Como a Embraer atingiu o maior backlog da sua história em plena recuperação do setor
A carteira de pedidos da Embraer chegou a US$ 31,3 bilhões no 3T25, impulsionada por jatos regionais e executivos, e abre caminho para novos recordes
A Embraer [EMBR3] não apenas confirmou a fase de forte recuperação do setor aéreo global, mas a capitalizou de maneira espetacular, anunciando nesta terça-feira (21) um recorde em sua carteira de pedidos. O valor atingiu a impressionante marca de US$ 31,3 bilhões no terceiro trimestre de 2025 (3T25), um salto de quase 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número, que supera a marca dos US$ 30 bilhões pela primeira vez na história da companhia, foi recebido com entusiasmo pelo mercado. Analistas do JP Morgan e do BTG Pactual veem o resultado como um forte sinal de que a Embraer está navegando com sucesso na alta demanda por aeronaves, especialmente na família de jatos regionais E2.
Aviação comercial e executiva lideram a expansão
O crescimento do backlog foi generalizado, mas alguns segmentos se destacaram:
Aviação Comercial (Jatos Regionais): Responsável pela maior fatia do bolo, atingiu US$ 15,2 bilhões, um crescimento de 37% em 12 meses. Segundo o JP Morgan, esse valor representa mais de 6 anos da receita projetada para o segmento em 2025. O impulso veio de grandes encomendas como as 50 aeronaves E195-E2 da Avelo e as 24 da LATAM Airlines. O backlog da família E2, inclusive, totaliza agora 290 jatos.
Aviação Executiva: Apresentou o maior crescimento percentual, expandindo 65% na comparação anual, para US$ 7,3 bilhões. O BTG Pactual projeta um futuro promissor, observando que a companhia está trabalhando para nivelar a produção, com foco na melhora da logística a partir de 2026. Além disso, grandes pedidos da Flexjet e Netjets geralmente são registrados no quarto trimestre, sugerindo um potencial de crescimento adicional.
A reação do mercado e o foco na execução
Para os bancos de investimento, a quebra de recorde do backlog por quatro trimestres consecutivos (segundo o JP Morgan) confirma a atratividade das ações da Embraer.
O JP Morgan vê o resultado de US$ 31,3 bilhões como um catalisador positivo, especialmente porque o valor não inclui o recente pedido de US$ 1,8 bilhão da TrueNoord ou as seleções de 11 aeronaves C-390, que somariam um backlog ajustado de aproximadamente US$ 33,7 bilhões.
O BTG Pactual, por sua vez, enfatiza que, ao incluir opções de compra não firmadas, o backlog da Embraer pode se aproximar da marca de US$ 50 bilhões.
No entanto, com a carteira de pedidos em níveis máximos, o foco dos investidores deve mudar. O BTG Pactual ressalta que, com a equação do crescimento resolvida, o mercado agora passará a monitorar de perto a execução dos pedidos. A capacidade da Embraer de acelerar as entregas — em um cenário de melhoria da cadeia de suprimentos, especialmente de motores — será crucial para traduzir o papel em receita.
A Embraer entregou 62 aeronaves no 3T25 (20 comerciais e 42 executivas), um leve aumento em relação às 59 do ano anterior. O detalhamento das entregas do trimestre inclui 13 aeronaves E2 (para Porter, Azorra, Mexicana e Aircastle) e 7 aeronaves E1 (para American e Republic Airlines).
Os resultados financeiros completos do terceiro trimestre de 2025 serão divulgados em 4 de novembro, data em que o mercado buscará confirmações sobre a margem e a saúde operacional da gigante brasileira.


