Panorama da semana de 22 de agosto de 2026
Os juros de longo prazo nos Estados Unidos voltaram a subir com força nas últimas semanas, e a explicação por trás disso é que as grandes empresas de tecnologia ligadas a inteligência artificial, como Amazon, Google, Meta e Microsoft, estão emitindo dívida em ritmo recorde para financiar seus investimentos bilionários em data centers e infraestrutura de IA.
Somente em 2026, essas empresas já emitiram 182 bilhões de dólares em títulos, quase o dobro do total do ano passado inteiro.
O problema é que esse dinheiro compete diretamente com o próprio governo americano, que também precisa se financiar emitindo títulos públicos. Quando duas fontes gigantes de demanda por capital disputam o mesmo mercado, o preço do dinheiro sobe, ou seja, os juros sobem. Some a isso o fato de que os investidores estão cada vez mais confiantes de que os investimentos em IA vão realmente dar retorno, o que também empurra os juros reais para cima.
O Tesouro americano anunciou, fora do calendário normal, que vai dobrar o tamanho das operações de recompra de títulos longos. Na prática, isso é uma tentativa do governo de segurar os juros na marra, sem resolver a causa raiz do problema. O risco é que esse tipo de ação, por fugir do padrão “regular e previsível” que o mercado espera do Tesouro, acabe tendo o efeito contrário no médio prazo de gerar ainda mais desconfiança e pressionar os juros para cima.
No Federal Reserve, o banco central americano, a ata da última reunião mostrou um grupo dividido. Menos da metade dos membros do comitê defende novas altas de juros caso a inflação não ceda, enquanto a maioria segue esperando que os preços desacelerem ao longo do ano. Ou seja, não houve uma virada hawkish (postura mais dura contra a inflação) generalizada, apesar do que a imprensa possa sugerir.
O que esperar de Jackson Hole
Na próxima sexta-feira, o presidente do Fed, Kevin Warsh, discursa no tradicional simpósio de Jackson Hole, evento que reúne banqueiros centrais do mundo todo. Historicamente, esses discursos raramente mexem muito com o mercado, e Warsh já deixou claro que não gosta de sinalizar decisões futuras com antecedência. A expectativa é que ele fale sobre mudanças na forma como o Fed se comunica e sobre o balanço da instituição, não sobre os próximos passos da taxa de juros. Se o mercado reagir de forma exagerada ao discurso, para qualquer lado, a leitura mais provável é que seja ruído passageiro.
Brasil: eleição entra na reta final
No Brasil, as pesquisas seguem mostrando Lula na frente de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno, com vantagem de 5 a 6 pontos percentuais. No mercado de apostas Polymarket, a diferença é ainda maior.
Os cenários possíveis são bem distintos. Se o mercado interpretar o resultado como continuidade do atual governo, a leitura tende a ser mais pessimista, com o dólar podendo chegar a 5,50 reais e os juros futuros subindo. Já num cenário de transição política vista como mais favorável para o mercado, o dólar poderia cair a 4,90 reais e os juros futuros recuarem.
Do lado da economia real, os números de atividade do meio do ano confirmaram uma desaceleração: o indicador antecedente do PIB (IBC Br) cresceu apenas 0,7% no segundo trimestre, bem abaixo dos 5% registrados no início do ano. Pela primeira vez desde a virada de 2024 para 2025, o setor de serviços encolheu no trimestre.
Fique de olho na semana que vem
Na quarta feira, sai a prévia da inflação de agosto (IPCA 15), e o número deve vir negativo em 0,30%, muito por causa de um desconto na conta de luz relacionado à usina de Itaipu. É importante entender que esse resultado negativo não significa que a inflação está sob controle de forma ampla. O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis, deve subir no mês. Ou seja, a manchete vai parecer boa, mas o quadro de fundo continua desafiador.
No campo da política monetária, o mercado segue esperando um último corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em setembro, com o Banco Central entrando depois disso em uma pausa que deve durar até meados de 2027, dependendo de como a política fiscal se comportar após as eleições de outubro.
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Rentabilidade das principais classes
Fluxo de capital estrangeiro B3
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De olho nos gráficos
1.POR QUE O OURO SUBIU
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2.O SET UP TRADER DA NOMOS
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3.CASAS BAHIA PODE PREJUDICAR BBAS3
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