BTG Pactual: América Latina se torna peça-chave na estratégia global da Embraer
Banco destaca potencial de expansão e mudança de foco para execução dos pedidos
O mercado aéreo da América Latina voltou a ganhar protagonismo nas projeções da Embraer. Segundo relatório do BTG Pactual, a região deve se tornar um dos vetores mais relevantes de crescimento da fabricante nos próximos anos. Hoje, cerca de 16% do backlog total da companhia, equivalente a 70 aeronaves, vem de clientes latino-americanos como Azul, Latam e Mexicana.
O banco aponta que a demanda regional segue resiliente, sustentada pelo crescimento da classe média, pela valorização das moedas locais e pelo aumento da penetração das viagens aéreas. O fortalecimento das companhias de baixo custo e a modernização da infraestrutura aeroportuária ampliam as oportunidades para aeronaves de médio porte, segmento em que a Embraer mantém liderança global.
Enquanto Boeing e Airbus têm exposição limitada à América Latina, com 2% e 5% de seus backlogs concentrados na região, a Embraer é a fabricante mais exposta ao mercado latino-americano. A Azul, principal parceira regional da empresa, opera 63 jatos Embraer e mantém 51 aeronaves encomendadas. A Latam Airlines e a Mexicana aparecem como novos clientes estratégicos, o que deve sustentar o ritmo de entregas nos próximos trimestres.
O relatório destaca dois fatores que devem impulsionar o crescimento da demanda na região: o avanço de hubs regionais com aeroportos menores e a criação de novas rotas domésticas ainda pouco atendidas. A Embraer projeta um crescimento anual acima de 4% para o tráfego aéreo latino-americano, sustentado pela expansão das companhias de baixo custo e pela evolução da infraestrutura.
O BTG Pactual observa que a reestruturação de frota de Gol e Azul pode gerar cancelamentos pontuais, mas não altera o potencial de médio prazo da Embraer na região. A Latam Airlines, que anunciou pedido de até 74 aeronaves E2, é vista como o principal motor de demanda. A Copa Airlines também surge como um caso a monitorar, embora mantenha foco em aeronaves Boeing. No México, a Volaris continua operando frota exclusiva da Airbus, com prioridade em resolver problemas operacionais antes de considerar diversificação de modelos.
Atenção ao cronograma de entregas
Para o BTG Pactual, o desafio agora é executar o backlog crescente, que já se aproxima de 30 bilhões de dólares, ou cerca de 50 bilhões se incluídas as opções. O banco avalia que o foco do mercado deve migrar da conquista de novos contratos para a capacidade da Embraer de entregar os pedidos dentro do cronograma e transformar volume em rentabilidade.
A fabricante ainda negocia com desconto de dois dígitos frente aos pares globais, mas mantém forte ritmo de lucros e um portfólio de pedidos equilibrado entre aviação comercial, executiva e defesa.
O BTG conclui que a América Latina deve se consolidar como o principal polo de crescimento da Embraer nos próximos anos. A empresa combina liderança regional, carteira sólida e produtos bem posicionados, mas precisará provar eficiência na execução operacional para sustentar o ciclo positivo iniciado em 2025.



