Inflação no Brasil deu folga em julho, mas o barril de petróleo bateu US$ 90 de novo
IPCA levemente acima do esperado, mas desacelerando e ata do Copom deixando próximos movimentos em aberto.
ONTEM (10 de agosto)
Brent subiu 5,2%, a US$ 87,8, depois do Irã condicionar a reabertura de Ormuz a indenização de guerra e Trump responder cobrando compensação do próprio Irã.
S&P 500 caiu 0,1% e Nasdaq, 0,3%; o juro americano de 10 anos foi a 4,70%.
No Brasil, Ibovespa caiu 0,14%, aos 172,2 mil pontos, o dólar subiu 0,53%, a R$ 5,1106, e os juros futuros abriram, com o Jan33 avançando 10 bps.
HOJE / MADRUGADA (11 de agosto)
Ata do Copom às 8h: corte para 14% por unanimidade, sem sinalização de próximos passos. Às 9h, IPCA de julho em 0,07%, com os 12 meses caindo de 4,64% para 4,44%.
Brent tocou US$ 90 pela manhã e recuou para perto de US$ 88; o juro americano de 30 anos foi a 5,27%, máxima do ano.
Intel levantou US$ 20 bilhões em oferta de ações, um terço acima do alvo anunciado na véspera. Nikkei subiu 2,08%.
A guerra voltou a mandar no preço. O alívio em Ormuz que derrubou o Brent na semana passada durou dois pregões: o Irã condicionou a reabertura do estreito a indenização de guerra, e Trump respondeu na mesma moeda, cobrando compensação do próprio Irã, dizendo que a Marinha já limpou as minas e que o estreito virou uma “muralha de aço” americana. Resultado: o barril saiu de US$ 82 na sexta pra US$ 90 hoje cedo, os produtores do Golfo já tratam o bloqueio como permanente e o frete de supertanque encosta em US$ 500 mil por dia.
Por aqui, o dia foi de dados comportados: IPCA de julho em 0,07%, com a folga vindo justamente dos combustíveis que o barril ameaça encarecer, e ata do Copom sem novidade, tudo em aberto, data dependent. Amanhã o CPI americano é muito importante. Pode testar se Warsh é tão duro quanto o discurso.
A retórica de Trump bate direto no Brent. Em abril, o acordo com o Irã afundou o petróleo 9,1% e a dúvida sobre o cessar-fogo devolveu 5,6%. Em julho, a ameaça de taxar em 20% os embarques de Ormuz disparou 9,6% num dia, e a promessa de “boa chance” de avanço derrubou 4,8% antes de novo ataque reverter tudo. Dados até 10 de agosto. Fonte: Bloomberg, com dados da ICE.
Segue o texto resumido que envio no WhatsApp:
Inflação no Brasil deu folga em julho, mas o barril bateu US$ 90 de novo
📅 11 de agosto. Bom dia.
📉 IPCA de julho em 0,07%, vs. 0,03% esperado, desacelerando: 12 meses caem de 4,64% pra 4,44%. Combustíveis recuaram 1,44%. Núcleos acima do previsto, mas em tendência de queda. Nada que mova mercado.
🏦 Ata do Copom sem grande novidade, tudo em aberto: data dependent, como os bancos centrais em geral. Pra XP, choques de oferta (energia, El Niño) e demanda pelo fiscal justificam manter a Selic. Mas a ata não fecha porta.
🛢️ Brent bateu US$ 90 pela manhã e recuou para US$ 88. Trump diz que a Marinha dos EUA limpou as minas de Ormuz e quem deve ser compensado são os EUA pelo Irã. Mesmo assim, Paquistão diz que ainda vão assinar algum acordo.
🇺🇸 Amanhã, CPI. Núcleo em 0,2% alivia Warsh; acima disso, precisa provar que é duro como diz. Mercado desconfia: juro de 30 anos na máxima, 5,27% (petróleo ajuda nisso).
🗳️ Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno. Detalhe: Flávio lidera a rejeição, 47,1%.
Abaixo tudo de importante entre ontem e hoje (resumido com ajuda de IA)
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Petróleo e Ormuz
Trump: Marinha limpou as minas, “controle total” do estreito, e quem deve indenizar é o Irã (Bloomberg, BTG Morning Call).
Brent: +5,2% ontem, a US$ 87,8; US$ 90 hoje cedo; +46% no ano (Fechamento XP, BTG Morning Call, Bloomberg).
Estoques dos EUA no menor nível em quatro décadas; Jones Act suspensa por mais 90 dias pra energia (BTG Morning Call, Bloomberg).
Produtores do Golfo já tratam o bloqueio de Ormuz como permanente (WSJ).
Frete de supertanque na rota Golfo-Ásia perto de US$ 500 mil por dia (Bloomberg).
Rezaei, procurado pela Interpol pelos atentados de Buenos Aires, assume a segurança nacional do Irã (O Globo, Guga Chacra).
Ucrânia atacou a refinaria Taneco, na Rússia: ao menos 13 mortos; Zelensky alerta pra escalada de Putin (Bloomberg, NYT, BTG Morning Call).
IPCA e inflação no Brasil
IPCA de julho: 0,07%, vs. 0,03% do consenso; 12 meses de 4,64% pra 4,44% (IBGE, XP Macro Strategy).
Energia elétrica +3,09%, maior impacto do mês; alimentação -0,67%, com tomate caindo 29% (IBGE).
Combustíveis -1,44%: etanol -2,26%, gasolina -1,37%, diesel -1,22% (IBGE).
Núcleo médio +0,26%, acima do esperado, mas a média anualizada de 3 meses cai de 4,90% pra 4,56%; difusão de 54% pra 50% (XP Macro Strategy).
Gasolina 40% e diesel 70% defasados com o barril perto de US$ 90 (Abicom via XP Inflation News).
Silveira admite buscar “outro caminho” pro subsídio de combustíveis (Valor).
Câmara mira projeto que usa receita do petróleo pra cortar imposto de combustível (CNN Brasil).
Aneel julga hoje o recurso da Enel em São Paulo (O Globo).
Mercado livre de energia: decreto até a próxima semana, diz Silveira (MegaWhat).
Alimentos globais no maior nível em três anos; açúcar em máxima de 15 meses (FAO via Resumo do Mercado, Cepea).
Juros e inflação nos EUA
Juro de 10 anos a 4,73% e o de 30 a 5,27%, rondando as máximas do ano (WSJ).
CME: 81% de chance de o juro fechar o ano acima do atual, ante 77% na sexta (WSJ).
Hammack, do Fed de Cleveland: “algum número” de altas pode ser necessário (Bloomberg).
Dudley: Warsh minou a própria credibilidade ao sugerir trocar o PCE de lugar (Bloomberg Opinion).
TIPS de 30 anos pagando perto de 3% reais, maior nível em décadas (WSJ).
Lucro do S&P 500 acelerou pra 34% no 2º tri; tech caiu de 90% pra 55% do crescimento agregado (Bloomberg, John Authers).
O teste de Warsh (WSJ, via Timiraos)
CPI de julho e agosto decidem: alta em setembro ou pausa estendida (WSJ/Timiraos).
Núcleo em 0,2% ou menos é compatível com a meta de 2%; acima disso, não (WSJ/Timiraos).
Seis dos doze votantes já sinalizaram alta; três dissentiram em julho (WSJ/Timiraos).
Choque novo no diagnóstico: preço de equipamento e software de IA entrando na inflação americana (WSJ/Timiraos).
O juro de 30 anos subiu durante a coletiva de Warsh e não devolveu; pro BNP, sinal de algo mais fundo na percepção sobre o Fed dele (WSJ/Timiraos).
Válvulas de escape: revisão metodológica do PCE em setembro e Jackson Hole ainda neste mês (WSJ/Timiraos).
IA e financiamento
Nvidia: US$ 500 bi com seis casas de Wall Street pra financiar os próprios clientes; ação caiu 2,9% (WSJ, Bloomberg).
Intel levantou US$ 20 bi na oferta, um terço acima do alvo (Bloomberg, WSJ).
Anthropic: US$ 9,1 bi com a Riot por data centers; Riot +22% no pré (Bloomberg, WSJ).
Anthropic corre pro IPO avaliada em US$ 965 bi, possivelmente o maior da história (WSJ).
OpenAI recomprou US$ 7 bi em ações de funcionários a valuation de US$ 852 bi (Bloomberg).
SEC facilitou securitização lastreada em data center (Bloomberg).
Big techs somam US$ 2,7 tri em compromissos de longo prazo; o crédito já cobra prêmio maior (Barron’s).
Zuckerberg: ensaio de 6.500 palavras, modelo aberto novo e fundo de US$ 1 bi pra comunidades de data center (NYT/DealBook, Barron’s).
Escassez de memória vira lobby em Washington: Apple e fabricantes pedem ajuda ao governo (NYT).
ETFs alavancados concentrados em IA viram risco pro mercado inteiro (Bloomberg, Big Take).
Trump Media: prejuízo de US$ 238 mi, dez vezes maior, com a queda das criptos (Bloomberg, WSJ).
Hoje à noite reportam CoreWeave, Super Micro e Lumentum (WSJ).
Mercados globais
Ásia mista: Nikkei +2,08%, Kospi +0,73%, Shanghai -0,82% (BTG Morning Call).
Stoxx 600 sobe 12% no ano, com Alemanha, Itália e França em máximas (Bloomberg Markets Daily).
Emergentes valem menos da metade do S&P 500 em P/L, desconto recorde (Bloomberg).
Iene devolve metade da intervenção conjunta e volta a 159 por dólar (Bloomberg).
RBA manteve o juro, mas Bullock avisa: mais aperto é “bem possível” (Bloomberg).
Crédito privado: inadimplência no maior nível desde 2021 nos grandes fundos (WSJ).
China taxa nozes-pecã americanas em 54% às vésperas da visita de Xi (Bloomberg).
EUA anunciam US$ 3 bi em minerais críticos na disputa com a China (Bloomberg Economics).
Brasil, mercado e empresas
Ibovespa -0,14%, aos 172,2 mil, testando o suporte; PRIO +6%, Vamos -5,2% (BTG Morning Call, Resumo do Mercado).
Dólar +0,53%, a R$ 5,1106; juros futuros abriram até 10 bps (BTG Morning Call, Fechamento XP).
Focus: PIB de 2027 recua pra 1,52% (Fechamento XP).
OMC: EUA aceitam a consulta do Brasil sobre as sobretaxas; China quer participar (BTG Morning Call, Estadão).
JBS: primeiro prejuízo em 11 trimestres (US$ 102 mi); troca de CEO em 2027 (BTG Morning Call, Estadão).
Natura: lucro cai 92%, afetado por derivativos (BTG Morning Call).
Apex Partners pede pré-recuperação judicial após afastamento da diretoria (Resumo do Mercado).
CSN recebe propostas pela totalidade da unidade de cimentos (Resumo do Mercado).
Emissão de CRAs desaba 77% com a crise do agro (Resumo do Mercado).
Caso Oncoclínicas: dois executivos do Goldman indiciados; o banco nega (Estadão).
BC vai reter por 24h envios de cripto acima de US$ 10 mil ao exterior, a partir de 2027 (BTG Morning Call).
Endividamento da baixa renda bate 85%, quarto recorde seguido (Resumo do Mercado).
Brasil, fiscal
Orçamento de 2026 sem verba pra R$ 105,5 bi em despesas; Saúde e Educação na frente da fila (Estadão).
Despesa financeira do governo: R$ 149 bi só no primeiro semestre (O Globo).
Precatórios viram alvo de Fachin e Galípolo (Valor).
BRB: Fazenda descarta solução provisória; conciliação com Fux na quinta (O Globo, Estadão).
Brasil, política e eleições
Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno, empate técnico; no 1º, 38,8 x 34,1 (Futura via XP Política).
O detalhe da Futura: Flávio lidera a rejeição, com 47,1%, acima até de Lula, com 45,9% (Futura via XP Política).
No histórico do instituto, os dois caem juntos desde maio; brancos, nulos e outros somam quase 20% (Futura via XP Política).
CNN: o conselho a Lula é anunciar ajuste fiscal logo após eventual vitória, sem repetir 2015 (CNN Brasil).
Motta declara apoio à reeleição de Lula após o Republicanos rejeitar Flávio (Folha).
PEC da 6x1 dificilmente passa no Senado em agosto (G1, News XPress).
São Paulo: Tarcísio 50,6 x 33,6 sobre Haddad no 1º turno (Ideia/ACSP via Estadão).
PT e PL turbinam o fundo eleitoral das candidaturas ao Senado (Estadão).
Zema quer MP pra privatizar a Petrobras no primeiro dia, diz assessor; Caiado cita Armínio Fraga como conselheiro (Estadão, CNN Brasil).
Milei compartilha post em que Lula é chamado de porco (Folha).
Eleitorado 60+ vira quase um em cada quatro votos, recorde (TSE via the news).
Taxa das blusinhas: Congresso decide até 8 de setembro (Estadão, News XPress).
Internacional, outros
Colômbia: terremoto de 7,4 mata ao menos 132 e atinge a região cafeeira (Bloomberg, Estadão).
É o primeiro teste de De la Espriella, empossado na sexta prometendo cortar 40% do gasto (Bloomberg Politics).
Adani tem o caso de fraude arquivado nos EUA (Bloomberg).
Trump corta de 17 pra 11 as vacinas infantis recomendadas, repetindo tese sem base científica (NYT, WSJ).
Bezos e Saverin encaminham fatia do Liverpool a valuation de US$ 5,9 bi (Resumo do Mercado).
Drone com explosivo atinge cargueiro ucraniano em Leipzig; suspeita de sabotagem russa (Bloomberg Businessweek).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: vendas de moradias nos EUA às 11h; leilão do Tesouro às 11h30; reunião ministerial com Lula às 16h. À noite, CoreWeave, Super Micro e Lumentum reportam: o termômetro do trade de IA. MDA pode sair às 11h.
Quarta: o dado da semana, CPI de julho nos EUA às 9h30 de Brasília. Núcleo em 0,2% é a linha de corte pro Warsh. Leilão de Treasury de 10 anos e balanço da Cisco.
Quinta: PPI e seguro-desemprego nos EUA, fala de Hammack (dissidente que votou por alta), leilão de 30 anos, Applied Materials. Aqui, conciliação do BRB com Fux. PoderData pode sair.
Sexta: vendas no varejo e Michigan nos EUA. Quaest pode fechar a rodada de pesquisas da semana.
Domingo: ato de lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo.


