Leblon Equities zera Micron e Mills e aumenta posição em WEG e Nubank
Gestora carioca eleva caixa para cerca de 20% após realizar lucros em teses de semicondutores; foco agora está em ações brasileiras de qualidade e infraestrutura financeira global, segundo a casa.
A Leblon Equities encerrou duas de suas principais teses de investimento, Micron (MU) e Mills (MILS3), elevou seu caixa para cerca de 20% e iniciou uma nova rotação de carteira, ampliando posições em WEG (WEGE3),Nubank (NU), Coinbase (COIN) e Uber (UBER), de acordo com a gestora em seu call trimestral do segundo trimestre de 2026.
Diante da expectativa de juro elevados por mais tempo no Brasil e das transformações no cenário tecnológico global, a reorganização da carteira aproveita momentos de volatilidade para montar posições em empresas com balanços sólidos e baratas.
A carteira atual da Leblon Equities
O fundo principal, Leblon Ações, mantém uma estrutura dividida em três pilares: um terço em tecnologia global, um terço em teses de engajamento ativo (Pipes) e um terço em ações brasileiras de alta liquidez.
Top 10 — Leblon Ações
Mills (MILS3) - em liquidação
Priner (PRNR3)
Nubank (NU)
TSMC (TSM)
B3 (B3SA3)
Rede D’Or (RDOR3)
Petrobras (PETR4)
Cyrela (CYRE3)
Alphabet (Google)
WEG (WEGE3)
Na estratégia Leblon Pipes, focada em empresas de média e pequena capitalização, Mills e Priner somadas ainda representam cerca de 45% da carteira, seguidas por Bemobi (BMOB3), Brisanet (BRST3), Blau Farmacêutica (BLAU3), Espaçolaser (ESPA3) e Locaweb (LWSA3).
Já no Leblon Global, a alocação em semicondutores encolheu de 45% para cerca de 30% após o ajuste em Micron, com o fundo mantendo exposição a companhias de infraestrutura de nuvem, mobilidade e ativos digitais.
Realização de lucros: Micron e Mills
A maior realização de lucros do trimestre ocorreu na fabricante de memórias Micron Technology, onde a gestora montou posição quando a ação negociava abaixo de US$ 80 e, com o avanço da Inteligência Artificial, acompanhou a transição do papel dentro do segmento de memórias HBM3 e HBM4. Quando os papéis atingiram a faixa entre US$ 800 e US$ 850, a casa vendeu opções de compra (calls) com strike em US$ 700, zerando na prática a exposição líquida.
Outra saída informada foi na Mills, companhia que contava com participação da gestora no conselho de administração. A posição foi encerrada após o acordo definitivo de aquisição da empresa pela europeia Loxam, com prêmio superior a 20% sobre a cotação de tela. Segundo números apresentados pela Leblon, o investimento gerou 85 pontos percentuais de retorno histórico para o Leblon Ações e 49 pontos percentuais para o Leblon Pipes.
Compras e reforço de posições: WEG, Nubank e ativos globais
Os recursos gerados pelas vendas foram direcionados para novas alocações. No mercado local, o destaque foi a entrada na WEG (WEGE3), que já representa 4% do fundo principal. Segundo Marcelo Mesquita e Pedro Chermont, sócios e gestores da Leblon Equities, a fatia pode aumentar conforme a dinâmica de preços.
A compra chega depois de anos em que a gestora acompanhava a empresa à distância, freada por restrições de valuation. A decisão final se apoiou em um relatório interno recente, que calculou um valor justo de R$ 46,20 para a ação da WEG - ante uma cotação de R$ 45,00 na época. O relatório reconheceu que o papel historicamente negocia com múltiplos elevados, ao redor de 30 vezes lucro, mas os considera justificáveis pela qualidade do ativo.
A gestora também informou ter aproveitado o recuo das ações do Nu Holdings (Nubank) para a faixa de US$ 11,00 para aumentar expressivamente sua participação, alçando o papel ao grupo das cinco maiores posições da casa e tratando-o como forte candidato a nova tese estrutural de longo prazo. A convicção dos sócios apoia-se no gigantesco pool de lucros do setor bancário no Brasil, no México e nos Estados Unidos, somado à vantagem estrutural do Nubank, que opera com uma estrutura de custos muito mais leve que a dos bancos tradicionais. Para a Leblon, quedas causadas por trimestres pontualmente mais fracos - como o aumento da PDD ou a diluição temporária do ROE com a expansão no mercado mexicano — representam ruídos que abrem oportunidades de entrada, e não perdas de fundamento estrutural.
No segmento de mid caps (empresas de capitalização média), a gestora iniciou alocações táticas na Espaçolaser (ESPA3) - aproveitando o desconto gerado pela saída de um fundo de private equity - e na Locaweb (LWSA3).
No exterior, a casa destacou o ganho de peso da Coinbase, que passou a responder por 9% do Leblon Global. A tese apresentada pelos gestores baseia-se na evolução da empresa para uma infraestrutura de moedas estáveis (USDC), rede Base e tokenização de ativos. Posições em Uber - cujo valuation é avaliado pelos gestores como atraente - e Cloudflare também foram ampliadas.
Rotina operacional
Como parte da apresentação de seus processos internos, os sócios detalharam o uso de ferramentas proprietárias de Inteligência Artificial para automação de relatórios e triagem diária de dados de cerca de 380 empresas cobertas. Segundo a equipe da Leblon, o recurso tem sido utilizado para agilizar o levantamento inicial de informações e permitir que os analistas dediquem mais tempo ao contato direto com os executivos das companhias.
Assista à call trimestral do 2T26 completa abaixo:




