J.P. Morgan projeta rali com início de queda de juros
Brasil Destaque Entre Emergentes, Diz o Banco
São Paulo — O J.P. Morgan afirma que o rali brasileiro de 2025 refletiu, sobretudo, ventos externos — em especial a fraqueza do dólar —, mas projeta que 2026 marcará um ponto de inflexão, com o país emergindo como um dos poucos mercados capazes de entregar retornos acima da média. O banco destaca dois motores: o ciclo de cortes de juros previsto para o primeiro trimestre e a dinâmica eleitoral mais intensa em duas décadas.
Segundo o banco, o real carrega o maior juro do planeta, força que derrubou a inflação e abriu espaço para flexibilização monetária. O comitê do Banco Central deve iniciar cortes de 50 pontos-base por reunião, acumulando entre 350 e 400 pontos-base de redução ao longo do ano. “O impacto sobre ações tende a ser expressivo”, afirma a equipe liderada por Rajiv Batra.
A conjuntura eleitoral, porém, adiciona volatilidade. O pleito de outubro, visto como altamente competitivo, cria um ambiente binário: o mercado pode renovar máximas após o início dos cortes ou mergulhar numa correção profunda caso investidores interpretem risco fiscal adiante.
Metas e Cenários
O banco define 190 mil pontos como projeção-base para o Ibovespa no fim de 2026 — mas ressalta que esse é o ano mais difícil em uma década para fixar alvos de fim de ciclo. O motivo é a divergência entre dois vetores: juro estruturalmente mais baixo, que impulsiona múltiplos, versus incerteza fiscal pós-2027.
O relatório lembra que, apesar da valorização robusta em 2025, o Brasil segue entre os mercados mais descontados, negociando abaixo da média histórica e com múltiplos inferiores aos de seus pares emergentes. Sete de dez setores ainda operam com P/L abaixo do padrão global.
O avanço dos lucros deve ser modesto — baixa casa de um dígito — refletindo a desaceleração do PIB de 2% para 1%. Mas custos financeiros menores tendem a sustentar margens no segundo semestre.
Calendário Crítico
O J.P. Morgan mapeia marcos que definem o rumo dos ativos brasileiros:
28 de janeiro – Reunião do Copom que pode iniciar o ciclo de cortes.
18 de março – Segunda janela provável de flexibilização se o corte não ocorrer em janeiro.
Semana de 23 de fevereiro – Reativação legislativa e articulação mais clara das campanhas.
4 de abril – Prazo final para renúncia de cargos públicos por candidatos, incluindo eventual saída de Tarcísio de Freitas do governo paulista.
4 e 25 de outubro – Primeiro e segundo turno das eleições.
1º de janeiro de 2027 – Posse do novo governo.
Riscos
O maior foco está no cenário político. Uma eleição incerta, combinada com deterioração fiscal ou hesitação do Banco Central em iniciar cortes, pode reduzir o prêmio de risco do Brasil. Uma desaceleração global mais aguda também teria impacto relevante.
Top Picks do J.P. Morgan
O banco destaca empresas expostas a juros menores e crescimento doméstico.
Ações favoritas
NU Holdings – ROE robusto, tese de penetração bancária.
Rede D’Or – Expansão e eficiência operacional.
Embraer – Forte backlog e ciclo favorável em aeronaves.
Cyrela – Lucratividade elevada e valuations atrativos.
RaiaDrogasil – Crescimento defensivo.
Suzano – Exposição ao dólar e ciclo positivo de celulose.
Menos preferidas
Telefônica Brasil
Tupy
Hapvida
Visão por Setor
Setores beneficiados pela queda dos juros lideram a lista de recomendações:
Overweight: Financeiro, Industriais, Utilities, Saúde
Underweight: Energia, Materiais, Tecnologia, Staples
Neutro: Consumo Discricionário, Comunicações
O Brasil mantém postura Overweight no portfólio emergente do banco.
Conclusão
Para o J.P. Morgan, 2026 será o ano mais binário da última década no Brasil. O rali de 2025 foi global; o próximo movimento dependerá da política monetária doméstica e da disputa presidencial. “O mercado deve acelerar com o início do ciclo de cortes, mas o desfecho eleitoral definirá se o Ibovespa encerra o ano em cenário de euforia ou frustração”, conclui o relatório.





