Petróleo se prepara para os US$ 100 conforme produtores cortam produção.
E mais relatórios de Vale, WEG e Brasil
O conflito militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no último sábado (28), pressiona os mercados globais e eleva o risco inflacionário nos próximos meses. A cotação do petróleo Brent chegou a US$ 92,69 o barril na sexta-feira — e ameaça romper a barreira dos US$ 100 caso o conflito se prolongue, abrindo caminho para um cenário de estagflação nas principais economias.
O mercado trabalha com o cenário-base de encerramento do conflito dentro do prazo de quatro a seis semanas estipulado por Donald Trump, com retomada parcial da navegação no estreito garantida pela Marinha americana. Ainda assim, a pressão inflacionária já está contratada.
Paralelamente, a semana traz uma bateria relevante de indicadores econômicos. Nos EUA, serão divulgados o CPI de fevereiro (11) e o PCE — índice de inflação preferido do Fed —, além da segunda leitura do PIB do quarto trimestre (13). No Brasil, o IPCA de fevereiro (12) e os dados de varejo e serviços de janeiro ditarão o tom para a reunião do Copom de 17 e 18 de março, onde um corte de apenas 25 pontos-base na Selic — de 15% para 14,75% — ganha força. China e Japão também publicam dados relevantes de inflação, balança comercial e PIB.
Classes de Ativos
Março
2026
De olho nos gráficos
Ibovespa [IBOV]
A semana termina com pressão sobre o mercado brasileiro. O Ibovespa registra queda e se aproxima das mínimas dos últimos dois meses, em um cenário marcado por tensões geopolíticas e aversão ao risco global. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento negativo pode se estender no curto prazo. “O índice teve um fechamento semanal bastante fraco, perdendo níveis importantes e acompanhando o clima de tensão internacional”, afirma. Segundo ele, o mercado pode buscar a faixa entre 174 mil e 171 mil pontos nas próximas semanas. Borges diz que, neste cenário, a estratégia favorece posições vendidas. “Só voltaria a considerar operações compradoras se o Ibovespa fechar acima de 186.600 pontos”, afirma.
Vale [VALE3]
Entre os papéis de maior peso no índice, as ações da Vale ampliaram as perdas. O ativo rompeu o nível de R$ 82 nas últimas semanas e encerrou o período próximo de R$ 79. De acordo com Borges, o cenário técnico segue desfavorável no curto prazo. “A perda de R$ 82 confirmou a saída do ativo e abriu espaço para novas quedas”, diz. O analista avalia que a região entre R$ 71 e R$ 62 pode voltar a atrair compradores. “Entre R$ 62 e R$ 63 existe uma área de defesa importante dos compradores, que pode gerar novas oportunidades de compra”, afirma. Até lá, ele recomenda cautela com o papel.
Bitcoin
No mercado de criptomoedas, o Bitcoin também mostra sinais de fraqueza após uma tentativa de recuperação. A moeda chegou à região de US$ 74 mil, mas voltou a recuar nos últimos dias. Para Borges, o movimento indica continuidade da tendência de baixa no curto prazo. “O Bitcoin voltou a mostrar fraqueza depois da tentativa de reação”, afirma. Segundo o analista, o ativo pode testar primeiro a região de US$ 64 mil. “Abaixo desse nível, os próximos suportes aparecem em US$ 59 mil e depois em US$ 52 mil”, diz.
Petrobras [PETR4]
Já as ações da Petrobras acumulam forte valorização recente, impulsionadas pela alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. O risco de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial, sustentou a valorização do setor. Para Borges, o papel atingiu uma região importante de preço. “A ação chegou ao alvo técnico entre R$ 42 e R$ 42,50”, afirma. Diante disso, o analista recomenda cautela com novas posições. “Neste ponto, faz sentido realizar parte dos lucros e ajustar o stop abaixo da mínima do dia, em R$ 39,80, para proteger o ganho recente”, diz.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Ambev: Who are you? - BTG Pactual
O BTG Pactual afirma que a Ambev recuperou sua estabilidade operacional após uma década marcada por perda de participação de mercado e compressão de margens. Segundo o banco, a empresa reconstruiu market share, estabilizou margens e elevou o retorno sobre o capital investido para cerca de 30% a 31%, mas ainda abaixo dos níveis históricos acima de 35%.
Economia em destaque - XP
As tensões aumentaram no Irã após uma nova onda de ataques de ambos os lados. O presidente Donald Trump afirmou que não pretende fazer acordos, a menos que seja uma rendição incondicional. Somado ao fechamento do Estreito de Ormuz, a declaração fez com que o preço do petróleo alcançasse 90 dólares por barril.
Vale: momentum or valuation? - XP
As ações da Vale seguem em forte tendência de alta (VALE +80% nos últimos 12 meses), sustentadas pelo movimento amplo de desvalorização de moedas e pela rotação de investimentos dos Estados Unidos para mercados emergentes. Nesse cenário, a Vale se destaca como uma das principais beneficiárias da entrada de capital estrangeiro.
Brasil macro mensal - XP
“Impulsos de renda e crédito devem reacelerar a atividade em 2026, após estabilidade no segundo semestre de 2025. Mantivemos a projeção de 2,0% para o PIB deste ano. Esperamos aumento de 1,2% em 2027, refletindo medidas de ajuste fiscal e condições monetárias ainda restritivas”, informou a XP.
Weg: a teoria de cresimento da companhia - BTG Pactual
O BTG Pactual afirma que a principal oportunidade de crescimento da WEG está no seu negócio central de motores de baixa tensão. Segundo o banco, não é necessário projetar novos mercados ou produtos para justificar a expansão da companhia.
Mídia Recomendada
1. Ulisses Nehmi, CEO da Sparta, discute no Stock Pickers a atual fragilidade do mercado de crédito privado e por que a gestor de crédito, ao contrário do consenso, não gosta de juro alto.
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2. HIX Capital detalha o otimismo com Orizon e Eneva, destacando a resiliência operacional desses ativos.
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3. A IP Capital Partners examina o atual frenesi tecnológico, separando fundamentos de ruídos. O documento disseca o futuro da Alphabet e utiliza lições da radiologia médica como metáfora sobre o papel humano na automação.
4. Quando a Incerteza bate. As Primeiras 72 Horas de Medo. Uma perspectiva comportamental sobre a reabertura dos mercados após um conflito no mundo real. Por Bernard Hunter
5. Pela primeira vez, a The New Yorker abre seus escritórios ao diretor vencedor do Oscar Marshall Curry, permitindo acesso sem precedentes à sua redação.
MEMOLOGY
Março
O planejamento financeiro mais perigoso é assumir que seu empregador continuará te pagando
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A vida é um videogame.
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Não gaste seu tempo moendo (grinding) atributos arbitrários.
Um dia você acordará e desejará ter se divertido mais.















