Mercado Livre: a engrenagem que move PMEs, fintechs e consumidores no Brasil
Relatório do BTG Pactual destaca o impacto do Mercado Livre na economia brasileira, com PMEs gerando R$ 381 bilhões, avanço do Mercado Pago e entregas rápidas reforçando vantagem competitiva
O BTG Pactual reforçou em relatório que o Mercado Livre já não é apenas um marketplace, mas um ecossistema que combina comércio, fintech, logística e publicidade digital em uma mesma plataforma. Essa integração criou um ciclo virtuoso: vendedores encontram em um só lugar soluções de pagamento, crédito, marketing e entrega, enquanto compradores desfrutam de prazos rápidos, variedade de produtos e opções de financiamento. O resultado foi uma consolidação da liderança no país e a construção de um modelo difícil de replicar.
Em 2024, o impacto do Mercado Livre sobre a economia brasileira foi expressivo. Pequenas e médias empresas que utilizam a plataforma movimentaram R$ 381 bilhões, equivalente a 3,2% do PIB. São 5,8 milhões de PMEs ativas, das quais quase 60% dependem diretamente da companhia como principal fonte de receita. Além disso, dois terços obtiveram sua primeira linha de crédito pelo Mercado Pago, evidenciando o papel da empresa na inclusão financeira. Essas empresas criaram 111 mil empregos no ano passado, e a rede de 19 centros logísticos ajudou a descentralizar o desenvolvimento econômico.
A frente de fintech se tornou um braço essencial na fidelização. O Mercado Pago processou R$ 286 bilhões em vendas de PMEs em 2024, com 60% dessas empresas registrando crescimento ao adotar os meios de pagamento da plataforma. A integração do Pix e do Open Finance ampliou o alcance e trouxe 6 milhões de consentimentos que permitiram melhorar a oferta de crédito. Esse volume de dados fortalece a capacidade do Mercado Livre em avaliar riscos e ampliar a base de clientes.
Outro pilar destacado pelo BTG é a eficiência logística. Hoje, 56% das encomendas são entregues em até um dia, consolidando uma vantagem competitiva em um mercado cada vez mais disputado. O Brasil é o mercado mais dinâmico da companhia, combinando o avanço do comércio eletrônico com a rápida adoção de soluções financeiras. Ao mobilizar quase R$ 100 bilhões em benefícios diretos para PMEs e contribuir com mais de 3% do PIB, a empresa já é vista como peça estrutural da economia digital do país.
O grande desafio daqui para frente está em equilibrar crescimento e monetização. A expansão em anúncios digitais e serviços financeiros deve ser feita sem comprometer a rentabilidade dos parceiros. A concorrência também ganha força: players internacionais adotam modelos locais inspirados no Tmall e a Amazon voltou a investir pesado em incentivos. No entanto, o BTG ressalta que a profundidade do ecossistema MELI cria barreiras robustas à competição.
Na avaliação de mercado, o papel não está barato. O Mercado Livre negocia a 42 vezes o lucro projetado para 2026, múltiplo que exige uma execução quase perfeita. A reprecificação das ações dependerá da capacidade de acelerar o crescimento enquanto melhora gradualmente a lucratividade.

