Sinal vermelho pra WEG [WEGE3]: JP Morgan coloca selo de cuidado nos papéis
JP Morgan coloca Weg em Negative Catalyst Watch antes do 4T25 e vê risco maior de queda com valuation elevado e pressão nas margens
O JP Morgan colocou a WEG em seu selo de alerta de curto prazo, o chamado Negative Catalyst Watch (Monitoramento de Catalisador Negativo), antes da divulgação do resultado do quarto trimestre de 2025, prevista para 25 de fevereiro. O banco avalia que o papel apresenta risco assimétrico, com maior potencial de queda do que de alta nos níveis atuais de preço.
O selo Catalyst Watch é um indicador de convicção para eventos específicos. Analistas aplicam o selo quando identificam um gatilho relevante no curto prazo que pode provocar reação nas ações. A sinalização pode divergir da recomendação formal, que considera horizonte de seis a 12 meses.
Valuation elevado e expectativa de trimestre fraco
No relatório, assinado por Marcelo Motta e Jonathan S. Koutras, o JP Morgan afirma que a Weg negocia a 32 vezes o lucro estimado para 2026 e a 21,6 vezes o múltiplo de valor da firma sobre Ebitda projetado para o mesmo ano. Segundo o banco, esse patamar embute expectativa de recuperação que deve se materializar de forma mais clara apenas em 2027.
A instituição projeta um quarto trimestre fraco, com crescimento de receita de cerca de 2% na comparação anual e margens pressionadas. Embora parte do mercado já espere um desempenho mais fraco no período, o banco acredita que a confirmação de números modestos pode levar a revisões negativas nas estimativas para 2026.

Desempenho recente e fluxo para emergentes
Desde a divulgação do resultado do terceiro trimestre, em 21 de outubro, as ações da Weg acumulam alta de 35%. No mesmo intervalo, o Ibovespa avançou 29%, enquanto o dólar caiu 8% frente ao real. Para o JP Morgan, parte do movimento recente reflete fluxo para mercados emergentes e não necessariamente melhora nos fundamentos da companhia.
Sensibilidade ao câmbio
O banco também destaca o impacto do câmbio nas projeções. Considerando o dólar a R$ 5,24, a estimativa aponta risco de queda de 4% a 6% na receita e no Ebitda de 2026, além de redução de 0,5 ponto percentual na margem Ebitda. Cada variação de 5% no câmbio real/dólar pode alterar a receita em cerca de 3% e o Ebitda em 5%, segundo os cálculos do relatório.
Argumentos de alta e de baixa
Entre os pontos positivos citados por investidores estão a exposição à tendência de eletrificação, a expansão do mercado de sistemas de armazenamento de energia por baterias no Brasil e a demanda por transformadores, impulsionada por novas conexões de rede e projetos ligados a inteligência artificial e data centers. A empresa também mantém posição de caixa líquido.
Do lado negativo, o JP Morgan avalia que o mercado já precifica uma recuperação que ainda não aparece nos resultados sequenciais. Além disso, cerca de 60% da receita da companhia vem do exterior, o que limita sua exposição direta a uma eventual retomada da economia brasileira.
Para o banco, o balanço do quarto trimestre será determinante para a revisão das expectativas. Caso confirme um desempenho fraco, o espaço para novas correções nas estimativas e nas ações pode aumentar no curto prazo.



