Carteiras sugeridas para setembro
Este post está sendo atualizado à medida que novas carteiras forem divulgadas. Última atualização 16h45 - 03/09
O CPI que decide o rumo do Fed
Nos Estados Unidos, o mercado aguarda a inflação de agosto, dado crucial para clarear as opiniões divididas se o Fed sobe juros já em setembro. O CPI sai na sexta-feira.
Aidna sobre os EUA, o payroll de agosto, divulgado semana passada, mostrou 162 mil vagas criadas e revisões para cima nos meses anteriores. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1%.
Com dados fortes, o mercado voltou a precificar mais de 60% de chance de o Fed subir os juros no próximo encontro.
Um dos membros do Fed, Christopher Waller vem tentando vender a ideia de que a inflação perde força, citando o núcleo do PCE rodando a 3,0% em três meses, abaixo dos 4,8% de fevereiro.
Já o presidente do Fed, Kevin Warsh (que assumiu comunicação discreta), argumenta que essa melhora não é estrutural. É uma discordância que ficou pública em Jackson Hole e que deve se resolver, ou se aprofundar, com o CPI de agosto, que sai na sexta feira dia 11.
A projeção do mercado é de alta de 0,21% no núcleo, o suficiente, na nossa leitura, para manter o Fed parado por enquanto.
Mas as chances de vir um número mais quente é alta, e é o que definirá se setembro termina com Fed em mantendo juros ou com o primeiro sinal de um ciclo de aperto liderado por uma ala mais hawkish, com Warsh à frente defendendo que agir logo constrói credibilidade (quem diria).
Antes disso, na quinta, sai o PPI de agosto, mais um termômetro importante, e as vendas de imóveis usados.
Brasil
As pesquisas da semana mostraram Lula e o senador Flávio Bolsonaro praticamente empatados no segundo turno. A novidade foi a ascensão do escritor Augusto Cury, que saltou para perto de dois dígitos nas intenções de voto e se tornou o primeiro nome a chegar tão perto dos líderes neste ciclo. Ainda é cedo para saber o que isso significa na prática, até porque pouco se sabe sobre a agenda econômica que Cury defenderia, mas quanto mais embaralhado o primeiro turno, maior a incerteza sobre o regime fiscal do próximo governo, especialmente porque a votação do orçamento de 2027 no Congresso só deve ocorrer depois da eleição.
Enquanto isso, a economia desaquece. O PIB do segundo trimestre confirmou a desaceleração, de 4,5% para 1,9% em ritmo anualizado, puxado quase inteiramente por estoques, com o consumo das famílias caindo pela primeira vez em um ano e meio. A produção industrial também decepcionou em julho, e o câmbio mais valorizado reforça o argumento de um ciclo de corte de juros mais longo do que os 25 pontos base esperados para a reunião de setembro do Banco Central.
A semana trará mais dados que devem reforçar essa leitura de atividade fraca com inflação baixa. O setor de serviços de julho deve mostrar leve alta depois de dois meses ruins, e o IPCA de agosto, na sexta, deve vir negativo, puxado pela tarifa de energia mais barata (o “bônus de Itaipu”), o que deve dar ao Banco Central mais espaço para seguir cortando juros além do que o mercado já espera.
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