A Vista Capital afirmou, em carta aos clientes de setembro estendida até os primeiros dias de outubro, que o resultado do primeiro turno das eleições está em linha com o cenário que a casa defende há dois anos.

Para a gestora, o desempenho da direita em 2022 refletiu circunstâncias específicas daquele momento, e não uma inversão de tendência.
A carta recorda que as pesquisas apresentaram erro médio relevante, associado a uma abstenção entre cinco e sete pontos percentuais. Mesmo que estivessem corretas, diz a gestora, a oposição já liderava no agregado de candidatos, o que sustentava forte convicção no evento. Para o segundo turno, a expectativa é que os indecisos se distribuam de forma mais favorável à oposição do que os levantamentos indicavam, o que ampliaria a diferença de votos.
Segunda perna da tese
A segunda parte do cenário trata da baixa alocação em ativos de risco no país. Segundo a Vista, a participação de ações em relação à base monetária, que já chegou a 15%, está hoje abaixo de 3%. A gestora atribui o movimento ao ganho nominal da renda fixa, num ambiente de juros altos, e aos resgates constantes da classe de ações. Em 2018, os investidores detinham cerca de R$ 4 trilhões em renda fixa. Hoje, o número supera R$ 16 trilhões, enquanto o estoque em ações permanece estável ou menor.

Na avaliação da casa, a combinação de probabilidade elevada do evento e assimetria dos ativos é rara. Em condições normais, argumenta, os dois fatores se contrapõem, como num jogo de futebol em que o favorito paga pouco a quem aposta nele.
Carteira e Petrobras
O fundo segue concentrado em quatro temas: Brasil, urânio, Argentina e posições vendidas em Petrobras, esta como expressão da visão da gestora para o petróleo. Após ter trocado a venda de ações por opções, a Vista voltou à posição vendida em ações, justificando a decisão por um valuation que considera ainda mais esticado e pelo fim do evento que motivou a troca de instrumento. A exposição é menor que nas demais teses, por causa da incerteza sobre o desfecho da guerra, sobre o qual a gestora diz não ter visão formada.
A gestora não vê vida fácil para Flávio
No governo e cita aprendizados do ajuste com Temer, Milei e o primeiro ano de Jair Bolsonaro, além do segundo mandato de FHC. Segundo a carta, a discussão fica para mais adiante. Desde já, e com mais clareza após o segundo turno, a Vista espera que a baixa alocação em risco comece a ser revertida, movimento que ganharia força com uma eventual PEC da transição invertida, que traria implícito o fim da reeleição.

