Mundo se prepara para mais juros
Mercado ajusta expectativa para um mundo de mais inflação e aperto na política monetária causada pelo choque de energia
Agenda da Semana
A semana entre 23 e 27 de março deve manter a política monetária no centro das atenções, em meio ao avanço do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre inflação e juros.
No Brasil, investidores acompanham a ata do Copom na terça-feira (24) e o Relatório de Política Monetária na quinta-feira (26), com coletiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A ata deve esclarecer o processo de calibração que levou ao corte da taxa Selic de 15% para 14,75%, além de abordar impactos fiscais de medidas recentes do governo.
Nos Estados Unidos, o mercado já não projeta cortes em 2026 e passa a considerar manutenção ou até alta das taxas diante da pressão inflacionária ligada à alta do petróleo.
O cenário global segue marcado por maior aversão a risco. A escalada do conflito elevou os preços de energia e ampliou temores de recessão, com queda em metais industriais e mudança na percepção de que a guerra pode ser mais longa e disruptiva para a oferta global.
Rentabilidade das principais classes
EVENTO PRESENCIAL
No dia 24/03, às 18h30, vamos realizar a segunda edição do evento “Onde Investir em 2026”.Desta vez receberemos Gabriel Barros, economista-chefe da ARX e ex-diretor do Tesouro Nacional, em um painel junto com três especialistas da Nomos para discutir cenário macro e oportunidades de investimento em 2026 .
O evento será presencial para clientes no escritório da Nomos em São Paulo.
Todo mês, a Nomos se reúne para transmitir a melhor forma de pensar seus investimentos.
Nosso especialistas Beto, Diogo e Max transmitiram as projeções dos principais ativos da economia (com beto) da renda fixa (com diogo) e das ações (Max Bohm).
De olho nos gráficos
Ibovespa [IBOV]
O Ibovespa vive um momento de deterioração técnica relevante. O índice consolidou uma tendência de baixa no gráfico diário, com topos e fundos já confirmados, além de ter rompido uma linha de tendência de alta (LTA) que sustentava o movimento desde outubro do ano passado. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o quadro abre margem para novas perdas nas próximas semanas. "O índice Ibovespa deve buscar a região entre 165 e 166 mil pontos nos próximos dias, o que representa uma queda esperada entre 5% e 7% nas próximas duas semanas", afirmou o analista.
Vale [VALE3]
No radar das ações individuais, a Vale (VALE3) segue o mesmo caminho. Borges já havia alertado anteriormente sobre a importância de se observar o rompimento do suporte nos R$ 82,00, nível que acabou cedendo. Desde então, o papel recuou para a faixa dos R$ 75,00, e o analista projeta novas quedas à frente. O próximo alvo técnico da mineradora está na região de R$ 61,90. "Há espaço para a Vale corrigir bem ainda nos próximos dias, em torno de 15% a 17%, e já começamos a observar alguma operação na ponta compradora para quem busca uma entrada", destacou Borges.
Bitcoin
No mercado de criptomoedas, o Bitcoin também enfrenta resistência. O ativo testou uma região de order block, zona de retração relevante, e falhou no rompimento, sinalizando retorno da pressão vendedora. O analista da NMS Research projeta que a criptomoeda deve testar em breve a LTA na faixa dos US$ 66.700. A perda desse suporte, segundo Borges, abriria caminho para quedas mais acentuadas, com primeiro alvo em US$ 56.000. O cenário mais pessimista contempla uma ruptura do suporte dos US$ 60.000 e um movimento em direção aos US$ 45.000.
Petrobras [PETR4]
Já a Petrobras (PETR4) apresenta um sinal de possível exaustão após uma forte valorização. No gráfico semanal, o papel formou um candle de exaustão de movimento e atingiu a região-alvo de R$ 47,50 projetada anteriormente, negociando agora próximo dos R$ 45,00. Vale lembrar que, desde as mínimas registradas na semana de 5 de janeiro, o ativo chegou a acumular alta de 62%, recuando para cerca de 51% de valorização desde o fundo. Diante disso, Borges recomenda cautela. "Vale a pena uma proteção do capital, uma zeragem de pelo menos o capital principal, e ficar com as ações que já entregaram boa valorização para partir para a próxima oportunidade", avaliou o analista. Ele também chama atenção para o cenário externo: uma resolução positiva no conflito geopolítico e a reabertura do Estreito de Ormuz poderiam pressionar o preço do petróleo para baixo com o retorno de nova oferta ao mercado, o que também pesaria sobre os papéis da estatal brasileira.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Economia em Destaque - XP
Conflito no Oriente Médio derruba infraestrutura energética no Golfo e empurra o Brent a US$ 110/barril (+76% no ano). Bancos centrais ao redor do mundo mantêm juros e adotam postura de cautela. Fed descarta corte em 2026 e mercado só espera alívio em 2027.
No Brasil, Copom inicia ciclo de corte com Selic a 14,75%. XP projeta reduções adicionais até 12,75%, mas alerta para riscos inflacionários. Greve dos caminhoneiros é evitada após negociações, e Dario Durigan assume o Ministério da Fazenda no lugar de Haddad.
Confiança no judiciário & Imagem dos ministros do STF - Atlas/Estadão
Pesquisa Atlas/Estadão com 2.090 brasileiros (16 a 19/03) mostra o STF como uma das instituições menos confiadas do país: 60% desconfiam da corte, marca recorde na série histórica. Entre todas as instituições avaliadas, só o Congresso Nacional tem índice pior (86% de desconfiança).
Auren - Safra
O Safra eleva a recomendação de Auren (AURE3) de Neutro para Outperform, com novo preço-alvo de R$ 14,10 (antes R$ 9,60).
A tese se apoia em três pontos: redução da exposição a preços de energia em 2026/2027 com reposicionamento para se beneficiar da alta de longo prazo a partir de 2028; recebíveis de ativos não depreciados da Cesp e indenizações por curtailment aprovadas em lei, que somam ~R$ 1,8bn ao valor justo; e TIR estimada de ~13%, acima da média setorial de ~10%. A alavancagem elevada (5,7x dívida líquida/EBITDA em 2026) deve recuar para 3,5x em 2028 com a melhora da geração de caixa.
Equity Strategy - Itaú BBA
Em fevereiro, insiders das empresas cobertas pelo Itaú BBA foram vendedores líquidos de R$ 2,0bn em 534 transações. Acionistas controladores lideraram as vendas (R$ 1,3bn), seguidos pela administração (R$ 0,5bn) e pelo conselho (R$ 0,2bn).
Por setor, Consumo Discricionário, Consumo Básico e Financeiro concentraram as maiores vendas líquidas (R$ 1,1bn, R$ 0,7bn e R$ 0,3bn, respectivamente). Saúde foi o único setor com compra líquida, de R$ 103mn. As ações com maior venda proporcional foram SMFT3, ALLD3 e MBRF3; no lado comprador, TCSA3 e TASA3 se destacaram.
Petróleo & Distribuição de combustíveis - BB Investimentos
Relatório setorial do BB Investimentos dedicado aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre petróleo e combustíveis no Brasil.
MÍDIAS DA SEMANA
MEMOLOGY
Investidores na semana passada
Perguntadores são os verdadeiros heróis





















