Mapa semanal: Tensão EUA x China de novo?
Confira o relatório de recomendações das principais casas
A nova escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China ditará o tom dos mercados na próxima semana, segundo o economista Leandro Manzoni, do Investing. O presidente americano Donald Trump anunciou tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses e restrições à exportação de softwares críticos, em resposta ao controle chinês sobre terras-raras e semicondutores. O movimento reforça o clima de aversão ao risco, que pode se estender ao início da próxima semana.
Nos Estados Unidos, o apagão de dados causado pela paralisação parcial do governo aumenta a relevância do Livro Bege do Federal Reserve, a ser divulgado na quarta-feira (15), e das falas de dirigentes do banco central durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial. A expectativa é que o Fed mantenha os juros entre 4% e 4,25% diante das incertezas.
No Brasil, a agenda traz dados de atividade de agosto – vendas no varejo, serviços e o IBC-Br – além do Boletim Focus, que deve seguir sem alterações nas projeções de inflação para 2027.Rentabilidades Setembro
De olho nos gráficos: dicas de trade
Weg [WEGE3]
As ações da Weg iniciaram uma operação de swing trade e vêm de rompimento de uma linha de tendência de baixa, sustentadas por aumento de fluxo comprador no gráfico diário. O papel é negociado a R$ 37,44, com stop em R$ 34,46. “A Weg mostrou seu melhor fechamento desde o início de setembro, o que reforça o sinal positivo”, avaliou Filipe Borges, analista técnico da NMS Research. Os alvos projetados pelo analista são R$ 39,35 e R$ 50,25, faixa em que o ativo fecharia um gap de preço. “Gosto muito dessa região de suporte, que oferece um potencial de valorização de até 34%”, disse.
Vibra [VBBR3]
Vibra Energia segue em movimento de alta, com o ativo sendo negociado próximo ao preço de entrada de R$ 23,62 e stop em R$ 22,15. O plano de operação prevê realização parcial em R$ 24,96 e alvo final em R$ 29,99. “O papel vem mostrando uma estrutura técnica positiva e aumento de volume, com retração de 50% e padrão de alargamento que favorece compras”, explicou Borges. Segundo o analista, o volume do dia 7 de outubro foi o maior desde fevereiro, quando o ativo marcou fundo em R$ 15,00. “Estamos posicionados com um bom potencial de lucro à frente”, destacou.
Petrobras [PETR4]
As ações da Petrobras romperam o suporte em R$ 30,17 e voltaram a apontar para baixo, com espaço técnico para cair até R$ 29,15. “O papel está abaixo da linha de tendência de baixa principal e, enquanto permanecer nessa região, prefiro ficar fora das operações de compra”, afirmou Borges. O analista destacou que só voltaria a considerar compras em áreas de suporte relevantes. “Assim que Petrobras romper a LTB no gráfico semanal, como já vimos em Vale, o cenário pode mudar e as oportunidades de compra voltam ao radar”, completou.
Relatórios da semana
- BTG Pactual
Cury (CURY3)
A Cury registrou um trimestre sólido, com R$ 1,83 bilhão em vendas líquidas (+27% a/a) e lançamentos de R$ 2 bilhões. O BTG ressaltou o 26º trimestre consecutivo de geração de caixa positiva, de R$ 233 milhões, com yield anualizado de 10%. A casa vê a companhia mantendo execução consistente e controle financeiro, mesmo com a expansão do volume de obras e o ambiente competitivo mais intenso.
Cyrela (CYRE3)
A Cyrela reportou R$ 3,55 bilhões em vendas líquidas (+11% a/a), exatamente em linha com as projeções otimistas do BTG. Os lançamentos totalizaram R$ 5,05 bilhões (+62% a/a), com 41% vendidos no próprio trimestre, o que demonstra demanda firme. Para o banco, o desempenho reforça a solidez operacional da companhia, mesmo em um ambiente macro mais restritivo para média e alta renda.
Plano&Plano (PLPL3)
A Plano&Plano teve um trimestre de lançamentos recorde, de R$ 2,14 bilhões (+99% a/a), acima das estimativas do BTG. As vendas líquidas chegaram a R$ 1,02 bilhão, com velocidade de 16%. A geração de caixa foi de R$ 109 milhões, apoiada por vendas de recebíveis, e o consumo recorrente ficou em apenas R$ 29 milhões. O BTG avalia que a empresa segue bem posicionada no novo ciclo do Minha Casa, Minha Vida.
Varejo & Consumo
Durante a CEO Conference LatAm, o BTG observou que o sentimento em relação ao varejo brasileiro é de “curiosidade cautelosa”. Juros altos e endividamento das famílias ainda limitam o consumo, mas investidores estrangeiros mostraram mais otimismo, apostando em recuperação gradual com o avanço da flexibilização monetária. O interesse segue concentrado em empresas de maior liquidez, como Mercado Livre, RaiaDrogasil, Lojas Renner, Assaí e Smartfit.
20Prime – Ações globais
O BTG elevou o preço-alvo de 12 meses para o S&P 500 a 7.300 pontos, apontando potencial de alta de 11,6%. A casa revisou as projeções de PIB dos EUA para 2,0% em 2025 e 2,1% em 2026, sustentadas por consumo forte e cortes de juros esperados. O banco segue confiante nas ações americanas, com preferência por empresas de qualidade e temas estruturais como inteligência artificial e produtividade.
- Itaú
Cenário Global
O Itaú revisou para cima as projeções de PIB dos EUA, agora em 2,0% em 2025 e 2,1% em 2026, e segue prevendo três cortes de juros pelo Fed até janeiro de 2026. Na Europa, o crescimento deve ser de 1,1% em 2025 e 1,2% em 2026, enquanto a China deve avançar 4,7% e 4,0%, respectivamente. Para a América Latina, o banco manteve as projeções praticamente inalteradas.
Cenário Brasil
O Itaú manteve o câmbio projetado em R$/US$ 5,35 para 2025 e R$/US$ 5,50 para 2026, com leve melhora na conta corrente. O PIB deve crescer 2,2% em 2025 e 1,5% em 2026, com mercado de trabalho ainda resiliente, mas em desaceleração gradual. A inflação foi revisada para 4,7% em 2025 e 4,3% em 2026, refletindo queda nos preços de alimentos. O resultado primário deve ser de -0,6% e -0,8% do PIB, respectivamente. O Copom deve iniciar o ciclo de cortes apenas no 1T26, levando a Selic a 12,75% ao ano.





