Itaú BBA divulga 26 ações favoritas para 2026 após volatilidade do mercado
Banco selecionou papéis de 13 setores diferentes, com portfólio projetando crescimento médio de lucro de 19% e retorno ao acionista de 11%
O Itaú BBA divulgou nesta quinta-feira (5) seu relatório temático “26 Ações para 2026”, selecionando os papéis mais recomendados por sua equipe de research após o período de volatilidade nos mercados. A lista abrange 13 setores da economia brasileira, além de uma aposta global no setor de tecnologia, e reflete uma visão construtiva sobre o Brasil em relação aos demais países emergentes.
Segundo o banco, o Brasil tem se destacado como um dos melhores mercados emergentes no acumulado do ano, beneficiado pela realocação de recursos além dos Estados Unidos e pela busca por ativos reais. O portfólio igual-ponderado das 26 ações projetaria crescimento médio de lucro por ação (EPS) de 19%, crescimento de EBITDA de 26,1%, retorno sobre patrimônio (ROE) de 18,5% e retorno ao acionista de 11% em 2026, negociando a 14 vezes P/L, em linha com a média histórica de 5 anos.
Vale destacar que a carteira do ano anterior, com 25 ações para 2025, rendeu retorno médio de 55%, superando o Ibovespa em 10 pontos percentuais.
As 26 ações selecionadas por setor
Agronegócio e Alimentos e Bebidas
JBS [JBS] foi escolhida pela sua plataforma diversificada, que oferece vantagem competitiva diante da volatilidade das commodities. Com atuação em mais de 20 países e marcas como Friboi, Swift, Seara e Pilgrim’s Pride, a empresa deve passar por uma reprecificação de múltiplos após sua listagem nos EUA. O banco estima um FCF yield de 8% em 2026, com o papel negociando a 6,5 vezes EV/EBITDA.
3tentos [TTEN3] se destaca por sua plataforma integrada, que combina lojas, esmagamento de soja e uma divisão de trading no Rio Grande do Sul, com expansão em curso para o Mato Grosso e outras regiões. O banco projeta crescimento de lucro de 50,6% em 2026 e CAGR de EPS de 25% em dois anos.
Bancos e Serviços Financeiros
Bradesco [BBDC4] é a principal escolha do banco no segmento de grandes bancos. A instituição vem restaurando sua capacidade de geração de receita de crédito e deve registrar crescimento de lucro de 19% em 2026, com ROE chegando a 16,6%. O papel negocia a 7 vezes P/L e 1,2 vez P/VPA, valuation considerado atrativo pelo Itaú BBA.
B3 [B3SA3] é apontada como a principal escolha em serviços financeiros. A bolsa brasileira é uma beneficiária direta da recuperação do mercado acionário, da entrada de capital estrangeiro e da eventual queda da Selic. O banco projeta crescimento de lucro líquido de 13% em 2026 e dividend yield de 7,3%, com preço-alvo atualizado para R$ 22.
Consumo e Varejo
Mercado Livre [MELI] é visto como líder absoluto do e-commerce na América Latina, com 40% de participação de mercado no Brasil em 2025. A tese de investimento combina crescimento do GMV, expansão de margens no segundo semestre e o potencial do Mercado Pago como um dos bancos digitais de maior crescimento na região. O banco projeta crescimento de lucro de 39% em 2026.
Panvel [PNVL3] é destacada como uma das melhores formas de se expor à tendência de medicamentos GLP-1 no Brasil. A rede farmacêutica, segunda maior player regional no Sul do país, deve registrar CAGR de EPS de 32% em três anos, negociando a 13 vezes P/L para 2026.
Smart Fit [SMFT3] é líder de academias na América Latina, presente em mais de 15 países. Apesar de pressões de margem no curto prazo, o banco acredita que o risco competitivo é superestimado pelo mercado, com apenas 24% das unidades no Brasil efetivamente expostas à concorrência. O papel deve negociar a 10,3 vezes P/L para 2027.
Saúde e Educação
Rede D’Or [RDOR3] é o maior grupo hospitalar privado do Brasil, com mais de 11 mil leitos. O banco projeta crescimento de EBITDA de dois dígitos em 2026 e CAGR de lucro de 19% entre 2026 e 2028, com a maturação dos hospitais em expansão e a melhora no índice de sinistralidade da SulAmérica.
Mater Dei [MATD3] vem apresentando melhora nas taxas de ocupação e nos tickets médios. O banco estima CAGR de lucro de 26% entre 2026 e 2029, com o papel negociando a 12 vezes P/L em 2026.
Yduqs [YDUQ3] é favorecida pela maior geração de caixa recente, impulsionada por ganhos de eficiência e crescimento do segmento Premium, que inclui Ibmec e medicina. O FCF yield projetado para 2026 é de 14%, com o papel negociando a apenas 6 vezes P/L.
Petróleo e Gás
PRIO [PRIO3] é apontada como uma das melhores relações risco-retorno em geração de caixa. A empresa inicia 2026 com momento operacional renovado pelo início da produção no campo Wahoo e pela assunção das operações no campo Peregrino. Com preço do Brent a US$ 60/barril, o FCF yield projetado é de 12% em 2026 e 25% em 2027.
Vibra Energia [VBBR3] se beneficia de um ambiente regulatório mais favorável para o setor de distribuição de combustíveis. O banco mantém visão positiva sobre a melhora estrutural do setor e aposta em ganhos de volume para a empresa, especialmente em etanol, caso o regime tributário monofásico avance.
Papel, Celulose, Siderurgia e Mineração
Suzano [SUZB3] é a principal escolha do Itaú BBA no setor de papel e celulose na América Latina. A empresa deve registrar crescimento de EBITDA de 14% em 2026, beneficiada pelos resultados do projeto Cerrado e por preços de celulose mais firmes no curto prazo. O banco enxerga upside de 24% pelo DCF.
Vale [VALE3] se destaca pela qualidade superior do minério de ferro e pela resiliência dos preços diante de expectativas mais pessimistas. A produção em 2025 atingiu 314 milhões de toneladas, o maior nível desde 2018. O papel negocia a 4,9 vezes EV/EBITDA, com desconto de 20% em relação às mineradoras australianas.
Imóveis
Allos [ALOS3] é o maior operador de shoppings do Brasil e da América Latina em ABL. A companhia combina histórico de alocação de capital disciplinada com dividend yield de 11,5% nos próximos 12 meses. O banco estima retorno total de 28% ao acionista em um ano.
Tenda [TEND3] está bem posicionada para capturar as condições favoráveis do programa Minha Casa Minha Vida. Com ROE de 31% em 2026 e FCF sólido, o papel negocia a apenas 6,1 vezes P/L, um desconto de 25% em relação aos pares.
Moura Dubeux [MDNE3] consolidou sua posição como o principal incorporador do Nordeste, com cerca de 25% de participação de mercado no segmento de alto padrão. A empresa acaba de entrar no segmento de baixa renda por meio de uma parceria com a Direcional, o que amplia significativamente o mercado endereçável. O banco vê upside de 40% para o preço-alvo de R$ 43.
Transporte e Bens de Capital
Embraer [EMBJ3] vive seu período de colheita, com demanda sólida, expansão de margens e desalavancagem. O banco projeta crescimento de EBIT entre 15% e 20% em 2026, com entregas crescendo 10% no ano. A TIR implícita estimada é de cerca de 14% ao ano em dólares.
GPS [GGPS3] é líder em serviços terceirizados no Brasil. A retomada do crescimento inorgânico via fusões e aquisições e a melhora da rentabilidade dos contratos herdados da GRSA devem impulsionar crescimento de lucro de 37% entre 2025 e 2026. O papel negocia a 13,5 vezes P/L.
Tecnologia, Mídia e Telecom (TMT)
Totvs [TOTS3] é descrita como um “compounder defensivo”, com cerca de 90% das receitas de caráter recorrente, altos custos de troca e receitas indexadas à inflação. O banco projeta CAGR de EPS de 25% entre 2026 e 2029, com o papel negociando a 21 vezes P/L, abaixo de sua média histórica.
Bemobi [BMOB3] vem acelerando seu segmento de pagamentos, que cresceu 32% em 2025. Com dividend yield de 8% e payout de 100% projetados para 2026, o papel negocia a 10,5 vezes P/L ajustado.
Utilidades
Axia Energia [AXIA3] é vista como um dos melhores pagadores de dividendos do setor elétrico, após resolver disputas com o governo federal e vender sua participação na Eletronuclear. Com o cenário de preços de energia mais favorável, o banco vê potencial para dividend yield médio de 15% no cenário das curvas DCIDE.
Eneva [ENEV3] é apontada como a principal escolha do Itaú BBA no setor em 2026. A empresa combina forte despacho térmico pela hidrologia fraca e potencial de criação de valor no leilão de capacidade de reserva (LRCAP 2026), com projetos como Celse 2 e Jandaia. No cenário otimista, o preço-alvo poderia chegar a R$ 26,30.
Equatorial [EQTL3] mantém histórico sólido de execução operacional e alocação de capital. O banco projeta CAGR de EBITDA de baixo dois dígitos nos próximos anos e vê a ação com TIR real implícita acima de 10%, patamar atrativo para uma empresa de alta qualidade.
Estratégia ESG
Orizon [ORVR3] é a aposta ESG do portfólio. A empresa está posicionada para se beneficiar do avanço do mercado de carbono no Brasil, com a regulamentação do SBCE prevista para os próximos anos. A companhia projeta geração de mais de 4 milhões de tCO2e em créditos certificados ao ano ao longo da próxima década, além da recente aquisição da Vital, que amplia sua presença geográfica.
Tecnologia Global
TSMC [TSMC] é a escolha do time de tecnologia global do banco. A fabricante taiwanesa de semicondutores detém mais de 70% do mercado de fundição e cerca de 90% de participação em produtos abaixo de 7nm. Com ROIC sustentável entre 20% e 25%, a empresa orienta crescimento de receita de 20% ao ano até 2029. O papel negocia a 21 vezes P/L para 2026.
Visão macro: Brasil como destino de capital
O banco destaca que o Brasil tem se beneficiado da diversificação de portfólios além dos EUA, com fluxo de capital estrangeiro relevante no acumulado do ano. A combinação de valuations atrativos, potencial de queda de juros e temas seculares como GLP-1, energia limpa e mercado de carbono sustentam a visão positiva para os ativos brasileiros em 2026.
O portfólio das 26 ações foi construído com beta médio de 1,05, crescimento de EBITDA de 26,1% e revisões positivas de estimativas de 5,9%, refletindo tanto resiliência quanto potencial de alta em um ambiente de mercado em normalização.




