Carteiras Recomendadas do Mês
Ata do Copom, IPCA e balanços darão folego à bolsa
A divulgação do IPCA de outubro e o balanço do Banco do Brasil [BBAS3] concentram atenções na próxima semana, que também trará dados de serviços e varejo referentes a setembro. Segundo Leandro Manzoni, economista do Investing, a agenda será determinante para medir o ritmo da economia e calibrar as expectativas sobre o início dos cortes da Selic. O IPCA, previsto para terça-feira (11), deve desacelerar em relação à alta de 0,48% de setembro.
Manzoni observa que o foco do mercado estará nos núcleos e na inflação de serviços, considerados pelo Copom os principais vetores de risco para os preços. No mesmo dia, o Banco Central divulga a ata da reunião do Copom, que manteve a Selic em 15% ao ano. “Os investidores vão procurar sinais sobre uma eventual transição no discurso da autoridade monetária, que pode indicar cortes a partir de março”, afirma o economista.
Além disso, o Boletim Focus abre a semana, na segunda-feira (10), com a mediana das expectativas de inflação para 2027 em trajetória lenta de queda, agora em 3,80%, próxima do centro da meta. Na quarta e quinta-feira, saem os dados de serviços e varejo, que ajudarão a calibrar apostas sobre o ritmo da política monetária.
De olho nos gráficos
Panorama do Ibovespa [Ibov]
O Ibovespa emenda a quarta semana consecutiva de valorização, em uma das sequências mais fortes da história recente do índice. A trajetória positiva, no entanto, desperta sinais de atenção entre analistas técnicos. Para Filipe Borges, da NMS Research, o movimento mostra força, mas começa a exigir cautela. “O mercado vem subindo praticamente em linha reta desde os 141 mil pontos e agora encontra resistência na faixa dos 153.700”, avalia.
Segundo ele, a antiga resistência dos 147.300 pontos tende a funcionar como suporte. “Esse é um momento de proteção para quem está comprado, aguardando um pullback ou um período de lateralização antes de novas entradas”, afirma Borges. O analista projeta, em caso de continuidade do rali, um novo alvo entre 155 mil e 160 mil pontos.
Petrobras [PETR4]
Entre as blue chips, Petrobras manteve o ritmo de alta, encerrando a semana com cinco pregões consecutivos de valorização e aumento de volume. Borges destaca que o papel testa uma linha de tendência de baixa e precisa romper os R$ 32,80 para confirmar a reversão. “O fechamento foi muito positivo, mas o gráfico diário sugere uma possível exaustão. Um pequeno pullback pode anteceder novas altas. Se o rompimento se confirmar, os próximos alvos são R$ 35,30 e R$ 38 a R$ 40”, afirma.
Hashdex Nasdaq Crypto Index [HASH11]
No segmento de criptoativos, o HASH11, ETF que replica o índice Nasdaq Crypto Index, subiu cerca de 3%, revertendo a tendência de baixa com um padrão técnico de engolfo de alta. Borges considera que o movimento reforça a recuperação do mercado digital. “Estamos de olho no rompimento dos R$ 78,15 para confirmar a entrada. O primeiro alvo está em R$ 87 e o segundo em R$ 94”, explica. O analista observa ainda que Bitcoin e Ethereum seguem sustentando o avanço do setor. “O Bitcoin se mantém acima dos US$ 100 mil e pode buscar os US$ 112 mil, enquanto o Ethereum rompeu os US$ 3,5 mil e tem potencial para alcançar os US$ 4 mil. Essas duas moedas respondem por mais de 95% do ETF”, completa.
Vale [VALE3]
Já as ações da Vale também mostraram recuperação consistente nas últimas semanas e agora se aproximam da resistência em R$ 67,30, ponto que pode limitar novos avanços no curto prazo. Borges recomenda cautela para quem já está posicionado. “Quem entrou na faixa entre R$ 48 e R$ 54 pode aproveitar para realizar parte dos lucros, já que o ativo subiu bastante”, afirma. O analista acrescenta que uma correção pontual abriria espaço para novas oportunidades. “Vale deve passar por um ajuste natural antes de retomar a tendência de alta, e esse movimento pode gerar boas janelas de recompra nas próximas semanas”, conclui.
Atualização das carteiras de investimento
As principais casas de research divulgaram nesta semana as novas composições de suas carteiras mensais, com ajustes pontuais e mudanças de exposição setorial. Confira os destaques da XP e do BTG Pactual.
XP
Carteira Fundamentalista de FIIs
A XP aumentou as posições em [PVBI11] e [LVBI11], reforçando a aposta em fundos de portfólios premium e no setor logístico, que segue resiliente e com contratos indexados à inflação. Já o [VGIR11] foi retirado da carteira, reduzindo a exposição ao setor de crédito após o bom desempenho recente.
Em outubro, o portfólio teve queda de 0,40%, abaixo do IFIX (+0,12%), mas manteve dividend yield de 10,9% ao ano, com foco em renda recorrente e valorização de capital.
Carteira Top Ações
A XP reforçou as posições em Smartfit [SMFT3] e Cyrela [CYRE3] e adicionou Gerdau [GGBR4], destacando fundamentos sólidos e potencial de valorização no curto prazo. A saída de Grupo Mateus [GMAT3] e a redução em Motiva [MOTV3] refletem ajustes após fortes valorizações.
O portfólio rendeu 1,8% em outubro, ante 2,3% do Ibovespa, e segue com foco em diversificação, valuation atrativo e crescimento.
Carteira Top Small Caps
A XP adicionou Mills [MILS3], citando potencial de crescimento e foco em rentabilidade, e retirou C&A [CEAB3], devido ao cenário de consumo mais fraco.
A carteira subiu 1,9% em outubro, frente a 2,3% do Ibovespa, acumulando +82,7% desde 2021. O portfólio mantém foco em empresas de menor capitalização com fundamentos sólidos e visão de longo prazo.
Carteira Top Dividendos
A XP elevou exposição em Itaú Unibanco [ITUB4] e Vale [VALE3] e reduziu participação em Vivo [VIVT3] e B3 [B3SA3], buscando equilíbrio entre geração de renda e valorização.
O portfólio teve retorno de 2,0% em outubro, e acumula alta de 246,4% desde o lançamento, contra 105,5% do Ibovespa, com perfil voltado a empresas maduras e pagadoras de dividendos.
BTG PACTUAL
10SIM - Ações para ficar de olho em novembro
O BTG Pactual manteve otimismo com o ciclo de cortes de juros e promoveu ajustes pontuais na carteira.
A construtora Direcional [DIRR3] entrou no lugar de Vibra [VBBR3], e Equatorial [EQTL3] voltou ao portfólio substituindo Energisa [ENGI11]. O setor elétrico agora representa 25% da carteira, ao lado de Copel [CPLE6].
Carteira Small Caps
O BTG Pactual manteve visão positiva para o portfólio de small caps, que acumula alta de 36,3% em 2025, superando o Ibovespa (+24,3%) e o SMLL (+27,8%).
O banco reforçou exposição a consumo, construção e utilities, mantendo Inter [INBR32], Vivara [VIVT3], Track&Field [TFCO4], Copasa [CSMG3], Aura Minerals [AURA33] e GPS [GGPS3] entre as preferidas, e incluiu Unifique [FIQE3] e Eztec [EZTC3] como novas apostas, com margens elevadas, pipeline robusto e potenciais dividendos entre 16% e 17%.
Desde 2010, a carteira acumula alta de 5.374%, contra 145% do Ibovespa, reforçando o histórico de desempenho consistente.







