Semana de correção nos mercados e mais queda nas criptos
Raio-x da próxima semana e relatórios
A próxima semana deve ser dominada pelos indicadores econômicos brasileiros, em meio à ausência do calendário oficial de dados dos Estados Unidos, que seguem paralisados há 43 dias. Segundo Leandro Manzoni, economista do Investing, o período entre 24 e 29 de novembro concentra números relevantes do mercado de trabalho, setor externo, crédito, contas públicas e inflação, além de participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento da Itaú Asset Management.
A agenda ganha tração na terça-feira, com o Banco Central divulgando os dados do setor externo de outubro, em meio à preocupação com o déficit em transações correntes, que chegou a 3,61% do PIB. No mesmo dia, os EUA devem publicar inflação ao produtor e vendas no varejo, além do índice de confiança do consumidor.
Na quarta-feira, saem o IPCA-15 e o relatório de crédito no Brasil, enquanto o Federal Reserve publica o Livro Bege. Na quinta, feriado de Ação de Graças reduz a liquidez global, mas o mercado local acompanha o IGP-M, a participação de Galípolo e a reunião do CMN. A sexta-feira concentra os dados do setor público consolidado, da PNAD Contínua e do Caged.
De olho nos gráficos
Azul [AZUL4]
A Azul voltou a pressionar investidores ao perder o suporte na região de R$ 1,00 ao longo da semana. Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, avalia que o papel abre espaço para mais queda, apesar da instabilidade típica de ações negociadas abaixo dos R$ 2,00 ou R$ 3,00. Na leitura técnica, o ativo tende a buscar novamente a mínima em R$ 0,55. O analista ressalta que não vê oportunidade de compra no momento e orienta cautela. Para ele, a indicação para quem está posicionado é clara: encerrar a exposição.
Hashdax Nasdaq [HSH11]
HASH11 completou a quarta semana consecutiva de baixa, acumulando queda próxima de 10% no período, acompanhando a correção do Bitcoin e do Ethereum. O ativo se aproxima de uma região considerada importante de suporte, na faixa dos R$ 58,90. Borges avalia que o ponto é interessante para compras graduais. Ele recomenda aportes semanais entre quatro e seis semanas, mantendo a estratégia enquanto o fundo estiver abaixo de R$ 80,50. Caso perca os R$ 58,00, o analista vê possibilidade de aceleração da queda até R$ 44,00, mas estima baixa probabilidade de que esse cenário se concretize. Para ele, a expectativa mais plausível é de estabilização entre R$ 58,00 e R$ 59,00, com retomada da alta.
Vale [VALE3]
A Vale encerrou a semana estável, com suporte relevante marcado na região de R$ 63,90. Borges considera esse ponto como referência para realização parcial de lucro por parte dos investidores. A ação encontra resistência em R$ 67,30 e, caso supere esse nível, a mineradora pode retomar o caminho em direção às máximas históricas, ao redor de R$ 78,40.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
BTG Strategy Brazil
Os lucros das empresas domésticas recuaram 16% no ano, pressionados por Utilities, O&G e bancos. Sabesp e Cemig foram impactadas por efeitos não recorrentes de 2024. O Banco do Brasil puxou a queda entre os bancos, com lucro mais de 60% menor.
Metais & Mineração teve a maior contribuição positiva, com alta de 92%, liderada pela CSN. Na leitura qualitativa, 36% das empresas apresentaram resultados fortes — estabilidade em relação ao 2T25 — e 25% tiveram números fracos. A qualidade geral ficou alinhada ao trimestre anterior.
Confira o relatório completo
Como Andam Nossos Vizinhos - XP
A economia global tem sido favorável aos mercados emergentes. O crescimento desacelerou, mas segue firme nos Estados Unidos e na China. O Fed retomou o ciclo de corte de juros neste mês, o que beneficia as moedas latino-americanas.
Direto ao ponto: bancos - Itaú BBA
O Itaú BBA avaliou que o ciclo de crédito no Brasil em 2025 superou as projeções iniciais. O banco destacou que o mercado de trabalho forte e a inflação mais baixa sustentaram o avanço do crédito, que cresceu 11% para pessoas físicas até setembro, com alta de 12% no crédito não direcionado. No segmento corporativo, o crescimento veio das linhas direcionadas e do mercado de capitais, que avançou em dois dígitos médios. Segundo o relatório, os spreads melhoraram e a inadimplência subiu apenas de forma marginal, em grande parte por ajustes contábeis.
Direto ao ponto: estratégia 3T25 - Itaú BBA
O relatório do Itaú BBA aponta que as empresas listadas no Ibovespa entregaram um terceiro trimestre de 2025 um pouco melhor do que o previsto. Mesmo com juros mais altos e ritmo econômico mais fraco, as grandes companhias domésticas e o setor de commodities registraram os melhores desempenhos. De acordo com o banco, o Ebitda médio superou as expectativas em 2,6% e o lucro líquido ficou 8,6% acima das projeções.






