Neo-excepcionalismo americano
O fluxo de volta para os EUA e bancos centrais na encruzilhada em semana de super quarta
Panorama da Semana
O mundo à espera de duas decisões
Na semana que passou, o Estreito de Hormuz voltou a ditar o ritmo dos mercados globais. Rumores de um possível cessar-fogo de dois meses derrubaram o barril de petróleo para US$ 87, menor nível desde abril, mas a inflação nos países desenvolvidos não acompanhou o alívio, e os bancos centrais chegam à semana mais importante do calendário sem margem para relaxar.
Estados Unidos
A narrativa do Fed entrou num capítulo novo. Kevin Warsh assume o comando do FOMC na reunião de quarta com a mudança que o mercado ainda não sabe decifrar. O que se sabe é o que ele vai manter os juros e remover o viés de queda do comunicado.
O CPI de maio trouxe algum conforto, mas o core PCE segue subindo, com estimativa de 3,4% anualizado. O dot plot deve migrar da mediana de um corte em 2026 para manutenção, com dois ou três membros sinalizando alta. Warsh herdou um Fed que prometeu mais do que entregou no ciclo desinflacionário, e a coletiva de imprensa será o primeiro teste real de como ele pretende contar essa história.
Brasil
O Copom chega à reunião de quarta em posição desconfortável. O IPCA de maio acelerou para 4,72% em doze meses, acima do teto da meta, puxado por alimentos e bens industriais. O núcleo deu um respiro, desacelerando para cerca de 5,0% em 3m/saar, mas serviços intensivos em trabalho ainda rodam perto de 7,5% na mesma métrica.
O mercado aposta que o comitê deve cortar 25 bps e levar a Selic a 14,25%, mas o comunicado deve ser duro como contrapeso ao corte.
Com fiscal expansionista, câmbio menos favorável e Oriente Médio sem resolução, Galípolo e equipe precisarão explicar por que ainda cortam sem soar como se ignorassem a realidade.
Calendário da Semana
Rentabilidade das principais classes
Fluxo de capital estrangeiro B3
De olho nos gráficos
Ibovespa [IBOV]
O Ibovespa dá sinais de que pode estar tentando encontrar fundo na região dos 168.200 pontos, ensaiando movimentos de alta nos últimos pregões. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o nível a observar agora é o dos 175.000 pontos. "Acima dessa região, vejo grande probabilidade do mercado voltar a subir até pelo menos os 183.000 pontos", afirmou. Caso o suporte dos 168.000 pontos seja perdido, Borges aponta a zona entre 166.000 e 156.000 pontos como a janela de compra a ser monitorada — faixa já comentada nas semanas anteriores. O analista, porém, mantém viés construtivo no curto prazo, uma vez que algumas ações já apresentam boas regiões de entrada para os próximos dias.
Aura Minerals [AURA33]
A Aura Minerals é um dos destaques da semana na avaliação de Borges, que vê oportunidade de compra no ativo. O papel saiu de uma máxima próxima aos R$ 181,00 e recuou até os R$ 90,00, movimento que o analista interpreta como a captura de liquidez de fundos anteriores e a formação de um suporte relevante. "Vejo grande probabilidade de que o ativo tenha encontrado fundo e agora tem uma bela oportunidade de compra nas próximas semanas", disse. O alvo projetado por Borges é a região dos R$ 117,00.
Bitcoin
O Bitcoin segue o roteiro baixista sinalizado nas últimas semanas e testa a região dos US$ 60 mil. Borges admite que o ativo pode apresentar alguma recuperação ou lateralização no curtíssimo prazo, mas mantém o viés de queda. "Ainda vejo grande probabilidade da perda dos US$ 60 mil nas próximas semanas, com o Bitcoin buscando entre US$ 50 mil e US$ 38 mil — região que entendo como um excelente ponto de entrada para uma carteira", projetou o analista.
Cyrela [CYRE3]
A Cyrela também entrou no radar de Borges. O papel acumulou quedas expressivas recentes e, na leitura do analista, capturou a liquidez das mínimas, posicionando-se agora em uma região de suporte relevante. O gatilho para uma entrada mais assertiva, segundo Borges, passa pelo rompimento da resistência nos R$ 22,95. "Após esse rompimento, a ideia é aguardar uma correção para então trabalhar compras com alvo entre R$ 28,00 e R$ 29,00", explicou.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Brasil: Cenário Macro - BTG Pactual
O ambiente global desafiador, marcado por conflitos no Oriente Médio e inflação persistente nos Estados Unidos, continua adicionando pressões sobre o cenário doméstico. A equipe macroeconômica do BTG Pactual aponta que o forte superávit comercial brasileiro, impulsionado pelas exportações de petróleo, atua como um colchão de liquidez para o país, embora as incertezas externas e a resiliência da demanda interna exijam um monitoramento rigoroso das trajetórias de inflação e da condução da política monetária por aqui.
Hypera - Banco Safra
A perspectiva de melhora no momento de lucros e novos lançamentos operacionais motivaram a elevação da recomendação da Hypera (HYPE3) para Outperform (equivalente à compra). O Banco Safra estabeleceu um novo preço-alvo de R$ 29,50 por ação, incorporando em seus modelos o resultado do primeiro trimestre e premissas macroeconômicas atualizadas, com projeção de crescimento do PIB de 1,8% e taxa Selic média de 13,5% para o ano de 2026.
Telecom: Telefônica, TIM e América Móvil - Banco Safra
O setor de telecomunicações no Brasil mantém uma dinâmica competitiva racional e saudável após o processo de consolidação de mercado, com reajustes tarifários consistentes e expansão das margens de fluxo de caixa livre. Na atualização do setor, o Banco Safra reiterou a Telefônica Brasil (Vivo) como sua Top Pick, com preço-alvo de R$ 42,00, ao mesmo tempo em que elevou a América Móvil (AMX) para Outperform e rebaixou a TIM Brasil para Neutra devido ao enfraquecimento de seu momento operacional de curto prazo.
Mercado Livre: Além dos Serviços Bancários - BTG Pactual
A consolidação do Mercado Pago na América Latina transformou a plataforma de um simples processador de pagamentos em um pilar fundamental de inclusão financeira e retenção de usuários. O relatório do BTG Pactual destaca que o produto de investimento em contas digitais na Argentina converteu saldos inativos em ativos geradores de rendimento, expandindo a base de 500 mil contas em 2018 para mais de 20 milhões em 2024, o que fortalece as vantagens competitivas do ecossistema como um todo.





















