Rali global impulsiona ações brasileiras, e XP mantém alvo do Ibovespa em 170 mil pontos
Relatório da XP destaca influência de fatores globais na alta das ações brasileiras e avalia que balanços corporativos seguem saudáveis
A XP Investimentos reafirmou uma visão positiva para o mercado acionário brasileiro e manteve o preço-alvo do Ibovespa em 170 mil pontos até o fim de 2026, de acordo com o relatório Raio-XP Brasil divulgado nesta semana. A corretora avalia que, apesar das incertezas fiscais e do noticiário doméstico, o valuation da Bolsa segue atrativo, com o índice negociado a 9,3 vezes o lucro projetado.
Segundo a XP, 2025 tem sido um “trade global”, em que a performance do Brasil reflete principalmente o cenário externo. O relatório aponta que a fraqueza do dólar e a rotação de capital para mercados emergentes explicam a maior parte do rali de 24% do Ibovespa em reais e de 42% em dólares no acumulado do ano. “Os fatores globais, especialmente câmbio e desempenho das ações americanas, foram determinantes para a valorização da Bolsa”, afirma o documento.
Outubro: da correção à máxima histórica
O mês de outubro foi descrito pela XP como “de dois opostos”. Na primeira metade, o mercado doméstico enfrentou correção diante de ruídos políticos e fiscais, enquanto na segunda parte do mês o Ibovespa recuperou força, acompanhando o rali das bolsas globais e renovando máximas históricas em reais.
A XP também destacou que 62% das empresas brasileiras superaram as estimativas de lucro, com surpresa média positiva de 4%, refletindo resultados corporativos resilientes mesmo em meio à volatilidade internacional.
Crédito e balanços sob análise
O relatório chama atenção para o recente aumento das preocupações com crédito corporativo no Brasil, após episódios envolvendo Ambipar e Braskem. Apesar disso, a XP conclui que os indicadores de alavancagem permanecem saudáveis e que não há sinais de risco sistêmico. “As pressões de refinanciamento e liquidez estão mais associadas a casos específicos do que a uma deterioração generalizada”, ressalta a corretora.
Fatores locais voltam ao radar
Embora o desempenho recente das ações brasileiras tenha sido guiado por fatores globais, a XP acredita que os elementos domésticos devem ganhar relevância nos próximos trimestres, especialmente com a expectativa de cortes na Selic e a melhora das projeções de inflação.
“Seguimos com uma visão construtiva para as ações brasileiras, sustentada por um ambiente macro mais favorável e por balanços corporativos sólidos”, afirma o relatório.
A casa também atualizou suas carteiras de Top Ações, Dividendos e Small Caps, mantendo recomendação de exposição a setores ligados à infraestrutura e ao consumo interno, que tendem a se beneficiar de juros mais baixos e da retomada gradual da atividade.
A NMS Research também atualizou suas carteiras e você pode conferir todas as lâminas na Nomos+.


