Fundos Imobiliários renovam máximas mesmo com Selic a 15%
Em entrevista ao TradeNews, Tiago Waldeck, head de FIIs da Nomos, explica o rali do IFIX e aponta por que ainda há oportunidades no setor, mesmo após o índice renovar recordes
Mesmo com a Selic ainda em dois dígitos, o mercado de fundos imobiliários segue aquecido. O IFIX, principal índice da categoria, voltou a renovar suas máximas históricas, sustentando ganhos em um cenário que, em tese, seria pouco favorável para o setor.
O movimento chama atenção porque ocorre em meio a juros de longo prazo ainda elevados, medidos pela NTN-B de 10 anos, indicador usado como referência para o custo de capital dos FIIs. A valorização recente reacendeu o debate sobre o que justifica o desempenho positivo da classe e como interpretar o valuation relativo frente à renda fixa.
Para o head de Fundos Imobiliários da Nomos, Tiago Waldeck, a explicação está em uma reprecificação do pessimismo que havia dominado o mercado no segundo semestre de 2024.
“O IFIX sofreu bastante no final do ano passado por causa da reprecificação da taxa de juros terminal. Antes, o mercado esperava um fechamento em 10,5%, mas encerramos o ano com 12,5%. Então, o nível de desconto que existia nos FIIs não fazia sentido para o momento”, explicou Waldeck.
Segundo ele, muitos fundos com bons fundamentos eram negociados com descontos de 10% a 20% em relação ao valor patrimonial, abrindo espaço para revisões positivas de preço neste ano.
“Naquela época, escrevi sobre o pessimismo do mercado e como, em janelas como aquela, costumam surgir as melhores oportunidades”, relembra o gestor. “Mesmo com a Selic em 15%, esse cenário já estava precificado. Agora, o foco volta para 2026, quando esperamos o início dos cortes de juros - e isso tem impacto direto sobre os fundos imobiliários, especialmente os de tijolo.”
Espaço para oportunidades
Apesar da forte alta acumulada em 2025, Waldeck afirma que ainda há ativos negociados abaixo do valor patrimonial, mas alerta que nem todo desconto representa uma boa entrada.
“É preciso olhar além do P/VP. A liquidez, o portfólio, o nível de vacância e o histórico de gestão são fatores decisivos”, destacou.
Na avaliação do executivo, fundos com contratos atrelados à inflação e portfólios de qualidade devem continuar se beneficiando da perspectiva de afrouxamento monetário no horizonte.
“O investidor que entrou no momento de maior estresse já colhe bons resultados, mas o setor ainda tem potencial, principalmente os FIIs de tijolo, que tendem a responder de forma mais direta à queda dos juros e à melhora da atividade”, completou.
O cenário, portanto, mostra um mercado que deixou para trás o excesso de pessimismo e passou a precificar um ciclo de recuperação sustentado por fundamentos, em vez de apenas expectativas sobre a Selic.
Com o IFIX em novas máximas e a renda fixa ainda oferecendo taxas elevadas, o investidor enfrenta uma janela de reequilíbrio entre risco e retorno, em que a seleção ativa de fundos se torna cada vez mais determinante.


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