JHSF3 registra lucro histórico de R$ 1,9 bilhão em 2025 com crescimento em todos os segmentos
Resultado recorde da holding de luxo foi impulsionado pela maior venda de estoque imobiliário da história do mercado brasileiro e por crescimento consistente nos negócios de renda recorrente
A JHSF Participações registrou em 2025 o melhor resultado de sua história. O lucro líquido consolidado chegou a R$ 1,86 bilhão, alta de 116,9% frente a 2024, com receita bruta de R$ 3,7 bilhões, crescimento de 112% na mesma base de comparação. O EBITDA Ajustado saltou 145%, para R$ 1,8 bilhão. Os números foram divulgados na segunda-feira (30), e as ações JHSF3 reagiram com forte alta no pregão desta terça-feira (31).
O evento que transformou o balanço da JHSF
O principal vetor dos resultados consolidados foi a venda, em dezembro de 2025, de estoques do segmento de Incorporação para um fundo de investimento imobiliário (FII) estruturado pela própria JHSF Capital. A transação totalizou R$ 5,2 bilhões, superando a estimativa inicial de R$ 4,6 bilhões, e representou o maior IPO da história do mercado imobiliário brasileiro.
Os projetos vendidos incluem empreendimentos como Boa Vista Village, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club Residences, Boa Vista Estates e Fazenda Santa Helena. O recebimento ocorre em duas tranches: R$ 3,491 bilhões já liquidados em dezembro de 2025, e R$ 1,744 bilhão previsto para dezembro de 2026.
A operação reconfigurou completamente a estrutura de capital da companhia. A JHSF saiu de uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre para um caixa líquido de R$ 2,3 bilhões ao final do ano, com caixa bruto de R$ 5,4 bilhões e cobertura de amortização de dívida ampliada de 2,2 para 7,2 anos.
Para os analistas Bruno Mendonça, Pedro Lobato e Herman Lee, do Bradesco BBI, os resultados foram sólidos, com destaque para o fato de que o valor patrimonial líquido (NAV) estimado para a companhia é de R$ 11,9 bilhões, mais do que o dobro do valor de mercado registrado até o fechamento do pregão anterior, de R$ 5,9 bilhões. O banco mantém classificação “outperform” e preço-alvo de R$ 10 para JHSF3.
Renda recorrente cresce dois dígitos mesmo sem o efeito extraordinário
Ainda que a venda dos estoques tenha dominado os números consolidados, os negócios de renda recorrente da JHSF entregaram resultados igualmente relevantes por conta própria. A receita bruta do segmento somou R$ 1,4 bilhão em 2025, alta de 28% frente ao ano anterior, com EBITDA Ajustado de R$ 658 milhões e margem de 51%, a maior desde o início da série histórica da companhia.
O BB Investimentos destacou esse ponto em relatório: mesmo ao considerar apenas os negócios de renda recorrente, a receita somou R$ 1,3 bilhão no ano, crescimento de 26,6% frente a 2024.
Nos shoppings, as vendas consolidadas dos lojistas atingiram R$ 4,7 bilhões, crescimento de 12,5% na comparação anual, com taxa de ocupação de 99,2% ao final do ano. O Shopping Cidade Jardim se destacou com alta de 18,8% nas vendas e ocupação plena de 100%. O aluguel nas mesmas lojas (SSR) cresceu 11,5%, resultado que se mantém em trajetória de dois dígitos há nove trimestres consecutivos.
Em hospitalidade e gastronomia, a receita líquida consolidada foi de R$ 459,1 milhões, avanço de 13,1%. A diária média dos hotéis cresceu 10,9% no ano e o couvert médio dos restaurantes avançou 8,1%. O segmento opera atualmente com 11 hotéis e 34 restaurantes em funcionamento, além de oito novos hotéis em desenvolvimento, incluindo unidades em Milão, Londres, Miami e Sardenha.
O aeroporto executivo São Paulo Catarina foi o segmento de maior crescimento operacional da companhia: os movimentos de aeronaves subiram 55,9% no ano e os litros abastecidos avançaram 37,6%. Em dezembro de 2025, a operação conquistou também a liderança em movimentos nacionais, consolidando-se como a principal infraestrutura de aviação executiva do estado de São Paulo. A sexta expansão do aeroporto já foi iniciada, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2026.
No segmento de residências e clubs, a receita bruta mais que dobrou, chegando a R$ 228,3 milhões, crescimento de 117,3%. A taxa de ocupação das unidades residenciais se manteve próxima a 100%, e dois novos clubs foram inaugurados em 2025: o Fasano Tennis Club e o São Paulo Surf Club.
Visão dos analistas: resultado misto na incorporação, força na renda recorrente
Para João Tonello, analista pleno da NMS Research, o resultado do 4T25 pode ser classificado como misto. Segundo ele, os ativos de renda recorrente mantiveram taxas de ocupação próximas a 98% e crescimento de vendas nas mesmas lojas acima da inflação, com margens EBITDA superiores a 40% no segmento de luxo. No entanto, o analista aponta que o segmento de incorporação ainda reflete o ciclo de juros elevados e a seletividade nos lançamentos, impactando o ritmo de reconhecimento de receita frente ao ano anterior.
Tonello também destaca que o custo financeiro atrelado ao CDI continuou pressionando o lucro líquido final ao longo do trimestre, e que os investimentos em projetos internacionais e expansões do aeroporto elevaram o consumo de capital no curto prazo. A recomendação da NMS Research é de compra do ativo acima de R$ 9,00, com stop sugerido em R$ 8,40 para quem já tem posição.
O Bradesco BBI reforça o argumento de valuation atrativo: a JHSF é negociada a 0,5 vezes o NAV e 6,0 vezes o EV/EBITDA da renda recorrente, contra 9,4 vezes das companhias de shoppings listadas em bolsa, sem que o mercado atribua qualquer valor à unidade de incorporação. Para os analistas do banco, isso parece excessivamente conservador.
JHSF Capital quadruplica AUM e entra no ranking das maiores gestoras de alternativos
Um dos destaques menos comentados do resultado foi o avanço da JHSF Capital, gestora de ativos da companhia. Em apenas três anos de operação, a gestora terminou 2025 com R$ 10,3 bilhões em ativos sob gestão, crescimento de mais de quatro vezes frente ao final de 2024, quando o AUM era de R$ 2,5 bilhões. Com isso, a JHSF Capital entrou para o ranking das dez maiores gestoras de ativos alternativos do Brasil.
O crescimento foi impulsionado pelo FII JHSF Capital Malls (JCCJ11), que captou R$ 780 milhões no quarto trimestre, e pelo FII de Desenvolvimento Imobiliário responsável pela aquisição dos estoques de incorporação. A gestora administra atualmente 17 fundos nacionais e internacionais.
Próximos passos e expansão do portfólio
Com landbank de aproximadamente R$ 30 bilhões em VGV potencial e diversas obras em andamento, a JHSF sinaliza continuidade do crescimento para 2026. Entre os destaques do pipeline estão a abertura do Boa Vista Village Town Center, prevista para meados do ano, as obras do Shops Faria Lima, a expansão do Shopping Cidade Jardim com novas flagships de Hermès, Chanel, Dior e Tiffany, além de novos hotéis Fasano em Milão, Londres e Miami.
No segmento residencial, 56 novas unidades de locação estão em desenvolvimento com entrega prevista para 2026, além da expansão da Usina SP e da continuidade do programa de memberships dos clubs.

