EUA falam em acordo para reabrir Ormuz "hoje ou amanhã". Petróleo desaba
A fala do secretário do Tesouro saiu logo depois da minha mensagem da manhã e o mercado usou para confirmar o movimento: Brent perto de US$ 82, enquanto o Copom começa a decidir.
ONTEM (3 de agosto)
Trump cancelou o ataque planejado ao Irã e o mercado comprou o alívio: Brent caiu cerca de 5%, a US$ 83,5, o S&P 500 subiu 1,5%, o Nasdaq 2,1% e o Dow fechou em recorde, com a Amazon superando US$ 3 trilhões em valor de mercado.
O Ibovespa fechou estável aos 178.000 pontos, na contramão, pressionado por Petrobras (-0,85%) e Vale (-2,15%); o dólar subiu 0,34%, a R$ 5,087. Os DIs fecharam forte (Jan29 -13 bps, Jan33 -23 bps) com a queda do petróleo e a pesquisa Nexus, que mostrou a vantagem de Lula no 2º turno caindo de 4 pra 1 ponto (46 x 45).
Palantir reportou após o fechamento com vendas comerciais acima do esperado e guidance elevado; 25 estados americanos processaram o governo Trump contra o novo tarifaço.
HOJE / MADRUGADA (4 de agosto)
Trump chamou a nova rodada de “última chance” pro Irã e Teerã negou conversa direta com os EUA. Pela manhã, o Catar disse que já existe texto rascunhado pra um possível acordo, e o Brent, que tinha ido a US$ 86 de madrugada, virou pra queda. Na sequência, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, falou em acordo “hoje ou amanhã” pra reabrir Ormuz com livre circulação de navios, e o barril desabou: Brent perto de US$ 82, queda de mais de 2% no dia, e WTI abaixo de US$ 77.
O Copom inicia hoje a reunião de dois dias; corte de 0,25 ponto, pra 14,00%, amanhã é amplamente esperado. A produção industrial de junho sai às 9h.
Após o fechamento, a SpaceX divulga o primeiro balanço como empresa listada, com a ação valendo cerca de metade do preço do IPO; AMD reporta no mesmo dia.
Mais um rascunho que segura o preço do petróleo. Vamos ver se dessa vez vai. De madrugada, o ultimato da “última chance” e o desmentido do Irã devolveram prêmio ao barril, que foi a US$ 86; pela manhã, o Catar disse que já existe texto rascunhado e o Brent devolveu a alta. A mensagem abaixo saiu nesse cenário. Na sequência, veio a fala mais forte do dia: Scott Bessent, secretário do Tesouro, disse à CNBC que pode haver acordo “hoje ou amanhã” pra reabrir Ormuz com livre circulação de navios, e o barril desabou de vez: Brent perto de US$ 82, WTI abaixo de US$ 77. O mercado usou a fala pra confirmar o movimento da manhã. Rascunho não é mais do que o acordo preliminar que EUA e Irã chegaram a fechar no fim de maio, e nem aquele segurou a guerra. A diferença é que agora existe prazo pra cobrar: hoje ou amanhã. O padrão segue valendo: o prêmio de guerra sai na promessa, mas só some com assinatura.

Ontem em Wall Street: S&P +1,5%, Dow no recorde e Amazon entrando no clube dos US$ 3 trilhões. A Palantir (empresa de software) engordou o movimento depois do sino, com demanda comercial que o próprio CEO chamou de “de outro mundo”. Alex Karp (CEO) usou a carta a acionistas pra atacar OpenAI e Anthropic, sinal de que nem ele descarta os laboratórios invadindo o terreno dela. Hoje a SpaceX solta o primeiro balanço como empresa listada valendo metade do IPO, com um lockup de mais de US$ 100 bilhões em ações vencendo na quinta.
E o Brasil assistiu à festa de camarote. O mesmo barril que segurou o Ibovespa no zero a zero, derrubando Petrobras, fechou os juros na ponta longa, junto com a Nexus apertando a corrida. É o dilema local em uma linha: petróleo barato é ruim pro índice e ótimo pra curva. A semana decide muita coisa: o Copom começa a reunião hoje com corte pra 14% dado como certo, Itaú, Bradesco e Petrobras reportam até quinta, Flávio faz sabatina às 11h e Lula abre às 14h, no g1 e na GloboNews, a série de entrevistas com os cinco primeiros das pesquisas, que fecha justamente com Flávio no dia 10, talvez ainda sem vice.
Segue a versão resumida disso tudo que falei (antes da fala do Bessent):
O Catar diz que o acordo EUA-Irã já tem rascunho. Petróleo devolve alta da madrugada
📅 4 de agosto. Bom dia.
🛢️ Trump falou em “última chance”, o Irã negou conversa direta e, nesta manhã, notícia que o Catar tem um rascunho de acordo. Por enquanto o mercado tá comprando o rascunho. O Brent, que foi a US$ 86 na madrugada, zerou a alta, a US$ 84. Rascunho ainda não é assinatura.
📈 Ontem S&P +1,5%, Dow no recorde e Amazon acima de US$ 3 tri. Hoje o teste é a SpaceX, 1º balanço como listada, valendo metade do IPO. Futuros sobem agora pela manhã e tem dado de emprego nos EUA (JOLTS).
🇧🇷 Ibovespa no zero a zero ontem, na contramão: petróleo e minério derrubaram Petrobras e Vale. Juros fecharam forte com a Nexus e o barril desabando.
🏦 Copom começa hoje, corte pra 14% amanhã dado como certo. Na temporada, Itaú, Bradesco e Petrobras até quinta.
🗳️ Flávio segue sem vice e noticiário vem se mostrando mais negativo ao governo na esteira das investigações sobre o INSS. Lula fala com o G1 hoje.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica / Petróleo
Trump cancela ataque ao Irã, fala em “última chance”; Irã nega negociação direta, conversa com Omã sobre Ormuz (Bloomberg, WSJ, NYT, XP News Press, BTG Morning Call)
Brent -5% ontem a US$ 83,5; hoje foi a US$ 86 de madrugada e despencou pra perto de US$ 82 com Catar e Bessent (WSJ, BTG Morning Call, XP Furla News, TradingView)
Bessent, secretário do Tesouro, diz à CNBC que acordo pra reabrir Ormuz com livre circulação pode sair “hoje ou amanhã”; WTI cai cerca de 4%, abaixo de US$ 77, após a fala (CNBC)
OPEP+ eleva produção em 188 mil barris/dia, mas vários membros não atingem meta (XP Furla News, AFP)
Tráfego em Ormuz segue no mínimo; NYT vê acordo emergente cimentando controle iraniano do estreito (Bloomberg, NYT)
Trump ataca Chevron e Exxon por “lucrar demais”: lucros recordes no 2T (US$ 12 bi e US$ 14,5 bi) (BTG Morning Call, WSJ)
Balanços / Empresas Brasil
Semana concentra os pesos-pesados: Itaú, Bradesco e Petrobras reportam entre terça e quinta (Empiricus)
Temporada até aqui: Embraer surpreendeu positivamente com carteira recorde de US$ 34,5 bi (The Economist: “esqueçam Airbus e Boeing”); Vivo, TIM, Santander e Usiminas vieram abaixo do esperado (XP Resumo Semanal, Estadão)
Multiplan: trimestre sólido, NOI acima das expectativas; Irani em linha; prévias de produção de PRIO e Brava (XP Morning Call)
Destaques da semana passada: MBRF3 +18,2% com abertura da fronteira de gado México-EUA; USIM5 -13,7% com perspectiva de 3T fraco (XP Resumo Semanal)
Itaú vende operação de varejo na Colômbia e Panamá por R$ 2,5 bi (Resumo do Mercado)
Cogna incorpora a Vasta e vira controladora direta da Somos (BTG Morning Call)
BMG Foods pede recuperação judicial com R$ 3,5 bi em dívidas; RJs no agro crescem 66% em um ano (Resumo do Mercado, Globo Rural via XP)
Ambev sente ressaca da Copa nas vendas de bebidas (Resumo do Mercado/Pipeline)
Vinci vende participação em 9 shoppings do VISC11 pra Tivio/Bradesco por R$ 573 mi (Resumo do Mercado)
Mercados / Tech
S&P +1,5%, Nasdaq +2,1%, Dow em recorde; S&P na porta da máxima histórica (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Amazon supera US$ 3 tri; Bezos protocola venda de US$ 4 bi em ações (WSJ, Bloomberg)
Palantir: demanda comercial “otherworldly”, guidance elevado, +15% no pré (Bloomberg, Barron’s)
SpaceX reporta hoje: 1º balanço como listada, ação -49% do pico, lockup libera 911,5 mi de ações (~US$ 100 bi) quinta (WSJ, Barron’s, Bloomberg)
Agenda cheia: AMD, McDonald’s, Merck, Pfizer, Caterpillar hoje; payroll sexta (est. 87,5 mil vagas, desemprego 4,3%) (WSJ, XP Furla News)
Hedge funds pagaram a conta do selloff de IA em julho: Millennium -2,1%, Coatue -8% (Bloomberg)
Alibaba lança Qwen3.8-Max; China estreita gap em IA; Pequim preocupada com capacidades cyber do Mythos da Anthropic (Bloomberg)
AstraZeneca e Bristol Myers em conversas de fusão de ~US$ 400 bi (FT via Bloomberg, WSJ)
25 estados processam o tarifaço de Trump baseado na Section 301 (FT, Bloomberg, Estadão, BTG Morning Call)
Treasury eleva estimativa de captação do trimestre pra US$ 739 bi (Barron’s)
Câmbio / Fed
Intervenção conjunta EUA-Japão no iene (1ª em 15 anos, ~US$ 34 bi na sexta); rally já perde força, teste é o 155 (Bloomberg, WSJ, NYT)
Warsh estuda reduzir reuniões do Fed de 8 pra 6 por ano (NYT via XP Fechamento, Bloomberg)
CME: ~67% de chance de alta em setembro (WSJ Wealth Adviser)
Barkin: manter ou subir é “close call” (WSJ)
Brasil: macro e agenda
Ibovespa estável aos 178.000 na contramão do mundo, pressionado por Petrobras e Vale; DIs fecham forte (Jan29 -13 bps, Jan33 -23 bps) com Nexus + petróleo; dólar a R$ 5,087 (BTG Morning Call, XP Fechamento)
Copom inicia reunião hoje; corte de 25 bps a 14,00% amplamente esperado, comunicação neutra (XP Macro, Estadão, Broadcast)
PIM de junho hoje às 9h (est. -0,9% m/m; XP -0,7%) (XP News Press)
IBS e CBS passaram a aparecer nas notas fiscais ontem: 1ª fase visível da reforma tributária (XP Furla News, O Globo)
Dívida bruta a 81,9% do PIB, maior desde abril/2021; déficit nominal em 10% do PIB (XP Macro, Valor)
Subvenção ao diesel pós-guerra já custa R$ 7 bi (Folha via XP)
Desenrola 2.0 prorrogado até 31/8 (Poder360 via XP Furla)
Semana ainda tem balança comercial (XP: superávit de US$ 8,5 bi) e IGP-DI (XP Week Ahead)
Inmet: El Niño pode ser “muito forte” no 2º semestre, risco de eventos extremos (Estadão)
Governo reduz previsão de leilões de rodovias de 14 pra 10 (Folha)
Eleições
Nexus: 2º turno Lula 46 x 45 (vantagem cai de 4 pra 1 pp); 1º turno 41 x 37; aliados de Lula contestam recorte do Nordeste (Nexus/BTG, XP News Press, Metrópoles)
Flávio sem vice: Republicanos sinaliza neutralidade (17 diretórios contra), Podemos deve seguir, PP mantém veto a Tereza Cristina; definição pode ir até 15/8 (XP News Press, Folha, O Globo, Estadão)
Risco de chapa “puro-sangue” PL com vice radical (Estadão/Roseann Kennedy)
Lula teme abstenção e teto eleitoral; escala Durigan como porta-voz pro mercado (Estadão, Folha)
Lulinha: amiga lobista fez 41 visitas fora da agenda; PF ganha 3º inquérito, Dino relator (Estadão, O Globo/Traumann)
Convenções terminam amanhã (5/8); Quaest e Boas Ideias podem sair a partir de amanhã (XP News Press)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: primeiro dia da reunião do Copom e produção industrial de junho às 9h. Nos EUA, JOLTS e balança comercial. Na eleição, Flávio em sabatina às 11h e Lula abre às 14h a série de entrevistas do g1 e da GloboNews com os cinco primeiros das pesquisas (1h30 ao vivo, com Andréia Sadi e Natuza Nery): sinal fiscal dele hoje chega ao mercado na véspera da decisão do Copom. Nos balanços, McDonald’s, Merck, Pfizer e Caterpillar antes da abertura; SpaceX e AMD após o fechamento, com o balanço da SpaceX como o evento do dia.
Quarta: Copom decide a Selic, com corte de 25 bps pra 14,00% amplamente esperado e comunicação neutra. Último dia do período de convenções partidárias. ADP nos EUA. Disney, Uber e Eli Lilly reportam. Quaest e Boas Ideias podem sair a partir de amanhã. Renan Santos é o entrevistado do dia na série do g1/GloboNews.
Quinta: vence o primeiro lockup da SpaceX, liberando 911,5 milhões de ações (cerca de US$ 100 bi). Balança comercial de julho no Brasil, com a XP projetando US$ 8,5 bi de saldo. Jobless claims nos EUA. Zema na série de entrevistas.
Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo pra 4,3%. Com a aposta de alta do Fed em setembro rondando 67% na CME, é o número que pode mexer no juro do mundo. Por aqui, IGP-DI. Caiado na série de entrevistas.
Sábado: balanço da Berkshire Hathaway.
Segunda (10/8): Flávio fecha a série de entrevistas do g1/GloboNews, já fora do período de convenções e possivelmente ainda sem vice definido, que pode sair até 15/8.



