Varejo do Itaú vai destravar lucro inesperado
Relatório do JP Morgan projeta crescimento de lucro acima do consenso, avanço do varejo e eficiência rumo a 30% nos próximos anos
O Itaú Unibanco pode entregar um crescimento de lucro acima do consenso e surpreender o mercado nos próximos anos. A avaliação é do JP Morgan, que reafirmou recomendação de compra para o banco e elevou o preço-alvo para dezembro de 2026 a R$ 46,00 por ação, o que representa um potencial de valorização de 15,52% em relação ao último fechamento. Em um cenário mais otimista, o valor justo poderia chegar a R$ 51,00.
O banco americano argumenta que o Itaú é visto como previsível e com upside limitado. Mesmo assim, enxerga espaço para aceleração do crescimento, impulsionado sobretudo pela estratégia de varejo e pela operação na América Latina. O relatório também detalha a evolução da rentabilidade por segmento e as principais alavancas de eficiência para a próxima década.
Crescimento de lucro pode superar 13% ao ano
O modelo-base do JP Morgan projeta um crescimento médio anual de lucro por ação em torno de 10% nos próximos cinco anos. No entanto, o cenário de alta considera que a execução do plano de expansão do varejo e da operação regional poderia elevar esse ritmo para algo entre 13% e 14%.
Esse movimento ampliaria o valor justo das ações em quase 10%. O relatório destaca ainda que historicamente o Itaú cumpre o que promete e vem de um Investor Day que, na visão do banco, marcou uma virada de postura. A instituição passou de um discurso defensivo para uma estratégia mais ofensiva no varejo, mesmo com foco em linhas de menor risco.
Varejo ganha protagonismo e mira eficiência entre 30% e 35%
O Itaú ambiciona dobrar sua carteira de varejo em cinco anos e reduzir o índice de eficiência do segmento dos atuais 44% para algo entre 30% e 35%. A maior parte dessa melhora viria da queda do custo de atendimento no varejo de massa, que ainda dilui a rentabilidade do grupo.
Se essas metas forem entregues, o JP Morgan estima que o retorno sobre o patrimônio líquido do varejo poderia migrar para a faixa de 30%. Hoje, o ROE do segmento está próximo de 26% e já mostra sinais de recuperação.
O relatório lembra que o varejo sofreu forte compressão de receitas nos últimos anos. As tarifas de serviços encolheram pela metade, pressionadas por competição com fintechs, PIX e limites regulatórios. Já o spread da carteira caiu especialmente após o teto do cheque especial em 2020. O banco projeta crescimento moderado de tarifas nos próximos anos, próximo da inflação, com destaque para gestão de recursos e serviços ligados a pagamentos.
Atacado segue forte, mas menor Selic pode reduzir NIMs
O atacado continua sendo o segmento mais rentável do Itaú, com ROE estrutural em torno de 33%. Essa performance é explicada principalmente pelo NIM, que se beneficia diretamente da taxa Selic e da liderança em cash management.
Com a projeção de que a Selic fique entre 12% e 13% no fim de 2026, o JP Morgan alerta que pode surgir algum alívio nos spreads. Em um cenário semelhante ao de 2017, quando a Selic também orbitava 12%, o ROE do atacado poderia recuar para a casa de 25%. Ainda assim, o banco acredita que ganhos estruturais de eficiência e expansão em operações de crédito com características de capital próprio podem mitigar parte desse efeito.
Além disso, a alavancagem do atacado permanece elevada, perto de oito vezes o patrimônio, o que sustenta a rentabilidade. O custo do crédito segue baixo, embora haja expectativa de alguma deterioração diante da piora recente da inadimplência corporativa no mercado.
Atualização do modelo e previsões para 2025 e 2026
Após os resultados do terceiro trimestre de 2025, o JP Morgan manteve praticamente inalteradas suas projeções de lucro recorrente. O banco estima R$ 47 bilhões para 2025 e R$ 52 bilhões para 2026, com ROE de 23,5% e 24% respectivamente. As estimativas estão de 1% a 2% acima do consenso da Bloomberg.
O relatório destaca o debate sobre a possível aprovação da faixa de isenção de imposto de renda até R$ 5 mil. A medida pode trazer consequências para tributação de dividendos e acelerar discussões sobre remuneração extraordinária. O JP Morgan trabalha com distribuição de R$ 20 bilhões em dividendos considerando CET1 em 12%, mas admite que um movimento em direção a 11,5% poderia abrir espaço para algo próximo de R$ 30 bilhões, embora veja essa opção como menos provável.



