O "segredo" da Sabesp: Por que o JP Morgan diz que você não deve se preocupar com a falta de chuva
Entenda por que a legislação atual 'blinda' a Sabesp contra crises hídricas e por que o JP Morgan mantém a aposta na empresa mesmo com o corte no preço-alvo
O banco JP Morgan reduziu o preço-alvo das ações da Sabesp [SBSP3] para R$ 152,00 (de R$ 160,00 anteriormente) até o final de 2026, mas manteve sua recomendação de Compra. Em novo relatório distribuído aos investidores, os analistas da instituição financeira destacam que o mercado tem focado excessivamente na volatilidade do Sistema Cantareira, ignorando o que chamam de “previsível”: uma estrutura regulatória robusta que blinda o fluxo de caixa da companhia contra crises hídricas e variações no volume de chuvas.
A análise técnica do banco aponta que a integração dos reservatórios da Sabesp fora do Sistema Cantareira, que representam 50% do total e operam com entrada de água acima da média, é frequentemente subestimada. Além disso, o JP Morgan ressalta que o atual modelo de regulação da companhia limita os riscos econômicos de curto prazo. Caso haja uma redução no consumo de água ou uma crise hídrica severa, a legislação prevê compensações financeiras e revisões tarifárias extraordinárias, garantindo o equilíbrio econômico da empresa em ciclos futuros.
Estrutura regulatória e blindagem contra riscos hídricos
De acordo com o levantamento do banco, a percepção de risco ligada ao clima é mitigada pelo mecanismo de compensação tarifária. Se os volumes de vendas caírem em 2026, por exemplo, o impacto negativo nos lucros seria compensado pelo regulador entre 2028 e 2029. O relatório enfatiza que a eficiência operacional e o regime de capital aberto, consolidado após a privatização em julho de 2024, tornam a empresa menos vulnerável a ruídos externos do que o investidor médio supõe.
O banco também incorporou dados marginais positivos em seu modelo, como a entrada de água em janeiro de 2026, que ficou próxima da média histórica agregada. A estratégia de expansão da companhia prevê a transferência de novos volumes de água de outros reservatórios nos próximos 24 meses, o que deve adicionar cerca de 9 metros cúbicos por segundo à produção total, um incremento de aproximadamente 12% na capacidade de abastecimento.



