Trump cancela o ataque (de novo) e o barril desaba 5% (de novo)
O petróleo devolve o prêmio de guerra pela terceira vez em duas semanas, mas quem manda no fluxo é o juro longo.
ONTEM (sexta a domingo, 31 de julho a 2 de agosto)
Ibovespa fechou sexta a 178.345 pontos (+0,5% no dia, +2,3% na semana), dólar a R$ 5,07 e DI fechando de 4 a 8 bps, em pregão prejudicado por falha operacional da B3 pela manhã. Lá fora, S&P +0,7% e Nasdaq +1,0%, com Brent a US$ 90,1 e Treasury de 30 anos a 5,25%.
EUA e Japão fizeram na sexta a primeira intervenção conjunta no iene em 15 anos, com US$ 52,8 bilhões em um único dia, a maior da história; o iene vinha da mínima em 40 anos.
No fim de semana, Trump cancelou o ataque planejado ao Irã e disse que as conversas começam nesta segunda; o PT oficializou a chapa Lula-Alckmin, o PL anunciou Michelle candidata ao Senado pelo DF e o PP vetou Tereza Cristina como vice de Flávio.
HOJE / MADRUGADA (3 de agosto)
Brent cai cerca de 5%, a US$ 83,5, e WTI recua 6%, a US$ 79,4; futuros americanos sobem (S&P +0,6%, Dow +0,8%) e o Treasury de 10 anos cede 5 bps, a 4,68%. A OPEP+ elevou a cota em 188 mil barris/dia.
Nexus: Lula 41% x Flávio 37% no 1º turno (era 42 x 33) e 46% x 45% no 2º turno, com a vantagem caindo de 4 pp para 1 pp.
PMIs finais de manufatura: Alemanha 52,2, Zona do Euro 51,9, Reino Unido 51,9. Nos EUA saem PMI final e ISM às 11h. IBS e CBS passam a aparecer nas notas fiscais brasileiras hoje.
Terceira vez em duas semanas que o mesmo filme passa. Em 24 de julho o Brent furou os US$ 100 com os petroleiros atingidos no Mar Vermelho, no dia 27 escrevi que o barril desabava 8% com a diplomacia respirando, e no dia 29 a trégua quebrou bem no dia do Fed. Agora Trump cancela o ataque, marca conversa pra hoje e o barril devolve 5% de uma vez, com a OPEP+ ainda somando 188 mil barris/dia de cota do lado da oferta.
Trump no Air Force One, domingo: ataque cancelado e negociação marcada pra segunda (Bloomberg)
EUA e Japão compraram iene juntos pela primeira vez em 15 anos, US$ 52,8 bilhões num único dia, a maior operação da história. O Japão é o maior detentor estrangeiro de títulos americanos, e com o juro de 30 anos dos EUA a 5,25%, perto da máxima em 19 anos, segurar o iene virou interesse dos dois lados. E esse juro longo conversa com o que vimos por aqui: o estrangeiro voltou pra bolsa brasileira em julho, R$ 3,3 bilhões, mas o raio-x da XP mostra que o dinheiro parou em banco e defensiva. A cíclica doméstica segue como o único segmento com saída no ano, pressionada por um juro real perto de 8%, máxima histórica.
A semana ajuda a decidir se esse alívio tem perna: Copom quarta, com a XP vendo corte de 25 bps a 14%, o primeiro balanço da SpaceX como empresa listada amanhã e o payroll americano na sexta. Sobre eleição: a Nexus viu a vantagem de Lula no segundo turno encolher de 4 pra 1 ponto, dentro da margem de erro, enquanto no Polymarket a chance de vitória dele segue em 66%, perto da máxima, com Flávio chegando à reta final sem vice.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Trump cancela o ataque e o barril desaba 5%. Dessa vez o alívio dura?
📅 3 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ Trump cancelou o ataque ao Irã e marcou conversa pra hoje. Brent cai 5%, a US$ 83, devolvendo tudo que a escalada colocou, e a OPEP+ elevou a produção. Terceira vez em duas semanas que o alívio vem de promessa, não de acordo assinado. Futuros em NY sobem 0,6%.
💴 EUA e Japão compraram iene juntos pela 1ª vez em 15 anos. O Japão é o maior detentor estrangeiro de título americano, então segurar o iene é interesse dos dois.
🇧🇷 Ibovespa fechou julho a 178 mil, +3,5%, com estrangeiro voltando com R$ 3,3 bi. Mas, pela XP, o dinheiro parou em banco e defensiva: cíclica doméstica segue como o único setor com saída no ano. Juro real na máxima histórica, perto de 8%. Copom quarta.
🗳️ Nexus: Lula 46 x Flávio 45 no 2º turno, vantagem cai de 4 pra 1 ponto. Já no Polymarket ele está em 66%, perto da máxima. Voto não é chance de vitória.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica e petróleo
Trump cancelou ataque ao Irã e marcou negociações para hoje, citando pedidos da Arábia Saudita e outros aliados; sugere acordo próximo para reabrir Ormuz (Bloomberg, WSJ, NYT, News XPress, XP Furla)
Chanceler iraniano Araghchi diz que negociação Irã-Omã sobre nova rota em Ormuz está em fase final, mas sem tratar da abertura do estreito (Bloomberg)
Brent cai ~5% a US$ 83,5 e WTI ~6% a US$ 79,4, depois de os futuros subirem mais de 20% em julho (Bloomberg, WSJ, XP Furla)
OPEP+ eleva cota em 188 mil barris/dia, completando a retirada do segundo dos três pacotes de corte; vários membros não conseguem cumprir metas por falta de capacidade (AFP via XP Furla)
Editorial do WSJ questiona o “DEAL” de Trump com o Irã pela falta de detalhes (WSJ Opinion)
NYT: durante a trégua, o Irã articulou com proxies plano para elevar o custo de um novo ataque americano (NYT)
Câmbio e juros globais
Primeira intervenção conjunta EUA-Japão no iene em 15 anos; US$ 52,8 bi em 31 de julho, maior operação de um dia da história (Bloomberg, NYT, John Authers/Bloomberg)
Bessent usou venda de euros para comprar iene, algo classificado como inédito, provavelmente para não pressionar o dólar e, por tabela, os juros americanos (Bloomberg Economics, HSBC via Bloomberg, FT via Bloomberg)
Bessent defende ampliar a FIMA repo do Fed para o Japão obter dólares sem vender Treasuries (Bloomberg Economics)
Japão é o maior detentor estrangeiro de Treasuries; risco central é venda de títulos pressionar as taxas (Bloomberg Markets Daily)
Treasury de 30 anos fechou sexta a 5,25%, perto da máxima em 19 anos; 10 anos em 4,68% hoje (XP Furla, Barron’s, Bloomberg)
Juro real americano de 10 anos subiu 26 bps em um mês, a 2,44%, com a inflação implícita parada em 2,20% (Empiricus Crypto Pulse)
Yen carry trade sofreu abalo com a intervenção; BoJ manteve juro em 1% e é cobrado a subir em setembro (John Authers/Bloomberg, Bloomberg Politics)
Fed
Warsh estuda reduzir as reuniões de política monetária de 8 para 6 por ano, mais dois encontros temáticos, e cortar coletivas (NYT via XP Macro Strategy, Bloomberg)
Fed manteve juros em 3,50%-3,75% por 9 a 3, com Hammack, Kashkari e Logan votando por ALTA (Empiricus Crypto Pulse, WSJ)
Barkin (Richmond): é “close call” se a política está restritiva o bastante; vê “caso forte” para mais aperto (WSJ Wealth Adviser)
Aposta de alta em setembro na CME: 67% (Dow Jones Newswires/WSJ) e 81% (Empiricus), contra menos de 53% uma semana antes
Gestores dizem que o estilo de Warsh gera volatilidade, mas abre alfa (Angel Oak via WSJ Wealth Adviser)
Mercados e tecnologia
Futuros americanos em alta com petróleo e juros cedendo (WSJ, Bloomberg, XP Furla)
Barron’s: mercado não pode mais contar com a big tech como motor; capex de IA fica difícil de digerir com juros longos subindo (Barron’s)
Balanços da semana: SpaceX (1º como listada, terça), AMD, Palantir hoje, Disney, McDonald’s, Uber, Eli Lilly (WSJ, Barron’s)
SpaceX vale US$ 1,4 tri, ação 20% abaixo do IPO; braço de IA teve receita de US$ 818 mi e prejuízo operacional de US$ 2,5 bi no 1T (Barron’s)
Alibaba lançou o Qwen3.8-Max, com 2,4 tri de parâmetros, dias depois do Kimi K3 (Bloomberg)
AstraZeneca e Bristol Myers discutiram fusão de cerca de US$ 400 bi; AZN cai 6% (Bloomberg, WSJ, FT)
Quatro maiores do setor de data centers já comprometeram US$ 2,4 tri em gastos futuros (Bloomberg)
Onda de dívida ligada a IA ameaça inundar o mercado de bonds (WSJ)
Buffett Indicator em 230%, recorde; ajustado por receita doméstica, 144%, ainda historicamente caro (WSJ Markets A.M.)
Brasil: fiscal e macro
Dívida bruta a 81,9% do PIB, maior desde abril de 2021; déficit nominal em 10,0% do PIB; XP projeta 83,2% no fim de 2026 (XP Macro)
IFI projeta dívida bruta em 95,7% do PIB no último ano do próximo governo (Folha via XP Furla)
Ceron (Fazenda): ajuste do próximo governo tem “vários caminhos”, possível desacelerar despesas sem grandes reformas (Valor)
Durigan tenta se colocar como porta-voz econômico da campanha e acena com aperto no arcabouço, o que desagradou a ala mais radical do PT (Estadão, Folha, XP Política)
Copom decide quarta; XP espera corte de 25 bps, a 14,00%, com comunicação neutra (XP Macro Research)
IPC-S da 4ª semana de julho hoje, com projeção XP de -0,09% (XP Macro Research)
Ibovespa fechou julho em 178.345 pontos, +3,5% no mês em reais e +5,3% em dólares; estrangeiro entrou R$ 3,3 bi em julho e R$ 37,1 bi no ano (XP Furla, XP Research)
IBS e CBS passam a constar nas notas fiscais hoje, primeira fase da reforma tributária (O Globo via XP Furla)
Estadão: empresas calculam perdas e estocam com o tarifaço, que poupa a maior parte da pauta exportadora mas atinge nichos regionais (Estadão)
Raio-XP de julho: fluxo estrangeiro voltou concentrado em Financeiro e Defensivas; cíclicas domésticas seguem como o único segmento com saída líquida de estrangeiro em 2026 (XP Research/Raio-XP)
Juro real longo das NTN-Bs perto de 8%, máxima histórica, contra cerca de 3% nos EUA; construção civil caiu 11,7% e saneamento 4,8% em julho, num mês de índice +3,5% (XP Research/Raio-XP)
XP mantém valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos para o fim de 2026, com P/L a 8,4x e índice de sentimento perto de “extremo pessimismo” (XP Research/Raio-XP)
Brasil: eleição
Nexus de hoje: Lula 41 x Flávio 37 no 1º turno, 46 x 45 no 2º turno, vantagem caindo de 4 pp para 1 pp (XP Macro Strategy, XP Política)
Convenção do PT oficializou Lula-Alckmin; Lula prometeu disputar emendas com o Congresso, investir em defesa e proteger terras raras, mas evitou falar de ajuste fiscal (XP Política, Folha, Estadão, O Globo)
PP vetou Tereza Cristina como vice de Flávio e declarou neutralidade; federação PP-União também disse não ao PL (Folha, O Globo, Estadão, XP Macro Strategy)
Flávio chega à reta final sem vice; convenções terminam quarta e registro vai até 15 de agosto (O Globo, G1, News XPress)
Michelle Bolsonaro anunciada candidata ao Senado pelo DF, sem comparecer ao evento, alegando crise de enxaqueca; disse que “caminhará com Flávio” (Estadão, Folha, CNN via XP Furla)
Flávio defende regra fiscal com gatilho de corte de gastos quando a dívida atingir certo patamar (Estadão)
Renan Santos (MBL) lançado candidato pelo partido Missão, atacando Lula e Flávio (the news, Estadão)
PF abriu dois inquéritos sobre Lulinha; Lula pediu que o filho volte da Espanha para depor ainda em agosto (Thomas Traumann/O Globo, Estadão)
Deepfake de Bolsonaro usado em convenção do PL leva TSE a discutir regras sobre IA (O Globo, Valor)
Polymarket precifica 66% de chance de vitória de Lula, perto da máxima e vindo de 44% em maio; Flávio em 24,7%, com volume total de US$ 118 milhões no mercado (Polymarket)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: Focus, IPC-S, PMI e ISM de manufatura nos EUA às 11h; Palantir reporta após o fechamento. BC entra em silêncio pré-Copom.
Terça: o dia mais aguardado da semana nos balanços: SpaceX estreia como empresa listada, com AMD e McDonald’s no mesmo dia. Nos dados, balança comercial dos EUA e JOLTS.
Quarta: Copom decide a Selic, com a XP vendo corte de 25 bps a 14% e comunicação neutra. Sai a produção industrial de junho por aqui e o ADP nos EUA. Disney, Uber e Eli Lilly reportam.
Quinta: jobless claims nos EUA e balança comercial de julho no Brasil, com a XP projetando US$ 8,5 bi de saldo.
Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo a 4,3%. Com Warsh sem dar pistas, é o número que pode reacender a aposta de alta de juros nos EUA.


