Gestores globais voltam ao Brasil: fundos ampliam posições em ações brasileiras, aponta JP Morgan
Relatório do JP Morgan mostra que Brasil, Coreia do Sul e China ganharam peso nas carteiras de fundos emergentes em setembro, enquanto Índia e Taiwan perderam espaço
Os fundos globais de mercados emergentes aumentaram significativamente suas posições no Brasil em setembro, segundo o relatório mensal de alocação de ativos do JP Morgan. O país voltou ao centro das estratégias internacionais, ao lado de Coreia do Sul e China, em um movimento que reflete a melhora relativa dos preços dos ativos locais e o maior apetite por risco nas bolsas emergentes.
O levantamento, que acompanha as posições de 56 gestores globais, mostra que o número líquido de fundos com posição acima da média de mercado (overweight) no Brasil subiu para 24, ante 20 no mês anterior, enquanto na Coreia passou de 3 para 4.
Segundo o JP Morgan, investidores estrangeiros foram compradores líquidos de US$ 1 bilhão em ações brasileiras e US$ 5,3 bilhões na Coreia durante o mês. Já China e Hong Kong receberam fortes fluxos de entrada, somando US$ 8,9 bilhões, o que reduziu o subpeso (underweight) médio nesses mercados.
Enquanto isso, as posições em Índia, Tailândia e Indonésia foram reduzidas. O número de fundos com posição abaixo do índice na Índia subiu para 19 (de 18), com saída líquida de US$ 1,7 bilhão, o terceiro mês consecutivo de fluxos negativos de estrangeiros.
Rendimento superior e dispersão crescente
O índice MSCI Emerging Markets avançou 9,1% no último mês, com desempenho acima do esperado. O fundo mediano superou o índice em 0,2 ponto percentual, segundo o levantamento. Ainda assim, a dispersão entre os retornos aumentou, o que indica estratégias mais divergentes entre gestores.
Setores de tecnologia na Coreia e Taiwan, além de materiais na África do Sul e México, lideraram os ganhos. Entre os fatores quantitativos, “Earnings Momentum” e “Net Analyst Revisions” foram os que mais contribuíram para o desempenho positivo.
Fluxos regionais: América Latina em evidência
O relatório também mostra que a América Latina manteve posição acima da média histórica em relação ao benchmark global de emergentes, com destaque para Brasil e México.
Em contrapartida, regiões como CEEMEA (Europa, Oriente Médio e África) e Sudeste Asiático seguiram com posições reduzidas.
Tendência estrutural e percepção de risco
O JP Morgan aponta que, apesar da melhora no curto prazo, a volatilidade e o beta dos fundos emergentes continuam acima da média de cinco anos. Isso indica que o rali recente ainda é visto como tático, mais ligado ao momento de mercado do que a uma mudança estrutural de percepção.
Com o retorno do apetite internacional por ativos brasileiros, o país retoma destaque nas carteiras globais após meses de cautela. A sustentação desse movimento, no entanto, dependerá da estabilidade fiscal e da evolução do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central, fatores que podem determinar se o “overweight Brasil” é um fenômeno passageiro ou uma reprecificação mais duradoura.







