O dado decidiu no lugar do Fed?
Esperei o payroll para escrever: o emprego americano encolheu em julho e a curva reagiu na hora, mas só na ponta curta.
ONTEM (6 de agosto)
Brent subiu 5%, a US$ 83,4, depois que o Irã atacou alvos no Estreito de Ormuz e vazou que o esboço com Omã prevê barrar navios americanos e israelenses e exigir compensação de países hostis.
No Brasil, Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546 pontos, com Vale e Banco do Brasil pressionando, e o DI longo abriu de 12 a 14 bps após leilão de prefixados maior que os das duas semanas anteriores. Dólar recuou 0,41%, a R$ 5,107.
Nos EUA, S&P 500 caiu 0,2% e Nasdaq 0,1%. A SpaceX subiu 6,1% no dia em que US$ 100 bilhões em ações saíram do lockup, e a Alphabet levantou US$ 25 bilhões em bonds com US$ 115 bilhões em ordens.
HOJE / MADRUGADA (7 de agosto)
Payroll de julho veio negativo: os EUA perderam 23 mil vagas, contra expectativa de criação de 80 mil, e maio e junho foram revisados para baixo em 103 mil. A taxa de desemprego caiu a 4,1%, mas com a participação na força de trabalho no menor nível desde fevereiro de 2021.
Na CME, a chance de alta de juros em setembro caiu para 46,3%, contra 53,8% de manutenção e 0% de corte. Nos swaps, foi de 58% para 44%. O treasury de 2 anos cedeu 8 bps, a 4,17%, e o índice de dólar da Bloomberg recuou 0,4%.
No Brasil, a reação veio na hora, mas desigual ao longo da curva: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, enquanto o de janeiro de 2035 cedia perto de 5 bps, a 14,39%. O dólar futuro recuava 0,64%, a 5.108, e o índice futuro subia 0,33%, a 176.360 pontos.
Exportações da China subiram 23,9% em julho, com chips avançando 117%. O ouro caminha para a melhor semana desde janeiro e o Brent cede para a casa dos US$ 82, depois de subir 5% ontem.
Hoje esperei até as 10h para mandar esta newsletter, porque queria o payroll na mão antes de escrever. Explico o porquê: tem uma frase que virou padrão em quase todo banco central do mundo, a de que a decisão depende do dado. O Fed de Warsh levou isso ao extremo e simplesmente parou de dar forward guidance. O Copom cortou a Selic na quarta e entregou um comunicado neutro, sem dizer nada sobre setembro. Quando ninguém se compromete com nada, cada dado vira uma decisão de juros por tabela. E às 9h30 o dado veio: os EUA perderam 23 mil vagas em julho, quando se esperava criação de 80 mil, e ainda levaram um corte de 103 mil nos números de maio e junho, que caíram de 129 mil para 63 mil e de 57 mil para 20 mil. O emprego americano já vinha parado antes de ficar negativo. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, mas pelo motivo errado: a ocupação encolheu 87 mil e o número de desempregados caiu 178 mil, ou seja, gente deixando de procurar trabalho, com a participação na força de trabalho na mínima desde fevereiro de 2021. Na CME, a chance de alta em setembro caiu de 55% para 46,3%. Mas atenção: uma alta de 0,25 até dezembro segue integralmente precificada. Foi adiamento, não virada de mão por enquanto.
A reação chama atenção pelo tamanho, ou pela falta dele. Aqui, por volta de 10 horas (enquanto escrevo) o dólar futuro cai 0,64%, a 5.108, e o índice futuro sobe 0,33%. Lá fora, o S&P sobe 0,55% e negocia a 7.776, na máxima, depois de uma semana de alta de 2,9%, a melhor desde abril. Ou seja, a bolsa americana recebeu um payroll negativo estando no topo e mal se moveu, diante de uma surpresa que passa de 120 mil vagas somando a revisão. Quem reprecificou de verdade foi juro e câmbio. E na nossa curva o movimento veio desigual: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, devolvendo quase toda a abertura de ontem, enquanto o de janeiro de 2035 cedia perto de 5 bps, a 14,39%. O alívio de fora entra onde mora a expectativa de política monetária e para no meio do caminho, porque a ponta longa carrega prêmio fiscal e payroll americano não resolve conta fiscal brasileira. Fecho no personagem da semana: o Warsh chegou nesta sexta sob dúvida se seria mesmo duro com a inflação e com o WSJ revelando que Trump liga para ele fora de qualquer padrão. Ele tinha acabado de não subir juros e nem dizer que subiria. Aí vem um payroll negativo e, tira um pouco de pressão dele, né? Ressalva honesta: escrevo com a bolsa americana (mercado à vista) ainda fechada.
Abaixo a mensagem que eu mandei mais cedo. E depois todos os tópicos resumidos que recebi até às 9h.
Agora é acompanhar como o mercado vai reagir até o final do dia. E ficar atento aos acontecimentos em Ormuz!
Payroll hoje
📅 7 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🇺🇸 O payroll provavelmente decide se o Fed sobe juros em setembro. Consenso de 83 mil vagas e desemprego em 4,2%. O mercado vem querendo se posicionar pra manutenção: a chance de alta caiu de 67% pra 55% na CME em uma semana.
📈 Se vier mais vaga que o esperado, o Fed provavelmente sobe e sai debaixo. O JPMorgan calcula S&P caindo até 1,8% se passar de 150 mil.
🇧🇷 Se vier fraco, ainda mais com as últimas sobre a credibilidade de Warsh, abre caminho pra manutenção e ajuda ativos de risco no mundo todo. É desse cenário que o Brasil precisa. Ontem: Ibovespa -1,2%, a 175,5 mil, e DI longo abrindo 14 bps dois dias depois do Copom cortar.
🛢️ E o acordo de Ormuz segue sem sair. Parlamentares iranianos já falam em barrar navios americanos e israelenses. O Irã atacou alvos no estreito e chamou Trump de “diplomacia de teatro”. Ontem Brent subiu 5% e hoje cai quase 2% a US$82.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Fed, juros e o payroll
Payroll de julho veio negativo: os EUA perderam 23 mil vagas no mês, contra expectativa de criação de 80 mil, e as leituras de maio e junho foram revisadas para baixo em 103 mil vagas somadas (BLS, via Bloomberg)
Abrindo a revisão: maio caiu de 129 mil para 63 mil vagas criadas, e junho, de 57 mil para 20 mil. Somando com julho, o mercado de trabalho americano já vinha praticamente parado antes de ficar negativo (Departamento do Trabalho dos EUA)
Taxa de desemprego caiu a 4,1%, ante expectativa de 4,2%, mas por encolhimento da força de trabalho: a ocupação recuou 87 mil na pesquisa domiciliar e o número de desempregados caiu 178 mil (BLS, via Bloomberg)
A participação na força de trabalho está no menor nível desde fevereiro de 2021 (Bloomberg)
Excluindo janeiro de 2025, o payroll já veio negativo em seis dos 18 meses desde a posse de Trump (Bloomberg)
Na CME, a chance de alta de juros em setembro caiu para 46,3%, contra 53,8% de manutenção e 0,0% de corte; nos swaps de juros, a probabilidade foi de 58% antes do dado para 44% depois (CME FedWatch, Bloomberg)
Uma alta de 0,25 ponto até dezembro segue integralmente precificada, ou seja, o mercado adiou a alta, não a descartou (Bloomberg)
O futuro do S&P 500 negociava a 7.776 nesta manhã, com máxima de 7.780 e alta de 0,55% no dia, rompendo o topo de junho, depois de subir 2,9% na semana, melhor desempenho semanal desde abril; a reação ao payroll veio em cima desse patamar (WSJ, cotações de tela)
Reação imediata: treasury de 2 anos caiu cerca de 8 bps, a 4,17%, o índice de dólar da Bloomberg recuou 0,4% e os futuros de ações subiram pouco, com S&P 500 em alta de 0,4% e Nasdaq 100 de 0,9% às 8h35 em Nova York (Bloomberg)
Antes do dado, a chance de alta em setembro estava em 55%, contra 67% uma semana antes e 49,1% um mês antes (CME FedWatch)
A Barron’s publicou que os 55% representavam queda ante 80% de julho; os dados da própria CME não sustentam essa comparação mensal (Barron’s, CME FedWatch)
JPMorgan havia projetado o S&P 500 caindo até 1,8% caso o payroll viesse acima de 150 mil vagas, cenário que não se materializou (Bloomberg)
FT reportou nesta manhã que Warsh pode ser mais hawkish do que o mercado imagina e apoiar alta já em setembro, a depender dos dados e da reação do mercado (FT, replicado pelo Valor)
Musalem, do Fed de St. Louis, disse que o banco central já está atrasado para subir juros e não pode tolerar inflação mais alta (Bloomberg, DealBook)
Bank of America mantém a chamada de três altas de juros em 2026 (DealBook)
Mark Cabana, do Bank of America, critica a estratégia de Warsh de deixar o mercado fazer o trabalho do Fed: sem controlar a ponta longa, o banco central perde a capacidade de calibrar (Bloomberg)
Bank of America diz que o otimismo do investidor está no nível mais extremo desde 2021 e recomenda começar a reduzir risco (Bloomberg)
Vanguard havia projetado apenas 18 mil vagas, com revisão relevante para baixo dos meses anteriores, cenário mais próximo do que de fato veio (DealBook)
Dados do Fed de Nova York mostram mercado de trabalho ruim para recém-formados (DealBook)
Ouro caminha para a melhor semana desde janeiro, a US$ 4.366, e o cobre passou de US$ 14 mil a tonelada com oferta apertada (Bloomberg, BTG Morning Call)
Geopolítica: Ormuz e Irã
Irã atacou “alvos hostis” no Estreito de Ormuz, segundo a agência semioficial Fars (Fars, XP Macro Strategy, Bloomberg)
Esboço do acordo com Omã, em análise no Parlamento iraniano, prevê barrar navios dos EUA e de Israel, exigir compensação de “países hostis”, vetar carga ligada a Israel e cobrar seguro e custo ambiental (Bloomberg, Fars)
Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e negociador-chefe, acusou Trump de praticar “diplomacia de teatro”; autoridades iranianas negam existir conversa direta em andamento (BTG Morning Call)
Trump afirmou que as negociações entre Irã e Omã estão “andando bem” (Bloomberg, Balance of Power)
Houthis fizeram ataque de larga escala contra forças do governo iemenita apoiado pelos sauditas e atingiram a região de Najran, na Arábia Saudita (Bloomberg, NYT)
Embarques de petróleo saudita para os Estados Unidos caíram a zero, com as refinarias americanas trocando de fornecedor (Bloomberg)
Capital Economics avalia que a retomada do PIB não petrolífero do Golfo depende de Ormuz reabrir por período prolongado; o PMI da região subiu a 52,5 em julho (Capital Economics, via WSJ)
Petróleo: a conta que não fecha
Brent fechou ontem em alta de 5%, a US$ 83,4, e hoje cede perto de 2%, na casa dos US$ 82 (XP Macro Strategy, BTG Morning Call, WSJ)
Analistas não conseguem fechar a conta dos estoques globais: para justificar a drenagem observada, a demanda teria caído 1 bilhão de barris, ou 6%, o dobro da queda de 2008, o que não bate com dados de tráfego aéreo e rodoviário (WSJ, com Ninepoint Partners e Simplify Funds)
Explicação mais provável, segundo o WSJ: não se sabia de fato quanto petróleo e derivado havia estocado no mundo no início da crise, já que boa parte do mundo em desenvolvimento não reporta como os EUA (WSJ)
Novo termômetro sugerido para acompanhar: a escassez de petroleiros dispostos a voltar à região por medo de ficarem presos ou atacados de novo, com as eleições de meio de mandato a três meses (Eric Nuttall, da Ninepoint, ao WSJ)
Defasagem da Petrobras: diesel -53% (R$ 1,75/L) e gasolina -24% (R$ 0,61/L), com petróleo a US$ 78 e câmbio a R$ 5,10 (Abicom, via XPInflation News)
EUA se tornaram os maiores fornecedores de diesel ao Brasil (Valor, via XPInflation News)
Iene, dólar e a linha do Fed
O iene devolveu quase metade do ganho da intervenção conjunta com os EUA, negociando a 158,4 por dólar, ante 155,2 na segunda e a mínima de quatro décadas perto de 164 na semana passada (Bloomberg, WSJ)
Swaps veem cerca de 60% de chance de alta de juros do Banco do Japão até setembro; o BoJ teria gasto cerca de US$ 87 bilhões em dois dias (Bloomberg)
FT revelou que os EUA venderam euros para sustentar o iene e só avisaram o Banco Central Europeu depois da operação; Lagarde e Bessent só conversaram no sábado seguinte, e parte da diretoria do BCE viu quebra inédita de convenção (FT, Bloomberg, DealBook)
Bessent quer que o Fed eleve o teto de US$ 60 bilhões da linha de repo usada para emprestar dólares ao Japão, o que expande o balanço do Fed e injeta liquidez (WSJ, via James Mackintosh, e Bloomberg)
Idanna Appio, da First Eagle, avalia que a intervenção compra tempo para uma política mais crível, mas sozinha não funciona (Bloomberg)
Gillian Tett escreve que a intervenção ilustra os perigos de experimentos monetários e pode criar risco de longo prazo (FT)
Mercados e o trade de IA
S&P 500 e Dow caminham para a melhor semana desde abril, com altas de 2,9% e 2,7% até quinta; o Nasdaq subiu 3,8%, melhor desempenho semanal desde maio (WSJ)
SpaceX subiu 6,1% no dia da liberação de até 911,5 milhões de ações do primeiro lockup, cerca de US$ 100 bilhões, depois de cair 14% na véspera; o mercado absorveu a oferta (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Charu Chanana, da Saxo, atribui a absorção à demanda forte e à confiança na história de crescimento de IA da empresa (Bloomberg)
Investidores descobriram na liberação do lockup que ações da SpaceX compradas via SPV não existiam ou já tinham sido vendidas anos antes; há pelo menos mil SPVs ligadas à empresa, segundo bancos (WSJ, e Matt Levine na Money Stuff)
Alphabet levantou US$ 25 bilhões em bonds com cerca de US$ 115 bilhões em ordens, um dos maiores livros do ano em dívida ligada a IA; a emissão total desde 2025 passou de US$ 114 bilhões (Bloomberg, DealBook)
SK Hynix vai investir US$ 38 bilhões em expansão de fábricas na Coreia (Bloomberg)
DeepSeek retomou rodada de captação mirando US$ 8 bilhões a um valuation perto de US$ 74 bilhões, depois de sinalizar aumento de preços (Bloomberg)
Nos balanços: Trade Desk caiu 27% com receita abaixo do esperado, Atlassian subiu 31%, Cloudflare 17%, Airbnb 9%, Maplebear 12% e Sweetgreen recuou 15% (WSJ, Bloomberg, Barron’s)
A Barron’s argumenta que a rotação de hardware para software na IA é menos limpa do que parece: o ETF de software sobe 10% desde o começo de julho contra queda de 15% do índice de semicondutores da Filadélfia, mas os resultados individuais vieram mistos (Barron’s)
Fundos multimercado tiveram julho duro após o selloff de IA, e Jamie Dimon alertou que a alavancagem no mercado segue “bem alta” (Bloomberg)
Venture capital enfrenta problema novo: as rodadas ficaram tão grandes que falta quem queira liderar; foram US$ 412,7 bilhões em 7.541 negócios só no primeiro semestre, contra US$ 319,2 bilhões em todo o ano de 2025 (DealBook, com dados da PitchBook)
Cientistas usaram IA para criar os primeiros vírus sintéticos, com 16 genomas viáveis, o que abre caminho para estudo de vacinas e também preocupação com patógenos perigosos (NYT, FT, Folha)
Brasil: mercado e economia
No Brasil, a reação ao payroll veio imediata, mas desigual na curva: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, praticamente devolvendo os 12 bps de abertura da véspera, enquanto o de janeiro de 2035 cedia cerca de 5 bps, a 14,39%. Na quinta, o Jan29 tinha aberto 12 bps e o Jan33, 14 bps, ou seja, a ponta longa subiu mais e está devolvendo menos (cotações de tela, B3, e XP Macro Strategy para o fechamento de quinta)
Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546 pontos, com Vale e Banco do Brasil liderando a pressão negativa e Petrobras subindo de leve na esteira do petróleo; o dólar recuou 0,41%, a R$ 5,107 (BTG Morning Call, XP Macro Strategy)
Na quinta, o DI já abria taxa pela manhã e ampliou o movimento após leilão de prefixados maior que os realizados nas duas semanas anteriores: Jan29 subiu 12 bps e Jan33, 14 bps (XP Macro Strategy)
Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 96,8% em um ano, com receita de R$ 169,5 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões, e anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos (BTG Morning Call, Folha, g1)
Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes; juros elevados e renda comprometida elevam o temor de inadimplência (Folha)
O número de famílias endividadas atingiu o maior nível desde 2010 (the news)
Bancos privados fecharam 2 mil agências e cortaram 14 mil vagas em um ano (Coluna do Broadcast, no Estadão)
O juro real longo está perto de 8% nas NTN-Bs, máxima histórica, contra 3% nos EUA; mesmo assim a XP segue construtiva com a Bolsa e aponta os cíclicos domésticos como os mais atrativos frente ao juro real (XP Research, no Raio-XP)
A inflação implícita de 2026 no mercado subiu 4 bps, a 4,89%, contra 5,14% da XP e 5,03% do Focus (XPInflation News)
Ana Paula Vescovi e Alexandre Schwartsman disseram em debate do Estadão que os efeitos do aumento da dívida já são visíveis e o ajuste fiscal é urgente (Estadão)
Comitê dos estados estima o futuro imposto sobre consumo em 28% em 2033, acima da média da OCDE (g1, via XPInflation News)
O tracker de alta frequência da XP para o PIB do segundo trimestre caiu para 0,40% na leitura de 4 de agosto, contra 0,50% da projeção oficial da casa e 0,57% no pico de junho, e a atividade perdeu tração ao longo do trimestre (XP Macro Research, no Brazil Week Ahead)
A XP projeta o IPCA de julho em -0,02% no mês e 4,35% em 12 meses, com queda generalizada de alimento no domicílio, alta de 11,7% nas passagens aéreas e a média dos núcleos desacelerando de 0,21% para 0,13% (XP Macro Research)
Na ata do Copom, a XP diz que o ponto a observar é se o comitê repete a frase de junho sobre trajetórias de Selic que combinam momentos de pausa e retomada. Se repetir, pausa vira possibilidade concreta; se sumir, é sinal de mais cortes à frente, o que não é o cenário base da casa (XP Macro Research)
Na agenda local: IGP-DI de julho às 8h, com consenso de queda de 0,97% no mês, e produção de veículos da Anfavea às 11h (XP News XPress, BTG Morning Call)
ONS alertou para plano de contingência contra apagão no Dia dos Pais; no ano passado o país por pouco não sofreu blecaute generalizado na data (Estadão)
Brasil: eleição e política
A PF pediu abertura de inquérito para apurar a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flavio, que nega (Estadão, Folha)
Gaspar acionou o STF pedindo exame de DNA em 72 horas e ofereceu material genético à PGR para afastar a suspeita; a PGR pediu nova diligência (CNN, O Globo, Folha)
O STF pediu esclarecimentos a Soraya Thronicke e Lindbergh Farias sobre a denúncia (Estadão, O Globo)
Metrópoles informa que a PGR havia pedido diligências em 21 de maio, mas o STF só acionou a PF na quarta, depois de Gaspar ser anunciado como vice (Metrópoles)
A campanha de Flavio aposta que o caso vira ativo eleitoral contra o PT e planeja explorar as investigações sobre Lulinha já na estreia do horário eleitoral, com ofensiva nas redes (CNN, O Globo)
Flavio disse que tentou ter uma vice mulher, culpou “caciques” de partidos e afirmou ser alvo de “guerra psicológica” (Folha, Estadão)
A campanha de Lula lê a escolha como erro estratégico por não acenar a mulheres e evangélicos, e avalia usar Datena nos programas de TV para expor denúncias envolvendo Flavio e Vorcaro (CNN, Metrópoles)
O programa de governo de Lula deve reforçar o compromisso fiscal, deixando de fora tarifa zero no transporte e reversão de privatizações, para reduzir ruído com o mercado (Folha, Valor)
Durigan descartou desvincular o salário mínimo e adotar controle de capitais, mas citou preocupação com dívida e despesas obrigatórias e a possibilidade de cortar benefícios fiscais (Folha, XP News Clipping)
O mercado enxerga uma “guerra fria” entre Durigan e Moretti, com caminhos distintos para o ajuste fiscal (Estadão)
Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump na semana que vem (O Globo)
Zema prometeu choque fiscal, privatização da Petrobras e mudança na indicação de ministros do STF em entrevista ao g1 e à GloboNews (g1)
A eleição em Minas ficou imprevisível: Cleitinho foi barrado pelo Republicanos depois de desistir e tentar voltar, e vários nomes recusaram a disputa (Estadão, CNN, Folha)
O STJ condenou o ministro Marco Buzzi por assédio sexual e importunação, com indicação de perda do cargo, em decisão unânime e inédita (Estadão, Folha, O Globo)
O STF retomou o julgamento sobre a proibição de exploração de jogos de azar; Fux votou pela manutenção da proibição e Dino pediu vista. As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas no ano passado (the news, Estadão)
A PF indiciou 16 pessoas na investigação da queda do avião da Voepass em Vinhedo, que matou 62 em 2024 (Estadão, Folha)
Faltam 58 dias para o primeiro turno. A pesquisa Nexus pode sair a partir de segunda, e MDA e Futura a partir de terça (XP News XPress)
Mundo
Exportações da China subiram 23,9% em julho na base anual, com chips avançando 117%, computadores 67% e carros 60%, puxadas pela demanda por produtos de IA (FT, Bloomberg, BTG Morning Call)
Os EUA impuseram tarifa de 15% e preço mínimo sobre importações de polissilício, matéria-prima de painéis solares e chips, com vigência em 4 de dezembro (WSJ, BTG Morning Call)
China abriu revisão formal de segurança sobre produtos da Palo Alto Networks vendidos no país (Bloomberg)
Inteligência dos EUA avalia que Putin pode testar a resolução da Otan com uma incursão limitada em país aliado nos próximos anos (WSJ)
A parcela de russos que acredita que a guerra vai bem caiu ao menor nível desde abril de 2022 (Levada Center, via Bloomberg)
Na Alemanha, a produção industrial subiu 0,2% em junho e o superávit comercial encolheu para 15,4 bilhões de euros, com importações da China avançando 9,1% (BTG Morning Call, XP News XPress)
Comissão do Senado americano votou por declarar Anthony Fauci em desacato ao Congresso, com os oito republicanos a favor e os cinco democratas contra (NYT, WSJ, Estadão)
Trump assinou ordens executivas mirando a cidadania por nascimento e o chamado turismo de nascimento (NYT, WSJ, Estadão)
Meta foi condenada a pagar US$ 567 milhões em caso de segurança infantil no Novo México, além da multa de US$ 375 milhões fixada pelo júri (NYT, DealBook)
Abelardo de la Espriella toma posse hoje na Colômbia em meio a denúncia de fraude por Petro, protestos convocados por Iván Cepeda e suposto plano de bomba perto de Cali (Bloomberg)
O Reno atingiu o nível mais baixo desde o início das medições em 1880, encarecendo fretes e pressionando cadeias de suprimento na Europa (NYT)
Mais de 25 mil pessoas morreram por calor extremo na Europa neste ano, quase metade delas na Alemanha (Bloomberg)
Infantino sobreviveu à contestação da Uefa na FIFA e pediu desculpas por “erros” no plano de privatização, que segue ameaçando virar disputa prolongada (WSJ, Bloomberg, DealBook)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: payroll de julho nos EUA às 9h30, o dado da semana e provavelmente o que decide setembro. Balanços de Under Armour, Wendy’s, Vistra e Take-Two. No Brasil, IGP-DI às 8h e produção de veículos da Anfavea às 11h.
Sábado: Berkshire Hathaway divulga resultados.
Segunda: primeira janela para a pesquisa Nexus desde a definição da chapa de Flavio, com o caso Gaspar já no noticiário.
Terça: o dia que importa aqui. Ata do Copom às 8h e IPCA de julho às 9h, na mesma manhã. A XP projeta o IPCA em -0,02% no mês e 4,35% em 12 meses, contra 4,64% em junho. Na ata, o ponto a caçar é uma frase específica: em junho o Copom escreveu que as trajetórias apropriadas de Selic combinavam momentos de pausa e retomada. Se repetir, pausar em setembro está na mesa. Se sumir, é sinal de mais corte pela frente.
Quarta: CPI de julho nos EUA, com consenso de 0,2% no mês e 3,5% em 12 meses. É o dado que confirma ou desmonta o que o payroll disser hoje.
Quinta e sexta: varejo de junho no Brasil e, nos EUA, PPI, vendas no varejo e o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan. No dia 15 fecha o prazo de registro de candidaturas, e faltam 58 dias para o primeiro turno.

