Canetas emagrecedoras reaqueceram o setor farmacêutico — e o JP Morgan tem uma favorita na bolsa
Relatório revela por que a execução estratégica da RD Saúde e o valor latente da Hypera definem uma temporada de resultados pautada pela eficiência operacional e resiliência demográfica.
O boom dos remédios para emagrecer não dá sinais de arrefecimento — e está redesenhando o mapa do varejo farmacêutico brasileiro. Em relatório publicado nesta segunda-feira (27), o JP Morgan traça o panorama para a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 e conclui que o setor mantém momentum positivo, com uma vencedora clara entre as cobertas: a RD Saúde [RADL3].
GLP-1 como protagonista
Os dados de mercado da IQVIA mostram que o crescimento do varejo farmacêutico ficou em 14,8% no 1T26 em termos anuais — número robusto, mas que esconde uma aceleração importante no fim do período. Em março, as vendas nas drogarias dispararam 20,4% na comparação anual, puxadas pela normalização do fornecimento de tirzepatida (Mounjaro), medicamento para obesidade que havia sofrido com escassez de estoques.
Para o JP Morgan, o dado de março indica crescimento estrutural — não efeito sazonal. A bank vê RD Saúde e Pague Menos [PGMN3] como as empresas mais bem posicionadas para capturar esse movimento, dada a maior exposição de ambas ao segmento de emagrecimento.
RD Saúde: a top pick do banco
A RD Saúde é a escolha preferida do banco no setor. Para o 1T26, o JP Morgan projeta crescimento de vendas brutas de 22% na base anual pro-forma (excluindo a 4Bio), chegando a R$ 12 bilhões, com SSS consolidado de 15,3%. A margem EBITDA ajustada deve avançar 70 bps na comparação anual, a 6,9%, sustentando crescimento de EBITDA de 35%, a R$ 840 milhões.
O banco mantém preço-alvo em R$ 28/ação para dezembro de 2026 e rating Overweight, destacando o valuation atrativo de 18,4x P/L para 2027 combinado com CAGR de lucro por ação de 20% em cinco anos.
Hypera: resultados fracos à vista, mas tese de longo prazo intacta
Do lado oposto, a Hypera [HYPE3] deve entregar o resultado mais fraco do grupo no trimestre. O JP Morgan projeta receita líquida de R$ 2 bilhões e lucro líquido de R$ 296 milhões — cerca de 10% abaixo do consenso de mercado. O problema central é o mix desfavorável de produtos e a fraqueza persistente no mercado institucional, além de a empresa ainda não ter presença relevante no segmento de GLP-1.
Ainda assim, o banco mantém Overweight (compra) em HYPE com preço-alvo de R$ 33/ação — um upside de 40% em relação ao preço atual. O argumento é valuation: as ações negociam a 8,5x/6,7x P/L para 2026/2027, e o banco vê o papel como o melhor “value play” do setor, com perspectiva de melhora de resultados no segundo semestre com a chegada do semaglutide genérico.
Pague Menos e os demais
A Pague Menos mantém a classificação Underweight (venda). O banco reconhece a melhora de produtividade das lojas — que atingiu R$ 815 mil mensais por loja, em linha com os maiores players do setor — mas segue preocupado com o fluxo de caixa pressionado pelo endividamento. Para o 1T26, o banco projeta SSS de 14,9% e crescimento de receita bruta de 17%, a R$ 4,2 bilhões.
Blau Farmacêutica [BLAU3] deve reportar recuperação no trimestre após um 4T25 fraco impactado por atrasos em licitações públicas, mas o banco vê momentum de curto prazo limitado. Já a Viveo [VVEO3] apresenta melhora operacional insuficiente para compensar a alavancagem elevada de 6x Dívida Líquida/EBITDA, com previsão de prejuízo líquido até 2029.
Genéricos ganham espaço
Outro dado relevante do relatório: os genéricos continuam ganhando participação de mercado. No 1T26, responderam por 30,6% do total de vendas do setor, ante 28,7% um ano antes. O movimento é positivo para as drogarias — que se beneficiam de margens brutas maiores nessa categoria — mas representa vento contrário para laboratórios farmacêuticos, que enfrentam mais competição e tickets médios menores.




