Dois bancos centrais atrapalhados
Incoerência do Copom e invencionices do novo presidente do banco central americano testam nossa paciência.
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Panorama da Semana
Aqui no Brasil, o COPOM cortou a Selic em 25 pontos, como o mercado esperava. Só que o comunicado mudou o tom e subiu a régua para próximos cortes. Quem acompanha sabe ler que o comunicado abriu espaço para uma pausa já em agosto. Atividade econômica também perde força no segundo trimestre, puxada pelo consumo das famílias, que esfriou em abril com queda na originação de crédito.
No campo político, Lula sobe nas pesquisas e Bolsonaro recua desde maio, embora o gap ainda pareça pequeno para cravar resultado em outubro. Julho marca início das restrições eleitorais sobre anúncio de medidas governamentais, e isso deve concentrar o programas de estímulo fiscal nas próximas semanas. Vale ficar de olho nas convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto.
Nos EUA, dois episódios de alto impacto. Primeiro, acordo entre EUA e Irã reabrindo o Estreito de Hormuz. Segundo, a reunião do FOMC sob comando de Kevin Warsh trazendo revisão hawkish na projeção de inflação (3,3% para 2026!) e dot plot completamente dividido, metade pedindo alta de juros ainda este ano. Warsh ainda anunciou cinco task forces para reformular o Fed e recusou apresentar seu próprio dot, gerando névoa sobre rumo da política monetária.
Consumo americano segue resiliente, varejo cresce, ainda na esteira da utilização da poupança. Mercado imobiliário continua travado com juros hipotecários nas alturas. E ponto curioso: preços de memória RAM e NAND dispararam por conta da demanda de data centers de IA, pressionando inflação de hardware nos próximos meses.
Semana que vem trazemos PMIs, dados de inflação preliminar (IPCA-15) e PIB revisado nos EUA. Promete.
Calendário da Semana
Rentabilidade das principais classes
Fluxo de capital estrangeiro B3
De olho nos gráficos
Ibovespa [IBOV]
O Ibovespa caminha para mais uma semana negativa, mantendo a pressão vendedora observada desde que o índice se aproximou dos 200 mil pontos. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o mercado já se aproxima da faixa entre 166.700 e 156.300 pontos, região que pode marcar uma pausa no movimento de baixa. "Dentro dessa faixa de preços, entendo que o mercado deve interromper, pelo menos por algum período, sua movimentação de baixa — devemos ter um repique no Ibovespa", afirmou. Borges chama atenção para o nível dos 174.300 pontos: uma eventual superação das máximas pode sinalizar, com mais força, a retomada do movimento de alta.
Bitcoin
O Bitcoin também segue sob forte pressão vendedora, encerrando a semana com fechamento negativo. O ativo tem fundos alinhados na região dos US$ 60 mil, mas Borges vê maior probabilidade de rompimento desse suporte. "A maior probabilidade que vejo é da perda dos US$ 60 mil, com o ativo buscando o patamar entre US$ 55 mil e US$ 52 mil nas próximas semanas", projetou o analista. Para quem pensa em montar posição, a recomendação é esperar. "Para compras, eu aguardaria e começaria a comprar abaixo dos US$ 58 mil, US$ 56 mil — acho uma excelente região já para começar a montar uma posição de longo prazo", disse.
Weg [WEGE3]
A WEG apresentou um fechamento positivo no gráfico semanal, após buscar liquidez na região entre R$ 45,00 e R$ 41,00. Para Borges, o movimento já indica retomada da tendência de alta. O próprio analista está posicionado no ativo: “Estamos comprados nessa operação no nosso copy de swing trade, o Follow Trade, com alvo nos R$ 52,00”, revelou.
Moura Dubeux [MDNE3]
Outro nome que chama a atenção de Borges é a Moura Dubeux, que teve forte alta em fevereiro antes de formar topos nivelados na região dos R$ 34,30 e agora retorna a uma faixa de liquidez considerada atrativa pelo analista. "Estou comprado no ativo na região dos R$ 28,00, com stop abaixo das mínimas, no patamar dos R$ 25,30, e o alvo mínimo para essa operação é a faixa dos R$ 37,00", detalhou Borges. O potencial de valorização da operação supera os 30%.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Top 5 temas globais - XP
Os mercados globais foram impulsionados pelo alívio geopolítico no Oriente Médio, mas o otimismo foi contido por sinalizações mais duras (hawkish) do Federal Reserve e pelo aumento do escrutínio regulatório e de custos no setor de tecnologia.
RD Saúdo - Safra
O Banco Safra reiterou sua recomendação de Compra (Outperform) para a RD Saúde, mas revisou o preço-alvo de 12 meses de R$ 30,00 para R$ 27,00 por ação. A redução reflete a incorporação dos resultados do 1T26, despesas financeiras pressionadas por juros mais altos e uma postura mais conservadora para o crescimento de médio prazo, embora o papel negocie com desconto atraente frente à sua média histórica.
Cosan - BTG Pactual
O BTG Pactual reiterou a recomendação de Compra para a Cosan com preço-alvo de R$ 8,00, enfatizando que a tese de investimento mudou de um ciclo de expansão/construção para uma fase de colheita, simplificação de estrutura e monetização de ativos. O banco aponta que o mercado ainda pune excessivamente a complexidade do portfólio da holding, gerando um desconto de holding de 29% que cria uma assimetria atraente para o investidor.
Ouro: Após a correção, oportunidade - BTG Pactual
A forte correção recente no preço do ouro não anula sua tese estrutural de alta e, na verdade, abre uma janela oportuna de entrada para os investidores. Em relatório de equity research focado no setor de Metais e Mineração publicado em junho de 2026, o BTG Pactual reiterou sua visão otimista para o metal precioso e reforçou a recomendação de Compra para a Aura Minerals [AURA33], cujas ações ficaram excessivamente descontadas após uma realização de 39% desde as máximas recentes.
MÍDIAS DA SEMANA
Compass [PASS3]: a joia da coroa da Cosan que resiste ao cenário macro adverso
Menos de um mês após estrear na Bolsa, a Compass (PASS3) já conquistou um raro consenso entre as principais casas de análise do país. Nesta semana, JP Morgan, BTG Pactual e Itaú BBA iniciaram cobertura da companhia com recomendação de compra, sustentados por uma tese que combina duas características pouco comuns em uma mesma empresa: geração previsível …














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