsa brasileira em 2025 é modesta. O desempenho atual contrasta com períodos de maior dinamismo, como em 2021 e 2022, quando o país registrou volumes expressivos de investimento internacional e valorização dos índices locais.
Estimativas do JP Morgan apontam espaço para forte reentrada de recursos
Em relatório de estratégia de ações, o JP Morgan avaliou três métricas que indicam o potencial de fluxo para o Brasil. Todas apontam margens de entrada entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões, valores semelhantes aos observados em 2022, quando o MSCI Brazil subiu 2,3% e o Ibovespa, 0,2%.
Alocação global em emergentes ainda abaixo da média
O banco lembra que dos US$ 37,9 trilhões sob gestão global, apenas 5,1% está hoje aplicado em ações de mercados emergentes. A média histórica é de 6,4% e a alocação neutra seria de 10,4%.
Se os fundos voltassem à média dos últimos dez anos, isso significaria US$ 588 bilhões adicionais para emergentes, dos quais US$ 24 bilhões iriam para o Brasil, considerando o peso de 4,1% do país no índice MSCI EM. Mesmo um ajuste modesto, de 1 ponto percentual nas alocações, já poderia representar US$ 15 bilhões em novos recursos para o mercado brasileiro.
Estrangeiros têm menor participação na B3 do que a média histórica
Segundo o levantamento, investidores internacionais detêm R$ 1,5 trilhão em ações brasileiras, o equivalente a 51% do total. A média dos últimos dez anos é de 55%, e a dos últimos 15 anos, 58%.
Um retorno ao nível de 10 anos implicaria R$ 100 bilhões (US$ 20 bilhões) em novas entradas. Já a volta ao patamar de 15 anos significaria R$ 180 bilhões (US$ 34 bilhões). O JP Morgan destaca que a última vez que o mercado recebeu fluxo semelhante foi em 2021, no período de recuperação pós-pandemia, quando a China ainda mantinha restrições severas à sua economia.
Fundos de emergentes mantêm postura cautelosa
O relatório também analisou dados da EPFR, que monitora 56 fundos de mercados emergentes com US$ 1,1 trilhão em ativos sob gestão. Do total, 24 fundos estão sobreponderados (overweight) em Brasil, proporção 25% menor que o pico observado em outubro de 2024.
O valor total aplicado no país soma US$ 66 bilhões, cerca de US$ 20 bilhões acima da fatia brasileira no índice MSCI EM. Ainda assim, a exposição média dos fundos ao Brasil é de 1,5 ponto percentual acima do benchmark, nível inferior aos picos históricos de 2% após a crise financeira global e 3% antes dela.
Por que o fluxo ainda não chegou
O estudo observa que, mesmo com ativos baratos, câmbio competitivo e prêmio de risco elevado, o investidor global ainda aguarda sinais mais claros de estabilidade fiscal e política. O ambiente de juros altos no Brasil e a incerteza sobre o cenário internacional também pesam na decisão de aumentar posições em mercados emergentes.
A persistência da cautela reflete ainda o comportamento dos grandes gestores, que desde 2022 mantêm alocação inferior à média em economias emergentes, diante da volatilidade geopolítica e monetária.




