Semana com dados amargos de inflação
IPCA aqui e CPI fora serão mais uma dose do remédio amargo para o investidor
Recado do editor
Todo mês compilamos as principais carteiras recomendadas das maiores casas de recomendação. Agrupamos elas nesse post abaixo. Nâo deixe de conferir.
Carteiras sugeridas para junho
Este post está sendo atualizado à medida que novas carteiras forem divulgadas. Última atualização 15h35 - 05/06
Agenda da semana (1 a 12 de junho)
A semana entre 7 e 12 de junho será dominada por dados de inflação nas principais economias. Brasil, Estados Unidos e China divulgam seus índices de preços ao consumidor em dias próximos, enquanto o choque de oferta no petróleo — com o Estreito de Ormuz como epicentro da incerteza — segue como pano de fundo e reduz o espaço de manobra dos bancos centrais. Na Europa, o debate já chegou à fase de ação: o BCE decide os juros na quinta-feira (11), com alta de 25 pontos-base precificada, e o mercado vai monitorar o tom da comunicação para entender se o aperto é resposta pontual ao choque de energia ou sinalização de um ciclo restritivo mais longo.
No Brasil, o Boletim Focus de segunda-feira (9) abre a semana com a tarefa de revelar até onde chegou a revisão das projeções para a Selic. O ciclo de afrouxamento perdeu tração, e a curva de juros entrou na semana dividida entre um corte de 25 pontos-base e uma pausa já no Copom de 17 de junho. O IPCA de quinta-feira (11) deve confirmar o que o IPCA-15 antecipou: inflação corrente pressionada, com serviços no centro das atenções. Para Leandro Manzoni, economista do Investing.com, o ponto mais delicado da semana não está nos números em si, mas no que o mercado vai concluir sobre eles: se as expectativas para 2027 e 2028 não cederem após o Focus, a mensagem implícita será a de que uma Selic mais alta está servindo apenas para impedir nova deterioração — e não para reancorar a inflação na meta. Nos Estados Unidos, o CPI de quarta-feira (10) fecha o calendário da semana: um dado acima do esperado, num contexto de mercado de trabalho ainda forte, reacenderia o debate sobre quando o Fed voltaria a subir os juros.
Rentabilidade das principais classes
Fluxo de capital estrangeiro B3
De olho nos gráficos
Ibovespa [IBOV]
O Ibovespa encerrou mais uma semana em território negativo, fechando abaixo dos 170 mil pontos — nível que não era visto desde janeiro deste ano. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento ainda não chegou ao fim. "O mercado segue no movimento baixista, com objetivo de queda entre os 166.500 e os 161.500 pontos", afirmou. A região já havia sido sinalizada por Borges na semana anterior e segue como o alvo prioritário da correção em curso.
Vale [VALE3]
As ações da Vale romperam uma linha de tendência de alta e saíram de uma formação de triângulo, abrindo espaço para novas quedas nas próximas semanas. O suporte principal está na casa dos R$ 78,00 — e é justamente esse nível que Borges monitora com atenção. "A perda dos R$ 78,00 indica continuidade da movimentação de baixa, com o próximo alvo em R$ 74,00", disse o analista. Em caso de aprofundamento da queda, a zona entre R$ 67,00 e R$ 63,00 surge como o próximo objetivo relevante.
Bitcoin
O Bitcoin segue o roteiro traçado na semana passada, com maior probabilidade de queda tanto no curto quanto no médio prazo. A criptomoeda já testa a região dos US$ 60 mil, suporte que Borges considera crítico. Abaixo desse nível, o analista enxerga espaço para recuo mais expressivo. "Vejo o alvo principal entre US$ 50 mil e US$ 38 mil — e é nessa região que identifico uma excelente oportunidade de compra para o próximo ciclo", projetou Borges.
Nvidia [NVDC34]
Os BDRs da Nvidia exibem fraqueza na continuação do canal de alta, com o suporte principal situado em R$ 22,00. Abaixo desse patamar, Borges vê espaço para correções mais expressivas, com suportes subsequentes em R$ 20,00 e R$ 18,00. Para quem ainda não tem posição, o analista recomenda cautela. "Para novas entradas na ponta compradora, eu aguardaria mais", disse. Já para quem está comprado, Borges sugere considerar proteção ou encerramento da posição caso o papel perca os R$ 22,00.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Taxa Selic: High for Longer - UBS
Com o ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central muito próximo do fim, a taxa de juros deve permanecer em patamar restritivo por um período prolongado. A equipe macroeconômica do UBS projeta apenas mais um corte residual de 25 pontos-base na próxima reunião do Copom, justificando que a resiliência da atividade doméstica, o mercado de trabalho apertado e os estímulos fiscais em curso impedem uma queda maior da Selic.
Capital Goods: WEG - Banco Safra
O primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil, agendado para dezembro de 2026, surge como um importante catalisador de longo prazo para a WEG. O Banco Safra calcula que a companhia pode capturar entre R$ 750 milhões e R$ 1,0 bilhão em receitas incrementais entre 2027 e 2028 devido à sua capacidade fabril em Itajaí (SC), embora reitere a recomendação Neutra para o papel (WEGE3) com preço-alvo de R$ 53,60.
Brasil Macro Mensal - XP Investimentos
A taxa Selic deve encerrar o ciclo de flexibilização no patamar elevado de 14,00% após a deterioração do balanço de riscos para os preços. Em seu relatório mensal, a XP Investimentos elevou a projeção do IPCA de 2026 para 5,5%, puxada por choques globais de oferta e pela força da demanda interna, enquanto manteve a estimativa de crescimento do PIB para este ano estável em 2,0%.
Global Asset Strategy: Junho 2026 - BTG Pactual
A forte resiliência do consumo e do ciclo de investimentos nos Estados Unidos levou a uma sólida sustentação da atividade econômica no segundo trimestre, consolidando a projeção de alta de 2,75% para o PIB americano em 2026. O panorama global do BTG Pactual pondera, no entanto, que o núcleo da inflação (PCE) rodando a 3,8% e os persistentes gargalos logísticos no Oriente Médio exigem cautela dos investidores na alocação de ativos.
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