Minerva [BEEF3] desaba mais de 10% com resultados do 3T25; Mercado exagerou?
Apesar de resultados sólidos e geração de caixa recorde de R$ 2,4 bilhões no 3T25, ações da Minerva [BEEF3] despencam mais de 10% após divulgação.
As ações da Minerva [BEEF3] desabaram mais de 10% nesta quinta-feira (6), atingindo mínima de R$ 6,41, mesmo após a companhia apresentar um balanço sólido no 3º trimestre de 2025, com alta de 82% na receita, EBITDA em expansão e geração recorde de caixa livre.
O movimento foi lido por analistas como exagerado, refletindo preocupações pontuais com margens e custos, mais do que fragilidade operacional.
Receita dispara, mas margens apertam
A Minerva registrou receita líquida de R$ 15,5 bilhões no 3T25, avanço de 82% na comparação anual e 11% sobre o trimestre anterior.
O desempenho foi impulsionado pelo crescimento de 49% nos volumes exportados e alta de 83% nas vendas externas, com destaque para China e América do Norte.
O EBITDA ajustado somou R$ 1,4 bilhão, avanço de 71% em relação ao ano anterior, mas 5% abaixo das projeções do JP Morgan e ligeiramente aquém do consenso de mercado, devido à pressão nos custos de gado e margens mais estreitas.
A margem bruta recuou 4,4 pontos percentuais, para 16,5%, um dos níveis mais baixos em uma década, reflexo da alta de cerca de 20% nos preços do boi no Brasil e da inflação de custos nas operações internacionais.
“O crescimento foi excepcional, mas o mercado se concentrou na compressão de margens e no aumento das despesas financeiras”, resume Reydson Mattos, estrategista da NMS Research.
Geração de caixa histórica impressiona analistas
Se as margens decepcionaram parte dos investidores, o fluxo de caixa livre surpreendeu.
A Minerva gerou R$ 2,4 bilhões em FCF, segundo o JP Morgan, ou R$ 2,5 bilhões, conforme o BTG Pactual — um recorde histórico, resultado do destravamento de R$ 1,6 bilhão em estoques e da eficiência no capital de giro.
O BTG destacou que o ciclo de conversão de caixa da empresa ficou negativo em 31 dias, o melhor nível já registrado, significando que a companhia gera caixa conforme cresce, uma característica rara entre processadoras de proteína.
Segundo o banco, isso dá à Minerva motivação para acelerar o crescimento, mesmo em um ambiente de margens mais apertadas.
“O modelo da Minerva converte mais caixa do que lucro, o que é incomum e extremamente positivo em um contexto de juros altos”, aponta o relatório do BTG.
Alavancagem em queda e dividendos no horizonte
A dívida líquida caiu para R$ 12,2 bilhões, levando o índice de alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) a 2,7x, frente a 3,6x no trimestre anterior.
A companhia mantém a política de distribuir 50% dos lucros em dividendos quando a alavancagem cair abaixo de 2,5x, patamar que pode ser atingido ainda neste ano, conforme estimativas do BTG.
Na conference call, a administração reforçou que a discussão sobre dividendos voltará à pauta no 4T25, dependendo da evolução da dívida e do fluxo de caixa.
A expectativa é de que a empresa encerre 2025 com geração de R$ 1,5 bilhão em caixa e alavancagem abaixo de 2,5x.
Perspectivas e riscos: margens, gado e demanda chinesa
A administração reconheceu que as margens foram afetadas pelo custo do gado, mas sinalizou melhora operacional à frente, com despesas gerais e administrativas (SG&A) estabilizando em torno de 10% da receita.
A companhia também projetou um EBITDA de R$ 1,4 bilhão no 4T25, estável frente ao trimestre anterior, mesmo com previsão de queima de caixa de R$ 500 milhões por conta de maiores investimentos e sazonalidade de estoques.
Na frente comercial, o CEO da Minerva observou que as exportações recordes para a China (200 mil toneladas por mês) devem se normalizar no 4T, embora os baixos estoques nos portos chineses e a queda na produção doméstica devam amortecer a desaceleração.
“Há receio sobre o ciclo do gado e sobre o ritmo da demanda chinesa, mas o mercado parece ter ignorado a força estrutural do balanço e do fluxo de caixa”, avalia Reydson Mattos.
Reação do mercado e visão dos bancos
Apesar do desempenho operacional positivo, as ações da Minerva despencaram 11%, refletindo preocupações de curto prazo com margens e custo do capital.
Tanto o JP Morgan quanto o BTG Pactual mantêm recomendação Neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 8,00.
O JP Morgan acredita que o mercado deve revisar ligeiramente para baixo as estimativas de EBITDA, mas ressalta que o forte caixa e a redução da alavancagem limitam revisões negativas.
O BTG, por sua vez, questiona a sustentabilidade da geração de caixa tão robusta, mas reconhece que a companhia segue em trajetória consistente de desalavancagem e ganho de eficiência.
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