Semana concentra o pacote completo para o Copom de 5 de agosto
Cenário global fica tenso, enquanto o Brasil segue no corte da Selic
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Panorama da Semana
Cenário global fica tenso, enquanto o Brasil segue no corte da Selic
O CPI de junho nos EUA veio abaixo do esperado, com núcleo estável no mês e alta de 2,6% em doze meses. À primeira vista parece bom, mas o Fed olha o PCE, não o CPI, e ali o quadro muda. A projeção é de núcleo do PCE subindo 0,22% no mês e mantendo 3,4% em doze meses, patamar que já roda acima do CPI há vários meses. Essa divergência incomoda o Fed.
O consumo americano segue resistente mesmo com o petróleo subindo por causa do conflito no Estreito de Ormuz. As vendas no varejo cresceram de novo em junho e os meses anteriores foram revisados para cima. O consumo real deve ter crescido perto de 2,5% ao ano no trimestre. O contraponto é a energia mais cara: o Brent de setembro foi de 72 para 88 dólares desde o início de julho e a gasolina nos postos americanos volta a rondar 4 dólares o galão.
Nos EUA, o discurso do Fed será o dado mais importante da semana. Warsh evitou qualquer sinalização no depoimento ao Congresso. Já Waller reconheceu motivos para otimismo na inflação, mas condicionou qualquer alívio a não repetição de dados aquecidos. Cook e Jefferson falaram no mesmo tom. No computo geral,o viés do Fed aponta para alta de juros, não corte, e o mercado já precifica mais de uma alta até o fim do ano.
Para a próxima semana o calendário americano é mais fraco, com destaque para os PMIs de julho na sexta. A expectativa é de melhora tanto na indústria quanto em serviços, com o índice composto no melhor nível desde o início de 2026.
No Brasil a semana concentra o pacote completo que vai municiar o Copom de 5 de agosto. O IPCA 15 de julho é o dado principal, com projeção de alta de 0,15% no mês, puxada (novamente) por alimentação no domicílio e parcialmente compensada por energia elétrica e passagens aéreas. Esse número, somado ao núcleo trimestral anualizado voltando para perto da meta, sustenta a leitura de desinflação em curso. Ao lado disso vêm o mercado de trabalho, com desemprego estável perto de 5,3% e geração de vagas formais ainda robusta, além das contas externas, do crédito e do resultado fiscal de junho.
A tarifa americana de 25% já está em vigor e o adicional de 12,5% sob a seção 301 foi confirmado em 23 de julho. O impacto agregado deve ficar contido, dado o peso baixo do comércio bilateral no PIB brasileiro e as isenções em vigor, mas o efeito setorial e o canal de confiança e prêmio de risco pesam mais em ano eleitoral. O governo respondeu com o Brasil Soberano III, linha de até R$18,5 bilhões via Tesouro e BNDES para setores expostos às tarifas e a segmentos como fertilizantes e minerais críticos. O que importa aqui não é o envelope anunciado, e sim a adesão efetiva e o quanto essa e outras linhas de crédito compensam, na margem, o aperto monetário em curso.
No campo eleitoral as pesquisas recentes mostram corrida polarizada mas agora com dispersão entre institutos que reflete mais diferença de metodologia e data de campo do que uma mudança de direção. A semana que vem traz possíveis divulgações de Jota, Nexus e AtlasIntel, além da janela de convenções partidárias até 5 de agosto, que deve definir chapas e coligações.
O viés para o Copom de agosto segue sendo corte de 25 pontos base, com comunicação condicional e sinal de que o espaço para continuar cortando depois de setembro é limitado. A política fiscal e de crédito continua sustentando a demanda e mantém o quadro inflacionário em um equilíbrio de juro alto por mais tempo, mesmo com a desinflação de curto prazo em curso.
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